Um Sítio...Joaquim Vairinhos

Um Sítio...Joaquim Vairinhos
Poesia e Prosa

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

PONTE EUROPA: O pulha

O pulha.

O palhaço do Mário Crespo desapareceu do JN, na Internet, mas foi registado em vários blogs aqui e ali, levando-me a escrever «O pulha» e a imitar-lhe as ideias, o estilo e o carácter.

O pulha é um invertebrado que procura na ofensa a catarse do ódio e da frustração, que, adorando a ditadura, se serve da democracia, que molda com o esterco de que é feito os contornos dos bonecos que cria, que usa adjectivos para substituir as vértebras que lhe minguam e se antecipa a chamar aos outros o que é.

O pulha diz dos outros o que sabe de si próprio. O pulha coloca opiniões nos jornais a fingir que são notícias e é pago pela baixeza própria através das baixezas que imputa aos outros. O pulha adora que o acreditem e que as mentiras se transformem em dúvidas e as calúnias em incertezas.

O pulha é um serventuário que evita denunciar as avenças de que vive, o biltre que usa a liberdade para a atacar, que atribui aos outros o nojo que é, fazendo passar por factos as intrigas que tece e por verdades as calúnias que divulga.

O pulha é um professor dispensado da docência para insultar a mãe de um ministro ou o escriba em comissão de serviço num órgão de comunicação para corroer a democracia.

O pulha não nasce pulha. Faz-se, cresce e engorda com os detritos que bolça. Regurgita insultos criando retratos à sua imagem, acoimando de patifes os que inveja. É um filho de uma nota de cinco euros e da lascívia do acaso. O pulha é invejoso e vingativo.

O pulha vive na clandestinidade de um grupo partidário, nos meandros das máfias, nas estrebarias da insídia, aproveitando a calada da noite para arremessar a quem odeia as pedras de que se mune. Pode levar vida normal, aparecer na televisão e ter guarida num jornal; atira pedras e garante que está a ser agredido, incapaz de esquecer a sinecura que lhe negaram ou o cargo com que sonhou.

O pulha escuta os outros e diz que está a ser escutado. É um alcoviteiro e mentiroso. O pulha necessita de plateias cheias. Absolutas. O pulha é totalitário. O pulha é quem nos causa vómitos. O pulha leva-nos a descrer da democracia. O pulha escreve nos jornais e fala na televisão. O pulha torna-nos descrentes. Um pulha é sempre igual a outro pulha. E a outro. E são todos iguais. O pulha assusta porque é omnipresente e ataca sempre que pode. Seja a dar facadas nas costas dos eleitos, seja a criar ruídos de fundo, processos de intenção ou julgamentos sumários. O pulha é ruído de fundo e gosta de ser isso. E baba-se de gozo. Por narcisismo. Por ressentimento. Por ódio. Sabendo-se impune.

O pulha é um cobarde impiedoso. É sempre perverso, quando espuma ofensas ou quando ataca políticos. O pulha não tem vergonha. O pulha ouve incautos úteis e senis raivosos e tira conclusões. Depois diz que não concluiu e esconde-se atrás do que ouviu. O pulha porta-se como um labrego no jornal, como um boçal na televisão e é grosseiro nas entrevistas. O pulha é um mestre da pulhice. O pulha não tem moral. Por isso, para ele, a moral não conta. Tem a moral que lhe convém. Por isso pode defender qualquer moral. E fingir que tem moral. Ou que não a tem. O pulha faz mal aos outros. E gosta. E depois faz-se de sonso. O pulha rouba a honra que não tem e que dispensa.

O pulha é um furúnculo que há-de acabar como todo o mal. É uma metástase de um cancro que vive para corroer a democracia. É um conjunto de células malignas que se multiplicam no papel impresso e o esgoto que circula pela Internet a céu aberto.

O pulha é o talibã que fere e mata mas larga os explosivos depois de esconder o corpo. O pulha não é monárquico nem republicano, de esquerda ou de direita, ateu ou crente, é o verme que se alimenta da baba que segrega, do ódio que destila e das feridas que escarafuncha.

