Um Sítio...Joaquim Vairinhos

Um Sítio...Joaquim Vairinhos
Poesia, Prosa e Música.

quarta-feira, 19 de junho de 2019

correm aqueles pêndulos
em suas pontas de marfim

inscrevem nas águas
palavras ditas sem fim

são seios de verdes folhas
castrados em prazeres de lágrimas

são lábios em ramos de cetim
rios de florestas sem mágoas :

se corpos se liquefazem
nas tranças molhadas

se bocas bebem fogos
daqueles mares de oceanos

se chuvas cobrem sombras
dos princípios iluminados

são cenários de alma
naquela busca eterna de mim

joaquim vairinhos, in " e se o mar fosse eu ?






A velha barca da Ilha
ondula  nas vagas,
convida à sonolência,

descansa Vera no balanço
cotovelos na janela,
arde o dia na sua mente.

Igor olhos cerrados ressona.

Lídia degusta batatas fritas
chupando os dedos,
soam pregões de cafezinho, não
vai freguês,
picolés  passeiam nos corredores,
polvilho é doce,
tem salgado.

Marinela escova cabelos da tia,

aí vai a barca no seu ram-ram

Joaquim Vairinhos, in "A Ilha dos Amores" - 2011.


Singapura

touro em louro
nunca visto em espumas

arrogantes certezas de fragilidades ignorantes

energúmenos derrubam portas
castelos
demolindo adquiridos bens

civilizações retrocedem
progressos de marcha a ré

precipícios de barbáries avistam-se

ao que chegámos !

no domínio dos deuses dos infernos : ardemos .

Joaquim Vairinhos


terça-feira, 12 de março de 2019

Sei de uma saudade
meu amor
que invade meus lábios
não pelos teus beijos
que nunca senti
mas pelos desejos
que sinto por ti.

Sei de um mar
meu amor
irmão do horizonte
azul celeste
que me submerge
navegando
nos rios que há em ti.

Sei de um rio
meu amor
que não corre
para o mar
levita na floresta
em busca sem fim
sem braços para amar.

Sei do amor
que tenho por ti
mesmo que tenhas
teus olhos desiludidos
defraudados
fechados
para mim.

Joaquim Vairinhos, in “Confissões”.


segunda-feira, 11 de março de 2019

Como não gostar de ti assim :

nos teus olhos simples
não vejo nuvens

nas palavras
verdades
mesmo quando soam
a pedras

nas mãos afagos
embora doridas por mágoas

no colo de teus seios
meigos choros

como não gostar de ti
se és pão de trigo maduro
vinho de sangue nas veias
ventre de sementeiras
terra de sol e luas
na paz de marés cheias

como não gostar de ti
parte de duas partes
unidas :
sou yang tu yin
unidos com um fim.

joaquim vairinhos

c

quinta-feira, 7 de março de 2019

Se ainda musas houvesse
voaria entre os olhos
das estrelas
procurando nas sombras
teus cabelos

para neles adormecer
sorrindo
no teu colo de mulher

vem comigo bela amiga Ana

levo tua mão na minha mão
num labirinto
coberto de verdes

flores de algodão

como são doces
esses instantes

perduram na imaginação
vivem no sonho !

Joaquim Vairinhos.

quarta-feira, 6 de março de 2019

refugiados da síria

mágoas em mãos sofridas
fazem rugas em almas
delas desabridas nas noites frias
fugidas da guerra fratricida

caminham em vielas perdidas
famintas entre barracas
iluminadas com tochas de fumo
pés encharcados na lama
num esterco humano pífio
desorganizado na vil tristeza
de nações hipócritas sem pilares morais

marcham para verdadeiro assassinato
mulheres crianças e velhos
que só buscam a sua paz

quem as vê quem as sente
quem as ajuda

joaquim vairinhos