Um Sítio...Joaquim Vairinhos

Um Sítio...Joaquim Vairinhos
Poesia e Prosa

terça-feira, 29 de janeiro de 2013


olho teu corpo alvo
sobressaindo relaxado
nos contornos do lençol

faz-se ternura amarrotada

no sol do meu olhar
perpassa a alegria da festa
ensaiada na tempestade
da tarde do nosso encontro
despido na pressa
quando a frescura do sol
soltou naquela cama
todas as chamas

vestes a roupa tirada do chão
na ternura dos gestos
de quem saiu da solidão

emilio casanova, in "15+10 Poemas para Ti"

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013



bloco 3

nada previa que confusão
e pancadaria
pudesse acontecer
agora que penélope 
no colo de seu ulisses
curtia um chopinho
bem agarradinha
no bar da esquina
da real grandeza
onde fora fazer pipi
sim...
porque pipi é tragédia
carnavalesca da folia
do pula dança
bebe e
bebe mais um...

ela e outros dois mil
encontraram-se naquela rua
neste domingo cinzento
disfarçado de inverno
na busca do divertimento
num enredo engraçado
batizado de pecados

como adorava aquele
bloco da calma calma sua piranha
nas fantasias de políticos
super heróis

e seu ulisses acabadinho
de conhecer com uns lábios
grossos a saber
a saber...
ah...como ele a agarrava
talvez com medo da perder
naquele cruzamento
de corpos onde são demais
os super heróis com
calcanhares de mijo
a feder...

banheiros não existem
por ali
carnaval também é assim...

emilio casanova, 27/01/2013

bloco 2

no rio o tempo é de férias 
com muitas sementes de chuvas,
quase sempre ao fim da tarde 
quando a noite invade a cidade
na rotina dos dias hoje nevoeiro 
mergulha nas nuvens
invadindo as ruas 
molhando as árvores
refrescando os parques
noite de lua cheia
recolhida que nem assoma
nas esquinas de ipanema
empurrada por ali
contra paredes ajardinadas
penélope abraça homero
beijando arlequim
na muvuca da alegria
do bloco simpatia é quase amor
amanhã domingo já está preparada
para na real grandeza
avançar de afrodite na
calma, calma sua piranha
no botafogo em programa,
pelas treze horas da tarde.

emilio casanova, 26/01/2013

bloco 1

entre coqueiros e flamboians 
encontrei penélope sorrindo com ar gaiato
vestida de branco corria apressada
tinha um saco pelas costas
levava frutos perfumes e camisinhas
uma skoll brilhava reluzente nos raios do sol
por nada podia perder o bloco das "malvadas"
que estava para acontecer
samba e pagode dançavam na sua mente
escorriam pelos seus pés
a banda passava no ar carregando carnaval
por tudo queria a alegria agora era o que mais queria...

emilio casanova, 26/01/2013


ulisses

...e quem sabe penélope :
uma rosa no cabelo ou um bem me quer
nos lábios me ajude a conhecer !!!

...talvez aquele perfume que o amor exala
me ajude a encontrá-la !!!

...ou aquele olhar de ternura...
me indique o caminho a seguir !!!

emilio casanova, 27/01/2013
ilustração:Magritte
porque marilyn não amou pessoa

ela não sabia
nem podia imaginar
o que fazia despertar nele
se soubesse deveria tentar
amar aquele homem discreto
às vezes ausente
não porque ele o quisesse
parecer
era assim sua índole
afastado reservado
mas dentro dele
era um vulcão
em ebulição por aquela
mulher que nada fazia
para corresponder :
nem sorriso nem olhar
de desprezo sequer
nem cumprimento
pensar não resolvia
era preciso atuar
assim um dia
abordou a senhora
com bons modos
e delicadas maneiras
ao qual ela correspondeu
sem descortesia
referindo-lhe simplesmente
com verdade
que o amor não escolhe
quem amar
ela não tinha por ele
sentimento e nada
servia tentar porque
o amor quando se tem
por alguém é dádiva
que se deve guardar
cuidar e enriquece
quando se é
correspondido

e, assim fernando em pessoa
não amou mais ninguém...

