Um Sítio...Joaquim Vairinhos

Um Sítio...Joaquim Vairinhos
Poesia, Prosa e Música.

quinta-feira, 19 de julho de 2018

"E neste cheiro a podre milenário –
vale a pena se quer dizer que são
filhos da puta ?
……………………………Jorge de Sena."


Com este cheiro podre de figurantes
paridos numa democracia mirabolante,
vale a pena se quer dizer que são
filhos da puta ?
Quando os malandros
ganham sempre as guerras,
há aqueles jovens patriotas
cheirando a naftalina de armários
dum estado novo, arautos
daquela velha esperança,
vale a pena se quer dizer que são
filhos da puta ?
Quando os patriotas
que mandam os velhos morrer,
os jovens emigrar, multidões públicas
para o massacre da pobreza,
vale a pena se quer dizer que são
filhos da puta ?
Eu protesto, tu protestas, ele protesta,
e eles nada mudam
ou mudam ainda mais,
vale a pena se quer dizer que são
filhos da puta ?
Joaquim Vairinhos, (com Jorge de Sena ) de 11 de Abril de 2011.

quarta-feira, 18 de julho de 2018

Auto-retrato
Adoro ser criança
inconstante
infiel
livre
como adoro ser e não ser
estar e não estar
ahahahah !!!
ter e não ter
estar só e no meio da multidão
viajar e correr
tudo querer saber
ter intuição e
fingir não ter
como é bom não saber
o que se é
não saber o que se quer
como é bom viver
sem saber para onde se vai
sim amigo !
sou tudo isso
e mais aquilo que não sei
ahahahah !!!
sou fausto...sou mefísto
sou nu
e sou aquilo que visto
ahahahah !!!
o inferno espera por mim
serei lá bem visto
o paraíso...quer-me
não sei se vá
amigo
sou tudo isto,
e
mais aquilo que não sei.
Joaquim Vairinhos.
um suave doce no seio
onde cabe um coração
um afago terno no ventre
onde guarda semente
um toque nos lábios
onde mel fala
um carinho no joelho
onde dobras amor
um abraço na cintura
onde crias esperança
uma palavra meiga no ouvido
onde delícias começam
uma noite sem fim
ais na pele...
calor no peito...
olhos nos olhos...
mãos no corpo...
alma em espírito...
desejos na mão...
e, estrelas bebendo.
Joaquim Vairinhos.
Mestre Almada Negreiros
Tenho a idade dos oceanos
sou tão velho como a montanha
mais sábio que a romã
tão simples como a ribeira
tenho palavras como companheiras.
Conheci Pitágoras muito bem
na feira de ciganos vendi
na feira de ciganos comprei
sou livre a meio tempo
nas prisões da noite adormeci.
Falaram de mim ontem
nas praças da cidade florida
onde a amizade existe
nos circos de pedra
da fraternidade construída.
Será que existo
falaram de mim hoje
na esquina do sol de agosto
entre bagos de suor de areia
fiquei da liberdade cativo.
Joaquim Vairinhos.
Para cativar uma fada
por onde voas
não sinto teu esvoaçar
se pousas
diz-me onde vais poisar
corri vales e montes
oceanos
horizontes de estrelas
nuvens brancas
prados sem fim
florestas verdes com
flores de carmim
diz-me onde vais poisar
não te apartes de mim
agora com sol brilhando
nas terras douradas
dos mundos sem fim
não te apartes de mim
Joaquim Vairinhos, in “Era uma vez uma Fada”, Julho 2017.
Mestre Almada Negreiros.

segunda-feira, 16 de julho de 2018


Se as vozes vêm de além…não sei
isso não aquece nem arrefece os esqueletos
mas que há vozes há,
interessante !
vozes que quando seus donos fenecem
aparecem com novas sonoridades

se um ser vivo nos seus quotidianos… agita
uns conterrâneos mexem e remexem-se
com pesos de consciência na vida…a dita

será por isso que se morre ?
não…morre-se todos os dias por ser um vivo diferente
e não um morto-vivo

fartos  dos vivos mortos…a nossa tragédia,
encomendam-nos a alma ao criador com grande afinco,
na certeza da perenidade das ideias das palavras :
os diabos os carreguem !

agito-me : serei injusto neste julgamento ?

se partes menos um fica nesta luta…que serve tua voz morta,
eles a vestem na esquina com uma afeição de dono e patrão
depois de mortas todas as letras que resta : um dia,
o outro já não !

JV

domingo, 15 de julho de 2018

Quando o cristal estalou
teu cálice como adormecido
não percebeu

fino como o vidro
teu coração quebrou
se partiu

fui
e, desta vez é de vez

posso ainda interrogar
o que você me fez
mas agora que interessa
se o vinho derramou
nosso caminho
cheio de vidros ficou
e por ele jamais ...vou.

jv