Um Sítio...Joaquim Vairinhos

Um Sítio...Joaquim Vairinhos
Poesia, Prosa e Música.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Deixei de ir a funerais quando senti que os defuntos puxavam por mim,
liam meus pensamentos

e aqueles ares tão pungentes 
nas filas de cumprimentos dos acompanhantes
faziam-me mal

e aquelas palavras de ocasião 
misturadas com máscaras faciais de tristeza,
meu deus davam tanta impressão 

decidi definitivamente,
funerais só o meu tem minha participação,
e quero minhas cinzas no mar como colchão .

Joaquim Vairinhos.

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Se todos os caminhos percorridos
tivessem tido sucessos
como seria desprezível
qualquer conquista
passo no passo persigo
muitas vezes não sei o quê
talvez convencido
de progresso em progresso
se amo com amor
tantas vezes
não sei o que faço
maldigo-me
pelas simplicidades do gesto
haverá caminhos fingidos
na dor amassados ?
como brilharia a estrela
que me levasse ao sucesso
assim de pé ante pé
passo
pela vida com ilusão
uns muitas vezes
chamam-me à sua razão
convencidos que renego
todos aqueles belos passos
que agitaram este coração.
Joaquim Vairinhos,

Que vozes são estas no falso Pontal.
Não de demónios
de homens que se julgam anjos
e se perdem todos os anos
nas pedras quentes
de um pontal adjetivado
como enorme prego
que atravessa consciências
em dimensões que vivemos
resistimos e sofremos.
Com aqueles coros que recusamos.
Que pontal é esse disfarçado,
mascarado, que não tem uma voz de
perdão pelas palavras em promessas
que constroem a ilusão.
Que pontal é este que
de descontentamento
faz a festa sobre ossos e restos
de cabelos pardos, peles secas,
olhos fundos.
Que gente é esta ?16 août 2017, 07:42Quarteira
Joaquim Vairinhos, in "A Essência da Política"
Quadro de Paula Rego.
Ofício de viver sem estrelas no céu
que maçada, descem como lastro
sem sonhar
porque não sabem.
Sonhos são asas da mente
velas desfraldadas,
sempre
na procura do vento que as leve
para mundos sem donos
da liberdade de pensamento.
Eternos incrédulos
à força do sonho na esperança da vida
em mutação.
Eles não sabem, eles nem sonham !
Joaquim Vairinhos, in " A alma das palavras ".
Foto de quadro de R.Magritte - chuva de homens.

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

...
somos seres animados
há os que se movem
há os permanentes sem mudar de lugar
...
todos em função
ligados na rede necessária
...
mulher...homem...árvores...flores...cão...gato
mosca ...macaco
com sapato...chapéu...vestido...calças
sem sapato
...
somos ilustrações de um texto
no contexto do nosso próprio texto
construído com palavras...sinais...movimentos
afetos... pensamentos
...
somos vida na essência do não existir
existindo
...
viajantes infinitos correndo pelo vento
pelo sol...
pelo dia...
pela noite...
...
na busca da aurora que acorrente
anéis da liberdade emanente
...
somos seres geminados
buscando
divindades na vida construída
em simplicidades de coexistir...
Joaquim Vairinhos,
Dali.

segunda-feira, 30 de julho de 2018

transparece no sorriso
no olhar...uma beleza global
limite da perfeição
união do corpo com o espírito .
quanto mais a idade avança
mais a beleza interior se manifesta
adoçando a aparência física
é uma satisfação ser teu amigo
é um prazer "conhecer-te"
é
pelo que de belo transmites
no inverso da flor que murcha
pelo avançar dos dias
és a bela flor perene
nessa beleza interior que irradias.
Joaquim Vairinhos.

sábado, 28 de julho de 2018

além de meu tesouro...
és meu arquivo
minha memória
cavalgas estas veias
artérias de meus sentidos
...
és minha arca
onde guardo secretos desejos 
...
és orquídea florida
no deserto desta pobre vida
...
és nuvem que não quero passageira
...
és colibri
que me escolheu para teu amor 
...
és chuva na terra agreste 
...
és semente no outono
flor e grão no verão
...
és real quimera
para guardar em toda primavera...

emilio casanova, in "Amor de Maria"