Um Sítio...Joaquim Vairinhos

Um Sítio...Joaquim Vairinhos
Poesia e Prosa

sábado, 30 de junho de 2012

Olhei para o escuro
azulado da noite
sem lua
aves negras esvoaçavam
cobrindo
brilho de estrelas 
mortas
sombras agigantavam-se
nas fachadas brancas
abraçando-se
qual fantasmas
na busca
dum corpo perdido
duma alma sofrida
sem conforto
mergulhavam seus verdes
olhos na imensidão
do firmamento
plasmando seus sentidos
nas essências do amor,
mas aquela...
aquela...não era
a sua dimensão.

emílio casanova, in "nas pedras das palavras"

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Amor nunca acaba
enrola-se na vida
com raiva...
transforma-se na mente
e acompanha-nos
sempre
habitando numa eterna
saudade dentro
da gente.

emílio casanova

Na raiva do Bruno
ela cuspia
sorria
maltratava
coitada...


que desilusão
Bruno
essa gostosa
te deu
ingrata tudo fez
para te tirar
da sensatez...


malvada na pele 
sejas
alimenta Bruno 
na raiva
não esquecendo
Flor nos lábios
de outro qualquer...


que fazer ?
que fazer ?
se Bruno adora 
aquela mulher
uma flor
que é seu cheiro
um corpo
que é sua dor
que fazer...
que fazer...


e assim gira 
a vida do Bruno
como tantos 
brunos e
flores na terra
em busca 
do amor
na felicidade
que já não é
eterna...


emílio casanova, in "as pedras das palavras"

quinta-feira, 28 de junho de 2012

quarta-feira, 27 de junho de 2012


Happy Hour


step by step
minuto segue minuto
dia trás dia,
copo trás copo....
tempo vai fluindo 
como água entre os dedos....
interessante.....
a melhor forma
de se sentir viver...


será...
no fim do dia
a catarse da fobia
com copo na mão
que maria
na rua
no balcão
balança seu coração
espumando
em chop by chop
escondendo
na loirinha
os longos minutos do 
regresso
para recomeçar 
novo dia.


emílio casanova, in "As pedras das palavras"

terça-feira, 26 de junho de 2012


Nunca pensei escrever
mostrar que tenho outro
em mim 
transparente 
num saco opaco escondido
em toca bem guardado
disfarçado nas entranhas da mente,
é um saco com flores selvagens
multicolores,
de folhagens roxas como amoras
com louros verdes cor de abóbora.


Invasores de plaquetas
nas correntes de um sangue quente
onde correm latinos conquistadores
abertos a odores 
desempoeirados
para amores claros arrebatados
que fervem em paixões
de madrugadas
nas rosáceas coxas de eternos
femininos.


Coberto de pedras
rios e espinhos
com perfumes embriagados
sigo,
na escrita de palavras endiabradas
de vazio
na vertigem de horizontes verdes
de estio 
com talismãs de sortilégios
recuperados
de eternos passados
e, assim
aguardando sempre o florir da roseira vermelha
entre as pedras das palavras tristes
magoadas
porque não livres,
vou escrevendo.




emílio casanova, in "as pedras das palavras"
Disseste-me noutro dia
que amor não tinha peso
que amor não se media
mas então porque
me perguntas todo dia
se te amo...
se te quero muito.
Quando te digo que : sim
queres sempre saber
quanto...
... e, sem questionares
queres saber até quando....
Será que amor não tem peso ?
Será que amor não tem medida ?
Será que amor não tem tempo ?
Porque me dizes : já te vais
tão cedo ?
Porque queres saber quando
volto ?
Por mim acho que amor tem peso,
tem comprimento...
Um grande amor é pesado como
a terra...
Um grande amor é grande como
o firmamento...
Um grande amor quando vivido
tem o eterno tempo.

Emilio Casanova, in "No jantar dos deuses"

segunda-feira, 25 de junho de 2012

A Ilha

A barca chega
na linha do horizonte.

