Um Sítio...Joaquim Vairinhos

Um Sítio...Joaquim Vairinhos
Poesia, Prosa e Música.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

teu nome




se lembro teu nome
esqueço meu endereço,
memórias que me deste
nas folhas escritas dum poema
que não terminaste
vagueiam entre céu e mar
naquela linha sem colina.
parti porque não mereço
esquecer tua saudade,
mastigo os versos que não acabaste
num sem tempo de harmonia.
como doem as palavras não ditas,
como ferem verdades caladas,
como são malditas as ideias
quando mergulham em vãs esperanças,
nas cores das pétalas já murchas.


emilio casanova
© Joaquim Vairinhos
(Ao abrigo direitos de Autor)


não se pode falar :
os tectos estão baixos

quantas vezes
sussurávamos

não se pode falar :
as paredes têm ouvidos

quantas vezes
nos vigiávamos

hoje, democratas
os ouvidos estão tapados

para que serve gritar



emilio casanova
© Joaquim Vairinhos
(Ao abrigo direitos de Autor)

sábado, 6 de julho de 2013

...


Somos seres animados :
há os que se movem
há os permanentes sem mudar de lugar
todos em função
ligados na rede necessária
mulher homem árvores flores
cão gato mosca macaco
com sapato chapéu vestido calças
sem sapato.
Somos ilustrações do texto
no contexto do próprio texto
construído com palavras
sinais movimentos
afectos pensamentos.
Somos vida na essência do não existir
existindo.
Viajantes infinitos correndo pelo vento
pelo sol pelo dia pela noite
na busca da aurora que acorrente
anéis da liberdade imanente.
Somos seres geminados buscando
a divindade da vida construída
na simplicidade de coexistir.

Joaquim Vairinhos

um dia no Rio



um dia no Rio...

gentileza atrai : não é assim ?

navio quando entra de manhã
no porto da cidade
velas das janelas têm outra cor
sol bate nelas chamando

gentileza atrai : não é assim ?

livros e capas coloridas
chamam a atenção
de leitores desprevenidos
em busca de palavras

gentileza atrai : não é assim ?

burburinhos formigueiros
enchem calçadas e passeios
restaurantes bares e tabernas
convidam ao prazer dos cheiros

gentileza atrai : não é assim ?

saídas ao cair da tarde
têm outra animação
se iluminam velhas ruas da cidade
dançando e bebendo melodias

emilio casanova

sexta-feira, 5 de julho de 2013

chuvas


correm aqueles pêndulos
em pontas de marfim
inscrevem na água
palavras não ditas

seios nas folhas
prazeres nas lágrimas
lábios em ramos
rios sem mágoas

corpo se liquefaz
na trança molhada
bocas bebem fogos
daquele mar de oceanos

que chuvas cobrem


emilio casanova
© Joaquim Vairinhos
(Ao abrigo direitos de Autor)

terça-feira, 2 de julho de 2013

minhas


levanto-me e volto a sentar-me 
defronte desse mundo inteiro
olho para a janela branca
respiro e penso como se escrever
fosse caminho da vida alimento do corpo.

cada passo que tropeço espanto-me
com tantas faces que elas têm
muitas já vistas já gastas já velhas
sempre novas sempre bonitas
noutras formas de harmonia.

prendem-me na cadeira
na mesa onde os homens comem
convivem e bebem
devoram-me nos seus labirintos
quando cansadas deitam-me fora.

principiei a escrever no outono
de meu mundo desenhei com elas
coisas afrodites e para que não digas
que não falo de amor procurei
essa coisa rara da sabedoria :
a simplicidade das palavras.

emilio casanova
© Joaquim Vairinhos
(Ao abrigo direitos de Autor)

um quarto



pela metade se vive,
quantas vezes basta um quarto
pequeno, espaço de amor vibrante
de cor sem todos os sonhos. 
são intensos os gestos que traçam
curvas abertas nos passos lentos
das chegadas.
apagam vontades em construção :
caprichos
desejos
celebrando mundo insubmisso
de projetos calculados.
as tintas que pintam a vida
não têm as cores escolhidas,
nem subtileza
nem leveza
nem fantasias
muitas vezes as mais incompatíveis.
despe-se a pele de :
receios
mágoas
medos,
agarra-se na mão migalhas
de bons momentos seguros.

não vá o diabo tece-las...

emilio casanova
© Joaquim Vairinhos
(Ao abrigo direitos de Autor)