hoje fui adotado pelos meus vizinhos gatos : nomeadamente uma gatinha...deixei de estar só...dorme à minha porta...conhece-mo-nos no dia dos gatos...
gata
e quando ela se roça
de pele arrepiada
com seus olhos verdes
para mim apontados
fico sempre sem saber
se tem fome
se quer carinho
porque o faz tão de mansinho
que me parece
querer amor
que hei-de fazer
a esta bela gata
simpática
que faz
todos os gatos correr
parece-me
que a querer
a querer...
agora enrola-se
na minha porta
da noite
ao amanhecer
espera-me
roça-se
a querer
a querer...
joaquim vairinhos
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019
quando nasci não sabia ao que vinha(l)
terra sem doutores
com uma bisavô muito fina
pai na guerra nos Açores
uma curiosa parteira Serafina
e mãe a gritar com dores
vai passar dizia a bisa
isso não faz mal
eu nada entendia...nada via
nada sabia
mas que mãe gritava sentia
a coisa ficou torta
quando me puxaram pela cabeça
escorreguei
agarraram-me pelos pés
nada mal...um bom rapaz
e vá de me dar palmadas
até que ...porra !
comecei a berrar
tinha nascido nada mal
um mancebo em Portugal
com a benção de Deus
numa humilde casa
no centro de Loulé
só vim a saber que estava
em Portugal :
- quando os adultos
se calavam à minha chegada
- quando meu vizinho mais querido
foi preso de madrugada
- quando minha mãe ficava em casa
enquanto meu pai votava
- quando minha bisa
me avisava : evita esse teu amigo
mas era do Frank, húngaro,
judeu
que eu mais gostava...
Joaquim Vairinhos, in "Confissões".
terra sem doutores
com uma bisavô muito fina
pai na guerra nos Açores
uma curiosa parteira Serafina
e mãe a gritar com dores
vai passar dizia a bisa
isso não faz mal
eu nada entendia...nada via
nada sabia
mas que mãe gritava sentia
a coisa ficou torta
quando me puxaram pela cabeça
escorreguei
agarraram-me pelos pés
nada mal...um bom rapaz
e vá de me dar palmadas
até que ...porra !
comecei a berrar
tinha nascido nada mal
um mancebo em Portugal
com a benção de Deus
numa humilde casa
no centro de Loulé
só vim a saber que estava
em Portugal :
- quando os adultos
se calavam à minha chegada
- quando meu vizinho mais querido
foi preso de madrugada
- quando minha mãe ficava em casa
enquanto meu pai votava
- quando minha bisa
me avisava : evita esse teu amigo
mas era do Frank, húngaro,
judeu
que eu mais gostava...
Joaquim Vairinhos, in "Confissões".
terça-feira, 19 de fevereiro de 2019
Suaves desejos como brisa leve
ocorrem na sedução quando dois seres
se querem alados em seus corpos
ter e ser
a suprema ambição
que as almas guardam
em leves e doces arcas para a ocasião
será a seara cautelosa
que segura corpos em sementes
tão ansiosos
terra de amor em sua sinfonia
tem todos andamentos que amor cria
sábado, 16 de fevereiro de 2019
Noutro dia talvez, quem sabe, poderia acontecer o que não aconteceu. Não passou daquele beijo receoso, tímido.
Nas esquinas dos dias vamos arrumando tudo o que achamos importante. Não arrumamos nada. Olvidamos o mais necessário. O amor.
Depois inventamos - o dia. Para hoje datamos o dia dos namorados. Amanhã já será outro dia. Colocado o amor na gaveta vamos continuar no que julgamos importante.
Joaquim Vairinhos
Nas esquinas dos dias vamos arrumando tudo o que achamos importante. Não arrumamos nada. Olvidamos o mais necessário. O amor.
Depois inventamos - o dia. Para hoje datamos o dia dos namorados. Amanhã já será outro dia. Colocado o amor na gaveta vamos continuar no que julgamos importante.
Joaquim Vairinhos
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019
Eram dez da noite
uma noite de lua cheia
namorados passavam de mãos
oferecidas
na esperança
do amor de suas vidas
e tu não vinhas
tu não chegavas
minha inquietação aumentava
sempre na esperança
de te ver dobrar a esquina
porque tardavas ?
que se passa
meu amor não chega
tu não vinhas
destino malfadado
que me leva a esperar
o amor encontrar
como se a estrela que cai
na noite escura do céu
fosse por mim mandada
mulher só ama
quando está apaixonada.
Brisa suave dança nos olhos em contra sol
quando atravesso as pedras da avenida,
e o mar ali tão perto me integra há tanto tempo.
Verões quarteirenses brilham nas palmeiras.
A meu lado cruzam-se todas as forças da calçada,
olham para mim num olhar tão suspeito
sem trânsito que não passa por ali
que até o sol se descobre em vénia pelo feito.
Não anoiteças sem mim
Vem,
vem sentir o ar
de navegantes ao ritmo
do encontro
das ondas do amar,
em gotas de sal
raiadas do sol
no embalo doce lunar.
Vem com as asas
de gaivotas famintas
mergulhadas em correntes de vento.
Vem pelo azul do horizonte,
porque se faz tarde
abraçar teu amante.
Vem, não anoiteças
sem mim...
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