Aguarda olhando as bicicletas
quietas.
Silenciosos pensamentos seguem gaivotas.

Sentado nas pedras espera.



Emílio Casanova
Carnes que ardem em vagas
de fluidos 
devoram os líquidos
mortais...
chamas que queimam
sentidos...
êxtases de ilusórias 
mentes
fabricam momentos
que se pretendem
divinais...
constroem-se sentimentos
iludidos...
nas paixões viscerais
que se arrastam
por confissões de sons
surdos e mudos...
habitantes de porões
escondidos na solidão
almas famintas
de amores...
na ilusão.

emílio casanova. in "as pedras das palavras"
Quando o tempo fica
sem horas
e, os minutos sem fim...
espero por ti
com flores nos olhos,
aguardando
que o silêncio desapareça
nas nossas gargantas
envolto em desejos
do encontro.
O nada já não é.
Simbiose deixa marcas
em vestes de pele,
partilhada...
nas entranhas
de nossos seres
que se buscam...
nos êxtases de entrega
em silêncios sublimes
de amantes profundos...
na procura de seus novos
mundos.

emílio casanova, in "no jantar dos deuses"
Só passam segundos
horas morrem
não mexem
não andam 
não vivem
e,
momento não chega

dia nos dias
segundos nas horas
olhos sorriem
quando horas
acordam

emílio casanova, in "no jantar dos deuses"
Na tridimensão do teu espaço...
corporal
componho uma sinfonia
com cálice e harpa
que te percorre...
lasciva nas entranhas
em cascatas vermelhas
de suores...
ergo a taça para te sugar
na delícia dum amor...

Soltando o tempo
em teu regaço...
penetro nos ais únicos
de teu coração.

emilio casanova, in "no jantar dos deuses"
QUANTAS AVENIDAS TEM
TEU CORPO...MEU AMOR,

QUANTOS RIOS TÊM
TUAS VEIAS...MEU AMOR,

QUANTOS FOGOS TEM
TEU CORAÇÃO...MEU AMOR,

QUANTOS SORRISOS TEM
TUA BOCA...MEU AMOR,

QUANTOS OCEANOS TÊM
TEUS OLHOS...MEU AMOR,

TENS TUDO O QUE SABES
E,
MAIS O QUE DESCOBRI...

DESCONHECIDO EM TI.

emílio casanova, in " No jantar dos deuses "
Por onde vais
nessa estrada sem fim
solitária
convencida e segura
que virá novo dia
para ti para mim,
mas as coisas não são
fáceis assim...
Quando o amor
aquele amor...
gruda em nós
como fogo na pele
quando arde,
pele não volta mais
a ser o que era.
Assim é nosso coração
quando ama de verdade
fica marcado
com registo definitivo
em rugas que o envolvem
eternamente insubstituíveis.
Porque teve que ser
assim
essa tua caminhada solitária
na estrada
sem mim.
Há sempre no horizonte
a estrela que nos guia
mesmo nos dias
de maior escuridão
e, como são insondáveis
os oceanos do
coração.

Emílio Casanova
Corpos nus
almas cheias
entrámos no deserto
onde o calor afoga
mata desejos
tolhe movimentos
evita esforços
obriga reflexão.

Descida aos infernos
das mentes
caminhada dolorosa
na busca de oásis
verdes com frutos
silvestres
no horizonte.

De miragem em miragem
faz-se um caminho
na procura das delícias
dos corpos frescos
concebidos para o amor.

Desérticos marchamos
sempre na conveniência
de delícias de encontros
construídos nos corações
sensíveis aos encantos
de corpos quentes
na ânsia de afogarmos
sentimentos.

Só o amor é redentor
refresca o dia
aquece a noite
adormece ao meia dia
no torpor longínquo
duma esperança
que se faz na tarde.

Emílio Casanova, in " No jantar dos deuses"
Já pensaste em pesar teu amor por mim ?
Quantos quilos ? 
Muitos.

