Um Sítio...Joaquim Vairinhos

Um Sítio...Joaquim Vairinhos
Poesia e Prosa

segunda-feira, 30 de julho de 2012

O pão nosso de cada dia
no Dia...dos acontecimentos 
diários do nosso
descontentamento...
em tiros derramados
por fuzis furiosos
nos minutos da madrugada
em pleno morro da Coroa...
no tio bandido
estuprador assassino
confiscante da alegria
dos poucos anos
de viver da menina
moça...
nas nuas da rua
contra proibir por proibir
donas de si...
na presidenta feliz
pela escola do samba
que abafa a abertura
de 2016...
na varrição de 400 milhões
do lixo carioca
que escorre pelas ruas
da cidade património
da humanidade...
no caos do mengão
em quatro pelos paulistanos...
da alegria que marca
a seleção se Neymar
marca...
no ouro que brilha nos
olhos dourados dos heróis
dos olimpícos estádios...
mais um dia.

emílio casanova,

Seu mané...
você pensa
que mulher é fogão e,
cama...
né não...
mulher é igual a ti
canastrão.

emílio casanova, in "A Alma das Palavras"
No tempo que sou
alimento a esperança
do que quero,
cresço com ele
quando sei
para onde vou
e quero ir...Sempre vivi 
na esperança do meu 
tempo
do meu espaço,
construindo na sua
pele
meus projetos
meus anseios
meus sonhos.
Dei liberdade ao meu
tempo...
dei liberdade ao meu
espaço...
por isso, resto prisioneiro
de suas vontades
sem eles
nunca...mesmo
nunca...
satisfaria minhas vontades.

emílio casanova, in "A Alma das Palavras"...(Lei do Direito Autoral)

sábado, 28 de julho de 2012

                                         Santana...Rua do Ouvidor....Centro do Rio.


Abraço a espuma branca
cansada do mar
que me beija docemente
deixando marcas brancas
na minha face
em símbolos de paz.
Brilham estrelas 
nos meus olhos
passageiros do universo
viajantes sem fim.
É no mar que encontro
meu regaço
e mergulho na imensidão
do espaço
em busca de mim...


Joaquim Vairinhos, in "A Alma das Palavras"

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Adoro
doce de teus beijos 
quero sugar-te como 
tangerina 
mel canela framboesa 
sentir escorrer meu desejo 
pelos lábios
nos cantos da boca 
pingar nos seios 
desaguar no ventre
fazer subir na mente
devaneios
tolhidos em corpo
ardente...

emilio casanova, in "Amor de Maria"

Além de meu tesouro... 
És meu arquivo... 
És minha memória... 
Cavalgas minhas veias 
nas artérias de meus 
sentidos 
és minha arca 
onde guardo meus 
secretos desejos 
és orquídea florida 
no deserto de minha 
vida 
és nuvem que não 
quero 
passageira 
és colibri 
que me escolheu 
para teu amor 
és chuva na terra 
agreste 
és semente no outono 
flor e grão no verão 
és minha real quimera 
para guardar 
em todas as primaveras...


emilio casanova, in "Amor de Maria" (Lei de Direito Autoral...9610/98)

quinta-feira, 26 de julho de 2012


..Amanhecer na Ilha de Paquetá !!!

   ...A neblina da Ilha de Paquetá, Baía da Guanabara, Rio de Janeiro.
Graça

Noite sem prazer foi tua
retida horas e horas
duraste longa espera nela.

Não importa que bebas ou sorrias
mostres o sol no olhar durante o dia
numa beleza feliz e aparência sem fim
se tua vida está contida, livre
e condicionada.
Que esperada ventura aguardas
sem exteriorizares tudo que há em ti.

Quimeras de desejo afloram
nos cantos dos olhos e lábios, belos
como flores de jardim abrindo-se
para todos, e para mim.

