Um Sítio...Joaquim Vairinhos

Um Sítio...Joaquim Vairinhos
Poesia, Prosa e Música.

sábado, 16 de fevereiro de 2019

Noutro dia talvez, quem sabe, poderia acontecer o que não aconteceu. Não passou daquele beijo receoso, tímido.

Nas esquinas dos dias vamos arrumando tudo o que achamos importante. Não arrumamos nada. Olvidamos o mais necessário. O amor.

Depois inventamos  - o dia. Para hoje datamos o dia dos namorados. Amanhã já será outro dia. Colocado o amor na gaveta vamos continuar no que julgamos importante.

Joaquim Vairinhos


sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Eram dez da noite

uma noite de lua cheia
namorados passavam de mãos
oferecidas
na esperança
do amor de suas vidas

e tu não vinhas
tu não chegavas
minha inquietação aumentava
sempre na esperança
de te ver dobrar a esquina

porque tardavas ?

que se passa 
meu amor não chega

tu não vinhas 
destino malfadado
que me leva a esperar
o amor encontrar
como se a estrela que cai
na noite escura do céu
fosse por mim mandada

mulher só ama
quando está apaixonada.

emílio casanova
Brisa suave dança nos olhos em contra sol
quando atravesso as pedras da avenida,
e o mar ali tão perto me integra há tanto tempo.

Verões quarteirenses brilham nas palmeiras.

A meu lado cruzam-se todas as forças da calçada,
olham para mim num olhar tão suspeito
sem trânsito que não passa por ali
que até o sol se descobre em vénia pelo feito.

Joaquim Vairinhos.



Não anoiteças sem mim

Vem,
vem sentir o ar
de navegantes ao ritmo
do encontro
das ondas do amar,
em gotas de sal
raiadas do sol
no embalo doce lunar.

Vem com as asas
de gaivotas famintas
mergulhadas em correntes de vento.

Vem pelo azul do horizonte,
porque se faz tarde
abraçar teu amante.

Vem, não anoiteças
sem mim...

emílio casanova, in "Maria"
Deixei de ir a funerais quando senti que os defuntos puxavam por mim,
liam meus pensamentos

e aqueles ares tão pungentes 
nas filas de cumprimentos dos acompanhantes
faziam-me mal

e aquelas palavras de ocasião 
misturadas com máscaras faciais de tristeza,
meu deus davam tanta impressão 

decidi definitivamente,
funerais só o meu tem minha participação,
e quero minhas cinzas no mar como colchão .

Joaquim Vairinhos.

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Se todos os caminhos percorridos
tivessem tido sucessos
como seria desprezível
qualquer conquista
passo no passo persigo
muitas vezes não sei o quê
talvez convencido
de progresso em progresso
se amo com amor
tantas vezes
não sei o que faço
maldigo-me
pelas simplicidades do gesto
haverá caminhos fingidos
na dor amassados ?
como brilharia a estrela
que me levasse ao sucesso
assim de pé ante pé
passo
pela vida com ilusão
uns muitas vezes
chamam-me à sua razão
convencidos que renego
todos aqueles belos passos
que agitaram este coração.
Joaquim Vairinhos,

Que vozes são estas no falso Pontal.
Não de demónios
de homens que se julgam anjos
e se perdem todos os anos
nas pedras quentes
de um pontal adjetivado
como enorme prego
que atravessa consciências
em dimensões que vivemos
resistimos e sofremos.
Com aqueles coros que recusamos.
Que pontal é esse disfarçado,
mascarado, que não tem uma voz de
perdão pelas palavras em promessas
que constroem a ilusão.
Que pontal é este que
de descontentamento
faz a festa sobre ossos e restos
de cabelos pardos, peles secas,
olhos fundos.
Que gente é esta ?16 août 2017, 07:42Quarteira
Joaquim Vairinhos, in "A Essência da Política"
Quadro de Paula Rego.