E para o ano ? 
Menos. Muito menos.

Essa é a balança do teu coração ?
Não.
É o meu peso na tua mão.



Emílio Casanova, in "No jantar dos deuses"

terça-feira, 12 de junho de 2012

Dei comigo a pensar, hoje
dia dos namorados
na minha alma gémea...
quanto mais pensava
mais minha alma sorria
sorria e sorria...

passado algum tempo
com um brilhozinho nos olhos
dizia : 
não sejas parvo,
não tenho uma gémea,
não tenho irmãos
sou única
e sou tua,

por isso procura e,
procura uma alma
diferente da tua.

Que te saiba ler...
que gostes da sua escrita...
que te ame de dia ...
de noite...
sempre e sempre...
até ao amanhecer.

emílio casanova

segunda-feira, 11 de junho de 2012


Como gostaria de ter as palavras
certas para te dizer
neste dia convencional dos amados
o que é importante.


Como não as encontro e,
não foi por não tentar, e
rebuscar nos poetas famosos
os versos mais amorosos
e sensuais.


Só consigo dizer-te com emoção
que o importante
é a rosa.


Sim, a rosa bem vermelha
que existe em mim
e que quero que ela fique
sempre bem viva
no meu espírito...
para ti.


emilio casanova
Sabes,
Vais preenchendo...
ocupando como raízes
minha mente...
minhas células...
meu solitário coração
que a cada nosso encontro
vai-se inundando de ti
meu bem...
da tua pele macia
do teu doce olhar
dos teus lábios sedosos
da tua boca quente.
Como desejo voltar a ver-te
sentir-te...
fazer explodir em mim
milhares de estrelas
que voem como pirilampos
ao teu encontro.



Joaquim Vairinhos

sexta-feira, 8 de junho de 2012


Vociferar acordes
no ninho dos espíritos
comprimido entre eles
provoca invasão no vácuo
buscando eterna dimensão.
Asas desnecessárias
ventos inúteis
palavras mudas
calor e frio insensíveis.
É, pelos magnetos que me ligo
bem no centro do universo
onde interajo com quem não vejo
em filamentos imortais
que povoam pensamentos invertidos.
Como não ser o que já fui ...
como não conhecer o que já vi...
como não fazer o que já fiz...
como não querer ser feliz ?
se já me achei e já me perdi
em mundos sem tempo e,
nos espaços que já vivi.


Emílio Casanova, in " As pedras das Palavras".

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Esse abraço...
que te dou... 
é um abraço sem roupa...
com minha face...
entre teus seios...
e,
teu bico...
na minha boca...



emilio casanova, in "amor de maria"
Viajantes nus dormem
nos ombros das cadeiras azuis
enquanto esquina envelhecida
dobra as dunas da rebentação
levantando espuma airosa
que dá fresco tom à embarcação.
Rostos tatuados de cansaço
flutuam ao sabor da levitação ondulada
de tábuas enferrujadas.
Regressam escrevendo prosas
no seu diário de bordo
de fadigas quotidianas
em correrias pelos poros da cidade
quais formigas em único sentido.
Buscam conforto nos cantos
dos muros de seus tetos.
Fantasmas brancos fervilham suas mentes
na escuridão de fornalhas verdes
sem chamas.
A barca era sua cama por alguns instantes.

emílo casanova,in "as pedras das palavras"

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Poema


Seres poema e não poeta
Belo desafio esse
Viveres como poesia
Desde o dia em que nasceste.
Seres luar e raio de sol
Batida de asas de beija-flor
Sorriso de mãe com amor.
Seres flecha de cupido
É bem melhor
Que escrever poemas de improviso.
Seres seiva de caule florido
Olhar de criança embevecida
Amor de casal apaixonado
Sangue de toiro enraivecido
É bem melhor
Que palavras sem sentido
E poema metricamente ordenado.
Para onde vais tu caminhante
Se és caminho passageira viajante
Se és nuvem deslizando no horizonte
Da natureza pertencente
Voa poesia voa docemente
Para os braços do poema amante.