teria sido assim ?


joaquim vairinhos

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013


Quanta saudade
como é grande a vontade
de encontrar braços teus

vem meu bem
caminha para mim
estou sozinha
guardando pensamentos
nos lábios meus

tenho os olhos cansados
de procurar esperando
teu olhar chegar

você faz-me acreditar
no amor sem dor
como nunca fez alguém

por isso cada vez mais
sem você
não sou ninguém

vem amor vem

emilio casanova, Só & Cia"
ilustração : lichtenstein

quando olho tua foto
meus dedos ajeitam teus cabelos
docemente
meus olhos admiram as curvas suaves do teu rosto
com meus dedos suaves
passo pelos teus lábios
com meiguice
aperto carinhoso
tua face
beijo teus lábios
lentamente
aspirando tua alma
para eternizar o momento.

emilio casanova

Tu...tu...sim

Na minha ilha de Ítaca 
sem Penélope
só...
com muito amor reservado
como tesouro
escondido...segredado...
guardado...

aguardo
tuas colunas alvas
no espelho das águas
calmas da baía
esperando o milagre
de te encontrar
naquelas noites de agosto
onde o luar vem ter
connosco
para nos abraçar
nos seduzir
bem na bordinha do mar
na suave almofada
de areia
que afaga corpos
ansiosos...
ofegantes...
refrescados pela suave
brisa da alma do vento
que seduz os amantes...

aguardo
sabendo que numa noite
chegarás
que importa o tempo
simples suspiro
de momentos
na eterna infinitude
da existência...

virás
sinto tua permanência
porque estás
vives
alimentas
este corpo
casa tua em união
com os espíritos
dos raios do sol
das nervuras das folhas
nas copas verdes
cinzentas
das irmãs vigias
das águas
em frondosas companhias

chegarás
para o festim
de nossos corpos
eu em ti

tu...tu...sim !

emílio casanova, in "No jardim dos deuses"


como são esbeltas as folhas secas
em seus tons de terra amarela de sol
no gris dos dias da mãe d'água
recolho bênção das saudades queridas
tintas que pintaram passado não desbotam
nem arco-íris se lava nas gotas

alma alheia é minha irmã
é minha amiga minha amante
ela também sou eu na primavera
onde tudo começa


joaquim vairinhos, 25/01/2013

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013


Cura de Schopenhauer

Não ter projetos...
não ter aspirações...
não ter esperanças...

estar satisfeito :
com seu quinhão
aceitar o que o mundo
lhe concede no intervalo
entre um nascer de sol
e outro...

viver assim
querendo nada
como schopenhauer
sem desejos
sem amores
para ser livre

penso mínimo
não fumo
não bebo
restaurantes não vou

sem televisão
sem rádio
sem computador

terei depressão

vontade de deitar no lixo
telemóvel

sentei-me
procurando um caminho
para continuar :

na busca de salvação ?
numa sólida relação ?
no amor ?
na compreensão das diferenças ?

no querer conhecer
meus limites...

entrei pelo livro dentro
ficando cercado
por palavras e frases
que me isolaram
de tudo nada
que me rodeava

joaquim vairinhos, in "Só & Cia"

quando permitiste 
que entrasse no teu olhar
soube 
que a caminhada
no teu inverso
iria ficar inscrita
nos meus versos
não em folhas de papel
com tinta vulgar

gravados sim
com doces murmúrios
de mel

emilio casanova, in "15+5 Poemas para Ti"
ilustração : Marc Chagall

terça-feira, 22 de janeiro de 2013



de ti para ti

tu estavas à minha espera
para jantar
e eu não mais conseguia lá chegar 

ia atrasar-me

porque: ainda tinha de ir tomar banho
por-me bonita para ti
para mim...

