Um Sítio...Joaquim Vairinhos

Um Sítio...Joaquim Vairinhos
Poesia e Prosa

terça-feira, 26 de junho de 2012


Nunca pensei escrever
mostrar que tenho outro
em mim 
transparente 
num saco opaco escondido
em toca bem guardado
disfarçado nas entranhas da mente,
é um saco com flores selvagens
multicolores,
de folhagens roxas como amoras
com louros verdes cor de abóbora.


Invasores de plaquetas
nas correntes de um sangue quente
onde correm latinos conquistadores
abertos a odores 
desempoeirados
para amores claros arrebatados
que fervem em paixões
de madrugadas
nas rosáceas coxas de eternos
femininos.


Coberto de pedras
rios e espinhos
com perfumes embriagados
sigo,
na escrita de palavras endiabradas
de vazio
na vertigem de horizontes verdes
de estio 
com talismãs de sortilégios
recuperados
de eternos passados
e, assim
aguardando sempre o florir da roseira vermelha
entre as pedras das palavras tristes
magoadas
porque não livres,
vou escrevendo.




emílio casanova, in "as pedras das palavras"

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