Um dia habituamo-nos ao pulha.

Ponte Europa / Sorumbático
posted by Carlos Esperança @ 12:01 AM

14 comentários:

  1. Parabéns ao Carlos esperança por despir completamente o personagem Pulha. Todos conhecemos um ou m uitos pulhas. Aqui está bem descrito e mostrado o retrato do pulha em geral.
    Um futuro sem pulhas é o que todos desejávamos. Mas há seres humanos que nunca mudarão. Goncinha

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  2. E se por acaso o "pulha" tem razão? Continua sendo pulha? Ou vai para a prisão?

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  3. Os pulhas safam-se sempre. Têm as costas bem acondicionadas. Geralmente não há nenhum pulha que tenha razão porque vivem dizsso mesmo. Da pulhice. O texto do Carlos esperança é uma obra de arte da escrita. Práticamente não h´+a ali mais nada para acrescentar.
    Kino

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  4. E O pULHA NÃO É DE UM CERTO PARTIDO?
    NÃO MANDA?
    QUAL É O PARTIDO?
    QUEM É DO PARTIDO?

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  5. Lamento não haver neste país de cobardes mais "pulhas" com a coragem de Mário Crespo. Os gatunos de colarinho branco estavam no lugar que mereciam: na prisão!!!

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  6. O Fim da Linha

    Mário Crespo

    Terça-feira dia 26 de Janeiro. Dia de Orçamento.

    O Primeiro-ministro José Sócrates, o Ministro de Estado Pedro Silva Pereira, o Ministro de Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão e um executivo de televisão encontraram-se à hora do almoço no restaurante de um hotel em Lisboa.

    Fui o epicentro da parte mais colérica de uma conversa claramente ouvida nas mesas em redor. Sem fazerem recato, fui publicamente referenciado como sendo mentalmente débil (“um louco”) a necessitar de (“ir para o manicómio”). Fui descrito como “um profissional impreparado”. Que injustiça. Eu, que dei aulas na Independente. A defunta alma mater de tanto saber em Portugal.

    Definiram-me como “um problema” que teria que ter “solução”. Houve, no restaurante, quem ficasse incomodado com a conversa e me tivesse feito chegar um registo. É fidedigno. Confirmei-o.

    Uma das minhas fontes para o aval da legitimidade do episódio comentou (por escrito): “(…) o PM tem qualidades e defeitos, entre os quais se inclui uma certa dificuldade para conviver com o jornalismo livre (…)”. É banal um jornalista cair no desagrado do poder. Há um grau de adversariedade que é essencial para fazer funcionar o sistema de colheita, retrato e análise da informação que circula num Estado. Sem essa dialéctica só há monólogos.

    Sem esse confronto só há Yes-Men cabeceando em redor de líderes do momento dizendo yes-coisas, seja qual for o absurdo que sejam chamados a validar. Sem contraditório os líderes ficam sem saber quem são, no meio das realidades construídas pelos bajuladores pagos. Isto é mau para qualquer sociedade. Em sociedades saudáveis os contraditórios são tidos em conta. Executivos saudáveis procuram-nos e distanciam-se dos executores acríticos venerandos e obrigados.

    Nas comunidades insalubres e nas lideranças decadentes os contraditórios são considerados ofensas, ultrajes e produtos de demência. Os críticos passam a ser “um problema” que exige “solução”. Portugal, com José Sócrates, Pedro Silva Pereira, Jorge Lacão e com o executivo de TV que os ouviu sem contraditar, tornou-se numa sociedade insalubre.

    Em 2010 o Primeiro-ministro já não tem tantos “problemas” nos media como tinha em 2009.

    O “problema” Manuela Moura Guedes desapareceu.

    O problema José Eduardo Moniz foi “solucionado”.

    O Jornal de Sexta da TVI passou a ser um jornal à sexta-feira e deixou de ser “um problema”.

    Foi-se o “problema” que era o Director do Público.

