Um Sítio...Joaquim Vairinhos

Um Sítio...Joaquim Vairinhos
Poesia, Prosa e Música.

segunda-feira, 23 de julho de 2018

reality season 2

ela cobria cinco por cento do corpo
girava na toalha como se estivesse no assador
inquieta procurava o mar e uns olhares
ele não estava estando
bem esticado lia o negócios
e de quando em vez comunicava no seu iphone
ela buscava afectos sem negócios

dia a dia os mesmos gestos mecânicos
vestia os calções
colocava a toalha aos ombros
enfiava os dedos nas havaianas e partia
chegado ao mar molhava os pés
regressava a casa dizendo : porra
continua fria

joaquim vairinhos
imagem google.
reality season 1
ela magra cansada olheiras profundas
avançou para o balcão
ele anafado musculado 
sentou os glúteos tonificados
na esplanada
outra pesada titubeante
procurou na prateleira da vitrine
merenda doce
ele sentado planando no smartfone
aguardava sua chegada
um inseguro escolhia
ela na cadeira aguardava
na chegada como ela barafustou
não sabes fazer nada
pegou na carteira e pagou
joaquim vairinhos.


na mansão dos ventos
onde moram as aves
encontrei nas nuvens
mensagens em espiral
nunca me disseram 
o que contavam
cá para mim era magia
talvez numa sala
se guardavam
os suspiros de amor
ou quem sabe
lágrimas da dor
de amor
ainda hoje me interrogo
para onde vão todos
os amores :
os conseguidos
os perdidos
e para onde vão as lágrimas
de amor
há quem diga
que vão para o mar
outros dizem
que regam lindas orquídeas
penso que quando escorrem
pela face
deixam sinais que marcam
rugas na alma
levam ao coração
momentos diversos
de dorida calma
de paz
para descanso
das paixões.
Joaquim Vairinhos
Pedrógão Grande
Quando o fogo arde
nas pedras do homem
treme a raiva
na impotência dos dias
em frágeis queixas
que nada resolvem
Quando as folhas
mirram secas e pretas
lágrimas soltam-se
em rostos cavados
por rugas de vidas na lida da terra
Quando o vento amainar
sol e calor aparecer
fumos e cheiros
se enterrarem
escombros nas almas
não esquecerão jamais
a incúria
a malvadez de espíritos
que despreveniram os
valores sagrados
de populações defender.
Joaquim Vairinhos, in "A Alma das Palavras"
foto dn/pt.

domingo, 22 de julho de 2018

tantas vezes me perco
no labirinto do meu eu
buscando sem saber o quê...
conforta-me essa fadiga
de pesquisa interna
sabendo a importância da noite
do silencio da coragem da honra
existente em mim...
talvez a luz que existe
no caminho que esvai vida
transbordante em margens
desse rio que cresce permanente
traga ao meu olhar
o que pensa minha mente...
quantas vezes cavalgo
essa fúria muda de desejos
de raivas de ilusões perdidas
em desencantos do querer
não conseguido...
busco e busco sempre
sem parar o pensamento
não desisto de saber quem sou
para o que vim e
que contributo dou.
joaquim vairinhos.
poema insinua-se
na procura
penetra nos labirintos
frágeis das almas
nobres doces
endurecidas por certezas
inculcadas pelas palavras...
poema insinua-se
como arma
cativando a alma
para o amor
na sedução dos versos...
poema insinua-se
na mente
como amigo na denúncia
sempre presente
em causas justas...
poema insinua-se
como amante
privilegiado das damas
sonhadoras...
poema insinua-se
enraizando nas delícias
da natureza e de suas
fraquezas...
poema insinua-se
com magia e mistério
por entre os dedos
do aprendiz
na procura da certeza perfeita...
poema insinua-se
faz do poeta um fingidor
leva a dor que sente
para seu corpo ausente
flutuante acima da dor.
Joaquim Vairinhos,