Joaquim Vairinhos
Por onde voas beija-flor
Sabes
Vou ao encontro de meus amores
Vou saciar-me deles
Empanturrar-me
Extasiar-me
Grudar-me nos afetos
E depois
Voltar a voar
Cheio de amor
Beija-flor
(Emílio Casanova
BEIJOS...
QUENTES PARA O TEU ACORDAR...
VEJO-ME...
COM MINHA FACE ENTRE TEUS SEIOS MORNOS...
SEDOSOS...ACARICIADORES...
SINTO-ME SUBINDO SUAS ENCOSTAS 
DOCEMENTE...
DEMORO SUAVEMENTE A SUBIDA
SABOREANDO ODORES...
...
REGRESSO AO VALE DOS ENCANTOS
PARA MEU PRAZER SE ELEVAR
...
NÃO ME CANSO DE SUBIR E DESCER
EM TÃO FORMOSO ROMANCE
ANSIOSO MOMENTO DE CHEGAR
AO CUME
DOS PRAZERES
ENVOLVIDO NO SOPRO DOS TEUS AIS
QUE ME CERRAM CÍLIOS
PARA PODER SABOREAR
NOS OLHOS...
NA MENTE...
TODO O GOSTO QUE PASSA
PELOS LÁBIOS... PELA BOCA...
PELA LÍNGUA
PELOS DENTES...

LEVE SONO ATRAVESSA SENTIDOS
NA PARAGEM ANUNCIADORA
DE NOVOS CAMINHOS
POR TI DESEJADOS
QUERIDOS...

ABRAÇADOS AGARRADOS
ENVOLVIDOS
QUE DESAGUAM EM OCEANOS
DE PARAÍSOS
NUM DELTA VERDEJANTE DE ESPERANÇA
EM SIMBIOSE DE ENCANTAMENTO

COMO FOI BOM ESTE DESPERTAR
ESTE COMEÇAR O DIA...
NESTA SEMPRE DOCE E MARAVILHOSA
MAGIA
QUE É O AMOR...

emílio casanova
Sou o que sou
em mim existo 
marcado pela minha matriz
mesclado pelo que fiz e
não fiz
não me releio para crescer
não paro para perder tempo
em horizontes
que não vejo
busco forças em novos céus
por caminhos floridos
perfumados
iluminados...
Que me farão ser eu.

emílio casanova
No gosto doce belo radioso
do teu rosto
da tua lembrança
conquistarei
o reino dos eleitos...
nele construirei
horizontes de sentidos
perfumados quentes brilhantes...
atearei fogo
aos meus desejos
minha poesia te glorificará
dia a dia...
nos verdes prados azuis do mar
nas curvas dos ventos
abraçados em nuvens
que me farão voar
para ti...
teu calor brilhará
como farol
iluminando minhas palavras
densas
belas...
beijarei toda
essa beleza sem par.

emílio casanova,
in "amor de maria"
foto de Teresa Corbetta
Para medir meu amor por ti
procurei medida humana,
não encontrei...
então, procurei Zeus,
que me disse :
"ela brilha ?"..."muito"...ela "ama-te ?"..."muito"
Sabes humano, não tem medida esse amor!
E assim, fiquei na paz de Zeus

emílio casanova
, in "amor de maria"
foto de Sónia Regina Ferreira
Neste colchão de nuvens 
em que divago e fluo
sinto triângulo vital
em ebulição
mente...alma...coração
buscam-te na esperança
da emoção de te saudar
te ouvir...te sentir...