Quem me dera, quem pudera,
ter-te mesmo assim numa eterna
Primavera.

emília casanova, in "Coisas do Coração"





sábado, 21 de julho de 2012


Insónia


No silêncio das minhas noites claras
faço longas travessias sem destino
nas esquinas escuras do meu quarto
revejo caras e corpos
uns familiares outros opacos
deformados por nunca vistos
galopam sentimentos ritmados
ao compasso do brilho dos néons iluminados
que penetram as frestas das janelas
dobras de lençol ondulam meu corpo
almofadas envolvem meu rosto
tac tic tic tac dança o tempo
noite branca sem rosto quente
que aspiras da minha insónia
angústias arrependimentos
remorsos por falta de coragem
não sabes que a humana liberdade
é prisioneira da minha mente
odeio teu poder que me impede
de adormecer.


emílio casanova, in "Coisas do Coração"



Eterno


Lagos profundos teus olhos,
cintilantes teus sorrisos...
fazem apetecer entrar neles !
Cristalino e denso teu corpo
referencio na magma terrestre
calor cósmico sol ardente
num invólucro curvo celeste,
prisioneiro.
Aspiro libertar tua alma
numa explosão emocional
que nos transporte para o canto,
recôndito do universo
numa comunhão eterna.


emílio casanova, in "Coisas do Coração"

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Quando o fogo arde
nas pedras do homem
treme a raiva
na impotência dos dias
em frágeis queixas
que nada resolvem
Quando as folhas
mirram secas e pretas
lágrimas soltam-se
em rostos cavados
por rugas de vidas na lida da terra
Quando o vento amainar
sol e calor aparecer
fumos e cheiros
se enterrarem
escombros nas almas
não esquecerão jamais
a incúria
a malvadez de espíritos
que despreveniram os
valores sagrados
de populações defender.

emílio casanova, in "A Alma das Palavras"

quarta-feira, 18 de julho de 2012


...mulher


...dia sem sol 
...dia de chuva...cinzento...triste
...surges como janela 
...aberta...sobre meus olhos
...com espírito resplandecente
...com doce e meigo olhar
...que Deus te guarde
...que te saibam amar
...que te saibam respeitar
...que te saibam compreender
...mulher...mulher
...mulher


emilio casanova, in "No Jardim dos Deuses"

terça-feira, 17 de julho de 2012


Vou...
sou um livro
meio aberto...
meio fechado...nele me inscrevo...
nele soletro...nele tropeço...
nele voo...nele poiso...
nele guardo meus delírios...e,
sendo o meu melhor livro...
você não me quer...
que fazer...só partir
outra musa...outra musa
descobrir...

emílio casanova, in "No Jardim dos Deuses"

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Avançando na chuva
nesta noite de frio inverno
caminho apressado
sem destino certo...
interrogo-me se vou sozinho,
na pressa, 
para não me molhar
balbucio palavras em surdina
chamando minha consciência 
para companhia...
um vento arrastado de folhas
e troncos faz também seu caminho
iluminado por raios faiscantes
que não sei se nascem da terra
se do céu...
dilúvio na cidade
agruras nas calçadas avenidas
e ruas...
tudo brilha e reluz na sinfonia
natural de deuses divertidos
habituados por ver humanos
sofrer,
na perversão mágica do poder
dos governantes
que frio a frio
chuva a chuva inverno a inverno
se aliviam com a certeza
do vai passar...
pensamento em pensamento
reflexão em reflexão
num solilóquio hamletiano
vou-me interrogando
no ser ou não ser...
será mais ridículo sofrer
o vexame
da diversão dos deuses
ou a incúria dos homens ofuscados
pela futilidade do prazer do poder.

emílio casanova, in "A Alma das Palavras"
Vou...
sou um livro 
meio aberto... 
meio fechado...nele me inscrevo...
nele soletro...nele tropeço...
nele voo...nele poiso...
nele guardo meus delírios...e,
sendo o meu melhor livro...
você não me quer...
que fazer...só partir
outra musa...outra musa
descobrir...

emílio casanova, in "No Jardim dos Deuses"
"Os livros não matam a fome, 
não suprimem a miséria, 
não acabam com as desigualdades 
e com as injustiças do mundo, 
mas consolam as almas, 
e fazem nos sonhar. "
Olavo Bilac


(Não só Olavo Bilac
Através dos livros...
de suas leituras...
fico mais forte...
mais preparado para matar a fome...
para suprimir a miséria...
para lutar contra as desigualdades...
e combater as injustiças...
e por isso...
ser cidadão inteiro...e,
denunciar aqueles que nos exploram !)

emílio casanova, in "A alma das palavras"
Quando minhas flores explodiram
voei com elas
no meio do turbilhão
imagens raras
vi
aromas únicos
cheirei
suas pétalas
comi
sabores deliciosos
me invadiram...

adorei
estar em ti.

emilio casanova, in "No Jardim dos Deuses"

domingo, 15 de julho de 2012

Vou navegar
partir para o mar na busca
da minha musa...

Vou sem destino
por qualquer caminho...