    Agora, que o “problema” Marcelo Rebelo de Sousa começou a ser resolvido na RTP, o Primeiro Ministro de Portugal, o Ministro de Estado e o Ministro dos Assuntos Parlamentares que tem a tutela da comunicação social abordam com um experiente executivo de TV, em dia de Orçamento, mais “um problema que tem que ser solucionado”. Eu.

    Que pervertido sentido de Estado. Que perigosa palhaçada.

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  7. Caro Vairinhos. Gostei de vê-lo hoje lá no nosso teatrinho feito sem grande dinheiro mas com muito amor à arte. É sempre bom ver por lá velhos amigos. Uma boa semana. Palma Clareza

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  8. É bom ler para além do C. da Manhã, Sol e Cª.
    Há bons blogs como O Jumento,A Aspirina B, o Banco Corrido, A Câmara Corporativa e muitos outros que nos podem ajudar a perceber melhor as situações vampirescas que pululam por Portugal que queremos Democratico. O Pidismo voltou. Ver gente da Esquerda do PC ou do Bloco a defender os bufos que espreitam nos cafés como nos tempos de outrora é coisa de bradar aos céus. E ainda defendem depois com base na bufaria que sejam estes assuntos tratados na Assembleia.A vergonha caíu na rua meus senhores. Cumprimentos para os visitantes deste novo blog. Goncinha

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  9. O que tantos queriam e outros temiam aconteceu. Um semanário divulga informações sobre o conteúdo de escutas incriminatórias para José Sócrates. Chama-lhe, vá-se lá saber porquê, investigação. Prepare-se para o maravilhoso mundo novo: tudo o que diga, mesmo que não seja julgado pela lei por isso, pode ser publicado. Está satisfeito? Chegará a sua vez.
    Daniel Oliveira no Expresso. Saudações democráticas num blog democrático- Julia

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  10. Será que um 1º Ministro julgado todos os dias na praça pública não pode ter opinião sobre ninguém ? Nem sequer tem direito a conversar na mesa de um Restaurante sobre o que bem entender ? Será que o 1º Ministro tem de gostar à força do Crespo ou da Guedes ? Mas que raio de invenção foi esta agora ? Houve algum pulha por aí que inventou isto ? Zeca Kit

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  11. Neste momento penso que não há jornais nacionais
    que se possam dizer afectos ao Partido Socialista. Então como é possível dizer-se que o Governo controla os meios de comunicação ? Alguém pode acreditar nisso ? Marco

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  12. Do maior crime do Século-o BPN - com os amigos do Professor Cavaco à cabeça e que o apoiaram para as Presidenciais, não se houve murmurio.
    O que interessa à nação são os robalos do amigo do Sócrates. Isso sim é assunto de interesse Nacional. J. Mendes

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  13. ‘Há algo de torpe neste alvoroço. Um ex-ministro, agora protestador grave e atroz, foi, na sombria década cavaquista, controleiro da RTP. E um dos agora acusadores da falta de liberdade era o zeloso varejeiro do noticiário. Não cauciono, de forma alguma, tentativas de domínio da imprensa pelo poder político. Mas não colaboro neste imbróglio, que tem estimulado a perda do sentido das coisas e a adulteração da verdade histórica. A reabilitação de falsos fantasmas apenas serve para se ocultar a medonha dimensão do que ocorreu na década de 80. Os saneamentos, a extinção de títulos, a substituição de direcções de jornais e a remoção de jornalistas incómodos por comissários flutuantes eram o pão nosso de cada dia. Já se esqueceram?’ escrito por Baptista Bastos

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  14. Viram a entrevista da Drª Judite de Sousa ao Dr. Noronha do Nascimento ? Quase ía engulindo o dito senhor. Lembram-se de há uns meses atrás da entrevista que ela fez à Drª Manuela Ferreira Leite ? Entre dezenas de sorrisos ainda acabou com " Foi gira não foi D. Manuela ? " E ainda dizem que o Governo controla a comunicação Social. Nem a da casa quanto mais a dos outros . Deveriam ter alguma veronha na vccara mas isso só deve habver lá para os paraísos da Liberdade como Cuba e outros parecidos. João Ratão

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