Porque é preciso
te abraçar...te enviar...
desejo de bom dia
mandar beijos de amor
alegria...
para minha mente... alma...
coração se reconfortarem
se prepararem para um
novo dia...meu amor.

emílio casanova
No reverso do teu inverso 
no profundo da tua alma
procuro meu verso
para que sintas
em teu avesso
delícias imersas
fluindo em vagas
na busca da tua 
superfície
acaloradas...perversas
profanas...mágicas
que te esmaguem
em delírios incontidos
...irreconhecidos...
orgâsmicos...sublimes
que restem na tua
memória infinitamente
para sempre.

emílio casanova
Nas retas em quadrado
da mesa
juntei círculos inteiros
em branco
buscando alimento
quotidiano
humano
que sustenta vida
em esperança...
...
Nas retas en retângulo
da tua cama
junto nossos corpos
famintos
na ânsia de matar
desejos
que nos transportam
no prazer
da renascença...

emílio casanova
e,
quando o café escorreu pela mesa
pingou na tua saia verde
deixando marcas circulares
castanhas
minha mente voou
na fantasia...
num rápido relance
tuas coxas alvas com calcinha
negra
bailaram no meu
contentamento
sorri...
desconfortavelmente
perante teu ar surpreso
inquietante
porque a despropósito
que fazer
se tua beleza
chama encantamento
inspiração que me leva
a desejar-te em qualquer lugar
em qualquer momento...

emilio casanova
Amanheceste entre cortinas
gotas escorrendo
no polyban do banheiro
abres chuveiro
na procura de jorro de água
para irrigar teus seios
teu ventre ardente...
cascata de vapor te alivia
sabonete te perfuma
no ensaboar pela fenda
de espuma...
te vem à mente retalhos
de imagens
guardadas nas células
teus dedos esguios acariciam
lábios de prazer...
sorris levemente...nos olhos
semicerrados imagens mudam
rapidamente para o instante
do escarlate jasmim que
desenhaste sobre mim
no jogo erótico que tempo
sobre tempo ansiamos...
agora...na tépida corrente
que escorre de filtros da mente
aos seios do ventre...
buscas no registo de teus sentidos
a marca do prazer que teu indicador
pode fazer
para suprir minha ausência e
abafar teu calor.

emilio casanova
África...África
não tens dias...
milénios...sim
história...sangue...
lágrimas...
cruzam teus tempos
de modernos a 
arcaicos...
vida e morte
circulam em ti
ricos e pobres
comem-te...
usam-te sem par
e tu sempre a dar
a dar...
até quando...até quando.

Joaquim Vairinhos


A noite trepava nas dunas.
No céu lunar de cal
batia um mar à porta
num sul azul de pétala,
abri os olhos para ouvir
minha memória em sono
amordaçado
arrastado em declínio 
esquecimento.
Calor escorria na pele
de lençol e,
este desejo latindo
magoando um corpo sem
lugar e
o mar cantava na soleira da porta
eu não dormia e, tu não vinhas.
O mármore da lua quebrava-se
no espelho do mar
que dançava nos degraus
da soleira da porta e,
eu não dormia...tu não vinhas.

emílio casanova
Cinzas de lumes brandos
reaparecem 
na terra verde antes florida,
cobrem mentes
levadas pelos ventos
que passam
nas memórias arquivadas,
presentes, 
em movimentos de voos rasantes
de abutres sempre atentos.
São cinzentos
pseudo ilustres
os falcões
que despem nossas esperanças
no reacender das chamas
da liberdade
que se anseia sempre presente.


emílio casanova
Angústia não tem porta
angústia invade
angústia não se importa
se faz doer
magoar
ela é angústia
arma dos fracos sem 
argumentos
que massacram em todos
os momentos
os que buscam a paz
a ternura
o entendimento
a harmonia...
combate-se a angústia
fortalecendo...sentimentos.

emílio casanova
Quarto de casa
apresenta-se branco
negro branco
num retângulo de cantos
alegres desavindos
mira espelho
paisagem
numa pintura deformada
de margem para margem
espreitam janelas
pardas
de verde fosco escorrente
esfriam memórias
em tempos circunstantes
fenece a lentidão dos dias
apascentando melros de negra alvura
nas tardes soalheiras
contradizendo calendas
d'épocas vividas.

emílio casanova