havia sempre algo
alguém...
que travava meu caminho
agarrando meu tempo

mais uma vez
olhei a sintonia
apressada do relógio

não te queria perder
pelo caminho

mas o sonho não parava
arrastava-se
para pesadelo...

nisto um volte face

a sorte mudou:
fui acordada pela chamada
estridente de telemóvel

minha filha mais velha
sofia a minha salvadora
de pesadelos
chegou

ainda a tempo
de ver teu sorriso
iluminado pelas velas
da mesa

emilio casanov

Suave e delicado joelho
daquela bela rapariga
resta divinal
naquele horizonte novo
onde tempo se recolhe
reverenciando
a forma do rendilhado
da folhagem embebida
no espaço sem cor.
A tarde parou seus braços
desligada do matraquear
da velha barca navegante
de sopros deslizantes.
Há um sedoso e fresco
ar naquela janela
onde quadro de nobres
formas e tintas
desafiam magistrais pintores.
Quem é ela aquela pérola
de ourivesaria humana
em recanto abrigada
navegando em anseios
luminosos na figura
volátill de ágeis dedos
em consonância com
suas belas pernas
presas em calcanhares
calçados ?
Como são poderosos
os murmúrios
da mãe natureza.

joaquim vairinhos, "So & Cia"


Cala
não digas nada
ouve como se fez
silêncio

amor chega assim
de repente
sem ruído

doce 
docemente
vem mexer
com a gente
em segredo
na poesia da vida

cala
deixa o silêncio
crescer
virar palavra
na intimidade
dos dias

ouvirás :
meu amor...

emilio casanova, in "15+4 Poemas para Ti"

terça-feira, 15 de janeiro de 2013



Fui ser feliz e
não volto,
muito bom

e viver na Lua
o melhor

somos vizinhos
eu e tu,
ainda não nos encontrámos

vives na parte brilhante

vivo naquele lado
com vista para as estrelas
às vezes venho apanhar um pouco de sol
mas nunca te vi

será que vives mais a sul
e não tens norte
mas sim muita luz
muitas estrelas
para sempre sorrir

será quando ando
por ali
que estás a sonhar,

e por isso nunca te vi

sabes,
gostaria de te encontrar

na lua,
ou em qualquer lugar.

emilio casanova, in "No jardim dos deuses"

mas é verdade...meu amor
o que é um simples oceano

uma gotinha de água

nem isso
é muito menos
no espaço
donde viemos

sem medidas...
sem limites...

o que vejo é pouco
a imensidão
é aquilo que não vejo

o que sinto e penso
é todo o universo
a que pertenço

onde enlaço
incorporo
penetro
entranho
conheço

sou e não sou...
porque : existo não existindo

vendo o que não alcanço
com olhos do meu eu
que me parece o outro
que desconheço...

fala-me de mim...meu amor

joaquim vairinhos, in "15 Poemas para Ti"


Ela era pesada
disforme
mal vestida
anafada
mal arranjada

era gorda e feia

em dona marta
favela intervencionada
morava

botafogo era ali

tez branca
nuns olhos verdes
pintados sem tinta
parecia santa às vezes

tinha um sorriso lindo
num olhar ardente
por onde passavam
oceanos de estórias
que atirava à minha
história
em dias de conversa
de perdição...

de angola contava
lendas
das terras da lunda
ao namibe


chegara aqui
de procuração
pelo português antónio
que a trouxe
pela mão

botafogo era ali

como era bela
a Mónica feia
gorda
que vendia livros
usados
flores em primeira mão
que antónio carregava
para a banca da estação

ontem fez sol
ontem fiquei triste
ontem ela
a gorda feia partiu
já não mora ali

da favela dona marta
mudou-se para s.joão
terra de todos
que
de partida vão

vi
aprendi
saudosamente
com ela
na grandeza de sua alma
que feiúra e beleza
coexistem na harmonia
na cara coroa
da duplicidade do universo
presente na natureza

abracei António
no sortilégio das lágrimas
que pacificam consciências
naquele lugar
de exauridas existências.