Preciso de descansar
da poesia...
que me escraviza
ao longo do dia...

Vou aproveitar
agora que minha musa
à costa foi dar,
talvez para me libertar.

emílio casanova, in "No Jardim dos Deuses"

Hoje deu à costa
enrolada na espuma do mar
minha musa bela
tinha-a bem guardada
no fundo da minha alma
onde ela me alimentava
com belos versos
que eu escrevia
agora, não sei que fazer
se alguém a encontrar
não fique com ela
venha-me dizer...
obrigado.


emílio casanova, in "No Jardim dos Deuses"
Na hora treze do ritmo dia
veias e artérias amassadas
sofrem por nadas
passos cruzados crescem
deambulam na diagonal zero
numa vital caminhada
em centro capital
lista pregão penetra na retina
em via direta aos aromas
dum programa festivo
de económico executivo
com reais reduzidos
em quantidade diet
sopra entediado garçon.
Sinto chamamento de células
precárias.
Entro no redondel de carnes feitas
em mesa única com forma de u
manjedoura universal moderna
de pretensão comunitária bacoca
que coloca frente a frente
olhos em bocas mascadas
desconhecidas
em permanentes miradas
furtivas
do nosso descontentamento.

emílio casanova, in "as pedras das palavras"

sábado, 14 de julho de 2012


Quebradas as pedras do vulcão
ficaram ruínas mirradas
negras...secas
como carvão...
Que restou ?
Trigo em pão
não...
Calor em raio de sol
não...
Romance na maré de lua cheia
não...
Ficou a cara e a coroa
do amor ódio
em ilusão...
Amanhã apesar do ódio
será um novo dia...
e noutro dia...
novo coração...apesar de você !!!

emilio casanova, in "A alma das palavras"


Quando o cristal estalou
teu cálice, como adormecido
não percebeu...
fino como o vidro
teu coração quebrou
se partiu.
Fui...
e, desta vez é de vez
posso ainda me interrogar
o que você me fez
mas, agora que interessa
se o vinho derramou,
nosso caminho
cheio de vidros ficou...
e por ele jamais ...
vou.


emilio casanova, in " A alma das palavras"

quarta-feira, 11 de julho de 2012


Num vento manso 
descoberto
num intervalo do meu tempo
misturei beijos e abraços
enlaçados em molhos
na esperança 
de que passem pelos teus 
olhos
acariciem tua face
apertem curvas de teu
corpo 
mansa e docemente 
na suavidade de doces
brisas acariciadoras ...e, se essa for tua vontade
se transforme
num grandioso vendaval
em rodopios de amoroso
ciclone.


emílio casanova, in "Nos jardins dos deuses".

terça-feira, 10 de julho de 2012

Na terra das cigarras cantantes
faz-se tarde
noite aproxima-se em largas
braçadas
crianças regressam do trabalho
ardente
espera-os côdea amassada
na água da fonte
Julho navega a meio
em pleno diurno, ar seca
torsos em aéreo escaldante
cigarras prolongam dia em noite
num serão nas margens
das árvores.
Está triste e pobre o meu
país.

emílio casanova, in "as pedras das palavras"
NA CARNE A TERRA MÃE
NO SUOR A CHUVA
NA SEMENTE...O REGO E O ARADO...
DE NOSSOS CORPOS
NA INTENSIDADE DE RELÂMPAGOS...
NOSSOS ORGASMOS
NA DOCE CANSEIRA...O PRAZER
NO DESCANSO...O SUBLIME ENCONTRO

emilio casanova, "No jardim dos deuses"
Quando a natureza floresce
surgem flores belas...

Fazes parte do meu universo
onde teço minha natureza,
é contigo que floresço
cresço
não murcho 
não desapareço...

Na harmonia da beleza
purifico minha alegria.

Unidos florescemos e,
perfumamos nossas vidas ...

emílio casanova, in "No jardim dos deuses "

domingo, 8 de julho de 2012

Quando retalhos do céu
caem sobre nossas cabeças
mesmo, mais ou menos católicos
duvidamos
que nos atinjam.
Quando o sol nasce
ainda, mais ou menos católicos
acreditamos que é para todos.
Quando o estado de direito
ainda existe
acreditamos que a democracia
a constituição e seu respeito
é para todos.
Quando os guardiões desses
insubstituíveis e incontornáveis
valores
baixam a guarda e se juntam
aos usurpadores
que devemos fazer ?
Não curvar !
Não calar !
Lutar !
Denunciar !

