Um Sítio...Joaquim Vairinhos

Um Sítio...Joaquim Vairinhos
Poesia, Prosa e Música.

sábado, 9 de junho de 2018

Epístola a um Amigo Luis.
Não posso
não quero
não desejo
mentir-te meu irmão
na utopia cresci na ilusão
sei quão é difícil fazer equilíbrios nas margens estreitas
da responsabilidade de promessas feitas
palavras vão no vento
e, se escritas nas areias da maré baixa são um momento
como queria teus desejos em realidades
como te admiro e sei tuas lutas pelo impossível
como te critico na dualidade do ser
como te apoio na possibilidade do estar
na íngreme encosta dos encargos
não sejas Sísifo no seu mito
mantém a persistência do querer é poder.
Joaquim Vairinhos.
espero
os ponteiros correm
sem fim
num destino
já determinado
pardaleja confia
saciando sua fome
em segurança
os ponteiros correm
o sol avança
numa manhã mais
uma vez
sem tua presença
os ponteiros correm
para um destino
já predestinado...
joaquim vairinhos, in "Pão do Povo"-Quarteira.



Vociferar acordes em ninhos de espíritos
provoca invasão do vazio numa eterna dimensão.
Asas desnecessárias, ventos inúteis,
palavras mudas, calor e frio insensíveis.
É pelos sentimentos que me ligo ao universo
onde interajo com quem não vejo. Filamentos imortais
povoam pensamentos desconhecidos.
Como não ser o que já fui.
Como não conhecer o que já vi.
Como desfazer o que já fiz.
Como não querer ser feliz ?
Se já me achei.
Se já me perdi em mundos no tempo.
Espaços que já vivi, outra vez, não !
Joaquim Vairinhos, in "Confissões".
Solidão
Se os sons caiem no vazio silêncio fica atroz,
manhãs e tardes sem voz criam na pele arrepio.
Comigo faço a troca.
Palavra gira, volta, cai na resposta do labirinto dos sentidos.
Saída sem solução é caminho errado.
Melhor será prender silêncio no coração.
Joaquim Vairinhos,

domingo, 25 de dezembro de 2016

É NATAL ?
Não tenho vontade de desistir...
súbito :
surgem nas células soberanas da vida
contrariando afirmadas certezas
que a natureza nos dá
primaveras de flores
em profusão de cores inigualáveis
ondas de calor de verão tardio
frio castanho do inverno
frutos maduros caídos no chão
anunciadores de que algo se vai perder
desse lindo momento de paz
chegado
são gestos
alertas da pessoa
que te tornaste
no casulo do tempo
e no espaço dos dias
desconstruindo qualquer bondosa relação
na individualidade
na inveja
na ambição desmedida
no ódio
na guerra
na desumanidade
sê humano
sê soberano na vontade
de não desistir
que o Natal te faça renascer como Pessoa.

Joaquim Vairinhos.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014