emilio casanova, in "No jardim dos deuses"




07.00 h
patos voando sobre o centro da cidade

patos voando
sobre o centro da cidade
no confronto com imóveis
estáticos que arranham
os céus...

rápidos...
céleres de movimentos
em formatura de flecha
navegam na simplicidade
dos que buscam a paz do
silêncio...
na ilha verde

borboletas bruxas
escuras de negro
esmagam-se
em passadeiras apressadas
repletas de cidadãos
na dureza das pedras
pintadas...
monocórdicas unicolores

vibram espelhos
brilhantes de raios de sol
há pouco acordados
e já destilando frio
condicionado

como são sábios
os patos
que navegam em flecha
sobre o centro da cidade

procuram na ilha verde
sua felicidade

emilio casanova, in "tanta coisa para dizer"

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013


...as pontas em pontos..................

...são as pontas com que te coso...
que te amarro................................

pontos e mais pontos 
com beijos infinitos 
enlaçados em cada ponta
............
que desespero
que quero.................

que me amarras
e eu a ti...também.........
.....................................
num querer
querendo
na crença
em harmonia
da esperança
de chegar a noite
ligada no dia
para te ter
como a cria da cotovia
aninhada
sem fome
sem nostalgia
como se tempo
fosse nada
nas manhãs
de sóis
passantes
nas ansiedades
de famintos viajantes
perseguidos
por sonhos
renovadores
....................

emilio casanova, in "15 Poemas para Ti".


soltas-me a poesia...linda cotovia
sai pelos poros
pelos nós
de corpo seco

no vácuo da existência 
com inteligência 
ausente
para o compreender

havia mar 
amassado
na solidão
daquele ovo
solar
que circula
dias meses

na barriga da lua

onde se acolhe
instinto
ancestral
e se proclama
tu és minha
e tua

emilio casanova, in "15 Poemas para Ti"



óleo branco...bem quente
na mesa sagrada
com toalha branca de lençol
num cálice morno 
aos aromas silvestres
banqueteias-te 
como deus profano
um baco
nas margens sem fronteiras
sem limites
o infinito
nas essências divinas
duma eternidade
amo
ventre maternal
onde se retorna
na taça cristalina
vertendo humanidade

e assim continua
esse segredo conhecido
da fertilidade

emilio casanova, in "15 Poemas para Ti"

terça-feira, 8 de janeiro de 2013


E do silêncio fez-se corpo
imaginação absorve
alvas dobras de lençol

minha boca era a tua
naquele beijo
ansiosamente desejado

eram verdes os diamantes
em olhos de estrelas
sorridentes
no escuro do universo

eram alvas as madrugadas
no rosa lençol voador
onde alcançavas
os sons da montanha
em picos de himalaias

mãos restaram cheias

emilio casanova, in " No jardim dos deuses"

nas curvas alvas de teus seios
navego minha paixão

na reta que os separa
atraco meus anseios
fervo na imaginação

provocam-me...

contudo é na linha entre seios
que transbordo
de desejos

alvos...morenos...
que interessa
são eles...são eles...
de permeio
que me levam
em rasgos de audácia...
a teus devaneios.

