Um Sítio...Joaquim Vairinhos

Um Sítio...Joaquim Vairinhos
Poesia e Prosa

segunda-feira, 21 de outubro de 2013


Como apetece balançar
meus pés
dentro de teu bojo 
gasto por longas
fadigas

sentir na pele
as doces maresias
salgadas
nos suores noturnos
de músculos
tendões e sonos
de pescadores

viajar na maré
azul do teu casco
desbotado
pelas garças brancas
inquilinas
de tuas tardes de
sol

descansar
meu pensamento
ferido
pela crueldade
desse burburinho
aterrador
de fim de tarde
da nossa cidade

bela chata azul
da ilha

minha vizinha.

Joaquim Vairinhos, in "Diário da Ilha de Paquetá, Rio de Janeiro"

sábado, 19 de outubro de 2013

Beijos
quentes para o teu dia
vejo-me
com minha face entre teus seios
mornos
sedosos...acariciadores...
sinto-me subindo suas encostas
docemente
demoro a subida
saboreando odores
regresso ao vale dos encantos
com o prazer na mente
não me canso de subir
e descer
em tão formoso romance
ansioso momento de chegar
ao cume dos sentidos
envolvido no sopro dos teus ais
que me cerram cílios
para poder saborear
nos olhos
na pele
todo o gosto que passa
pelos lábios... pela boca...
pela língua
pelos dentes
leve sono atravessa sombras
na paragem anunciadora
de novos caminhos
por nós desejados
queridos
desaguam em oceanos de paraísos
envolvidos num delta
verdejante de esperança
em simbiose de encantamento
como será bom este despertar
este começar o dia
nesta sempre doce e maravilhosa
magia
que é o amor...

assim Picasso desenhou beijos mornos.

Joaquim Vairinhos

um sábado de esperança

estou em vila moura
olhando as bagas da chuva

ouvindo sua melodia
em janelas de vidro

água sentida
derramada na terra

folhas em plantas de nuvens
escorregam para o mar

banham rios e lagoas
inunda consciências

neste meu acordar.
daqui não saio...

JV, 19.10.13

sábado, 12 de outubro de 2013



Beijo o sonho que pode esmorecer
escondido na sombra da noite

espera é única certeza
doce será o dia do encontro

talvez num Verão
a ver o sol se deitar com sua amada

na boca da praia costas na areia
olhos no recorte dos céus

sentir a sereia
beijar as ondas dos lábios

navegar ao ritmo da brisa
correr no sangue as lembranças

imagens de coxas e tranças
prendem…atam …desatam…enrolam

brisa de palavras em ponte
de lá para cá de lado nenhum

esperança nesse vai vem eterno
de colunas amarradas ao sublime prazer de ler

imaginar o que seria fazer acontecer
sem perder a fé num encontro

que dia vai ser o sonho
que noite teima em não acordar…

Joaquim Vairinhos, in "Na Espuma das Palavras".