Joaquim Vairinhos, in "as pedras das palavras"

sexta-feira, 6 de julho de 2012


I miss you Algarve...
preciso de ti...
Vilamoura...praia da Marina...
praia da Falésia....
todas tuas praias...
do mar ...até à serra...
adoro as praias do barrrocal....
com suas ondas verdes...
as conchas brancas das suas casas...
mariscos das suas árvores...
algas de suas flores silvestres...
e, aquele silêncio do pôr do sol...
entre montes...escondidos nas sombras...
onde equilibro minha alma...
elevo meu espírito...
cultivo minha paz...
na solidão... calma.

joaquim vairinhos, in "No jantar dos deuses"

Fiz de tua estrela
a mais bela pipa do universo
liguei a ela meu coração
por um fio de cadarço,
subindo...descendo 
em evolução...
cruzámos o espaço
desafiámos ventos e marés
navegámos a contento
do tempo
que conquistámos,
agora...quebrado o laço
na fragilidade
do baraço...
caídos os braços
refugiámo-nos em desafios
para outros braços,
cadarços
laços
que nos levam
à magia simples d'outro
amor...

emílio casanova, in "No jantar dos deuses"

Tenho sempre presente
bem no fundo
de meus olhos
teus olhos presentes...
Tenho sempre presente
bem no fundo
de meu coração
batidas de coração teu...
Que este bom dia teu
passe
no bom dia meu...

Que meu beijo
se dissolva no teu.

Emílio Casanova, in "No jantar dos deuses"

terça-feira, 3 de julho de 2012

Acordar do sonho 
estremunhado
pisando tempo de encontro
frustrado

nem dia nem sol brilha...

só sorriso dos teus olhos
em foto plasmado
abre portas para o sol

como é lindo o acordar
e ver o dia pelo teu olhar

emílio casanova, in "No jantar dos deuses"

Na massa orgânica que nos suporta
que nos movimenta
que nos alimenta
de que matéria somos feitos ?
Qual a plumagem e que penas
cobrem o interior do nosso espírito ?
Como se usam as asas
que suportam nossa liberdade...
Do conhece-te a ti próprio
à sabedoria do silêncio
todos somos capazes
de construir nosso casulo
no desejo da esperança da metamorfose
que nos pode levar a voar...
na magia...na simplicidade...
no efémero ...


De que somos feitos ?
Porque mudamos ?
Não estaremos permanentemente
em transformação...
em conexão íntima com todos
os seres do universo...
no mundo cósmico global ?


Todos estaremos em todos
nenhum em individual
terra...sol...mar...céu
natureza...animais...
todos...e,
também tu e eu.


emílio casanova, in "No jantar dos deuses"

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Copacabana

Acordei com o sol brincando
dançando
nos meus cabelos
na cama
senti seus longos dedos matinais
primaveris
acariciando meus olhos
sonolentamente preguiçosos
bocejei.
Decididamente larguei lençóis
e almofadas
sai para a calçada mais pisada da
badalada Copacabana...
Misturei-me com cariocas
apressados
em caminhar
caminhar por caminhar
muitos sem olhar
para a beleza do mar
como formigas em carreiros humanos
rotinados autómatos.
Belas ondas do mar ali
tão perto do olhar.
Passei por Drummond eternamente
sentado...na pedra
olhando sua cidade
passei por Dorival carregando seu violão
poeta e músico
se deliciaram com curvas belas
das moças belas
da princezinha do mar...
Levantei meu olhar ao Pão d’Açúcar
invocando deuses e Iemanjá
lamentei ali a vã ilusão humana ...
quando não temos
queremos...
quando temos não vemos...

Copa bela Copacabana...
sítio
património dos humanos.

Emílio Casanova, in "Coisas do Coração"
Sofrimento...
está sempre presente
mesmo no amor mais intenso
faz parte da gente
fortalece
para as partidas do futuro,
prepara nosso corpo
espírito e mente
para as longas travessias
que a vida nos propõe...

emílio casanova, in " No jantar dos deuses"
Estou estranho...
não sei
que se passa...
desilusão quase
completa...
nada que me
cerca
me conforta...
vejo...
oiço...
tudo e nada
vejo...
o que oiço
nada me diz...
calo
insumo elementos
de meu pensamento
no egoísmo
consumista que
me anestesia...
parto
fico
resto
em humanos
restos
até quando...

fazes-me falta...

emílio casanova, in "no jantar dos deuses"