emilio casanova, in "15 Poemas para Ti"

o vestido que nunca me deste

quis contigo partilhar a ideia da partida
num entendimento de harmonia
convencido que aceitarias
se propus foi por tua postura
ao longo de anos meses e dias
contrariando sol nascente
fingindo quarto minguante
aflição esta circunstância de vida
retorquiste enfastiada : partir para quê
não serve de nada e assim me atiraste
na face ofertas da noite de natal :
esqueces o perfume boss
a camisa ralph o romance cinzento
tudo do que está na moda
de ti aguardo vestido que não chega
esperas os saldos partires para quê
podes partir para bem de meus pecados
agora eu em harmonia consentir
não está nos meus predicados

joaquim vairinhos, in "No jardim dos deuses"


e, anda-se 
entroikado neste buraco
em que nos metemos

será sina será fado
coisa boa não é certamente
que o diga o desempregado
palavra segunda gasta
na estatística do inquérito

se a análise for correta
temos em en troika (a)do
o pagamento do ordenado
da troika que nunca é falado

temos o ado do empregado
que cada vez mais desejado
e no en pode ser enviesado
pensa-se em emigrar
acredito que virá subsídio
para esse desiderato já que
o projeto entroikado na toca
é desempregado manual
na obra barata

penso às vezes arrendar
um terreno em Marte para me
livrar do gasparov do rabitt
ou refugiar-me no cavaquistão

onde não há troika que chegue

joaquim vairinhos, in "Tanta coisa para dizer"


solidão

viu as estrelas irem embora
noite afasta-se
aguardou na insónia
a presença
lembranças abraçou
como pedras na garganta
em lágrimas de cachoeira
banhou dúvidas
tormentas
nas mãos suadas
de gélidas surpresas
oh, como está sozinha
e triste aqui
nesta casa que já foi ninho
de seus sucessos
mas todos foram
os mais novos já não a olham
os mais velhos já a esqueceram
quem se lembrará então ?

joaquim vairinhos, in "Tanta coisa para dizer"


no coser das pontas
está a virtude
ela tece
navegando nele
pontando estrelas
une seu rosto
num beijo
ardente
como são estranhos
desígnios infinitos
que abraçam
desejos universais
em renascimento

emilio casanova



"...entre palavras...no silêncio...construo sabedoria...
...talvez um dia...minhas palavras e silêncios...sejam sabedoria..."

emilio casanova

Sem perdão

Creme desliza doce leitoso
envolvente
pelas belas curvas de suas pernas
escorrendo entre dedos como carícias
sua mente fervilha
lampejos assomam desabridos
aos olhos com brilhos de raiva
hum, em minha casa
convido-te para nos encontrarmos
em tua casa
como era tamanha a desfaçatez
de quem no primeiro dia do ano
saiu
me abandonou
sei que aprendi muito com ele :
sou mais tolerante mais paciente
deixei de tanto errar
cresci
fez de mim outra mulher
hoje sei para onde vou
aprendi minha direção
ensinou-me a voar com precisão
por isso não
convidar-me para minha casa
agora não Mireille
essa não tem perdão

joaquim vairinhos, in "Tanta coisa para dizer"

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013



No vácuo da vida excluída
pelas sombras da morte
desfiladeiros emboscados na
corrente fluída 
combatem invencível força
que nos mata
dias permanentes da partida.

Marcha contínua inexorável
de ausentes.Sei
que se perfilam por instantes
em nossas mentes.

Dor em espinha
na galopante cavalgada
que nos levará ao nada ?

Dos arquitetos fica
a memória. A obra amassada
em bancos de sabedoria
restará como vitória
num abraço de sempre.

...a meus amigos Vasco Massapina
e Marques Júnior...

joaquim vairinhos



prepara a ceia
sem receita do chefe
usa ingredientes
de memória
vivida por sua avó
sem frango sem peixe
sem lombo

do pão duro amassado
em tristeza
tira a massa do trigo
em potência de vil
pobreza

mergulha nas lágrimas
de água
junta passas
daquelas dos algarves
que desmaiam das 
figueiras ou das vinhas
de areias

na fome da ceia
adormece
passando em cinza
restos de 2012

joaquim vairinhos, in "Tanta coisa para dizer

Philip Glass - The Kiss (HD)

Ravi Shankar & Philip Glass - Meetings Along The Edge!