Um Sítio...Joaquim Vairinhos

Um Sítio...Joaquim Vairinhos
Poesia, Prosa e Música.

segunda-feira, 23 de julho de 2018

Pedrógão Grande
Quando o fogo arde
nas pedras do homem
treme a raiva
na impotência dos dias
em frágeis queixas
que nada resolvem
Quando as folhas
mirram secas e pretas
lágrimas soltam-se
em rostos cavados
por rugas de vidas na lida da terra
Quando o vento amainar
sol e calor aparecer
fumos e cheiros
se enterrarem
escombros nas almas
não esquecerão jamais
a incúria
a malvadez de espíritos
que despreveniram os
valores sagrados
de populações defender.
Joaquim Vairinhos, in "A Alma das Palavras"
foto dn/pt.

domingo, 22 de julho de 2018

tantas vezes me perco
no labirinto do meu eu
buscando sem saber o quê...
conforta-me essa fadiga
de pesquisa interna
sabendo a importância da noite
do silencio da coragem da honra
existente em mim...
talvez a luz que existe
no caminho que esvai vida
transbordante em margens
desse rio que cresce permanente
traga ao meu olhar
o que pensa minha mente...
quantas vezes cavalgo
essa fúria muda de desejos
de raivas de ilusões perdidas
em desencantos do querer
não conseguido...
busco e busco sempre
sem parar o pensamento
não desisto de saber quem sou
para o que vim e
que contributo dou.
joaquim vairinhos.
poema insinua-se
na procura
penetra nos labirintos
frágeis das almas
nobres doces
endurecidas por certezas
inculcadas pelas palavras...
poema insinua-se
como arma
cativando a alma
para o amor
na sedução dos versos...
poema insinua-se
na mente
como amigo na denúncia
sempre presente
em causas justas...
poema insinua-se
como amante
privilegiado das damas
sonhadoras...
poema insinua-se
enraizando nas delícias
da natureza e de suas
fraquezas...
poema insinua-se
com magia e mistério
por entre os dedos
do aprendiz
na procura da certeza perfeita...
poema insinua-se
faz do poeta um fingidor
leva a dor que sente
para seu corpo ausente
flutuante acima da dor.
Joaquim Vairinhos,

quinta-feira, 19 de julho de 2018

"E neste cheiro a podre milenário –
vale a pena se quer dizer que são
filhos da puta ?
……………………………Jorge de Sena."


Com este cheiro podre de figurantes
paridos numa democracia mirabolante,
vale a pena se quer dizer que são
filhos da puta ?
Quando os malandros
ganham sempre as guerras,
há aqueles jovens patriotas
cheirando a naftalina de armários
dum estado novo, arautos
daquela velha esperança,
vale a pena se quer dizer que são
filhos da puta ?
Quando os patriotas
que mandam os velhos morrer,
os jovens emigrar, multidões públicas
para o massacre da pobreza,
vale a pena se quer dizer que são
filhos da puta ?
Eu protesto, tu protestas, ele protesta,
e eles nada mudam
ou mudam ainda mais,
vale a pena se quer dizer que são
filhos da puta ?
Joaquim Vairinhos, (com Jorge de Sena ) de 11 de Abril de 2011.

quarta-feira, 18 de julho de 2018

Auto-retrato
Adoro ser criança
inconstante
infiel
livre
como adoro ser e não ser
estar e não estar
ahahahah !!!
ter e não ter
estar só e no meio da multidão
viajar e correr
tudo querer saber
ter intuição e
fingir não ter
como é bom não saber
o que se é
não saber o que se quer
como é bom viver
sem saber para onde se vai
sim amigo !
sou tudo isso
e mais aquilo que não sei
ahahahah !!!
sou fausto...sou mefísto
sou nu
e sou aquilo que visto
ahahahah !!!
o inferno espera por mim
serei lá bem visto
o paraíso...quer-me
não sei se vá
amigo
sou tudo isto,
e
mais aquilo que não sei.
Joaquim Vairinhos.
um suave doce no seio
onde cabe um coração
um afago terno no ventre
onde guarda semente
um toque nos lábios
onde mel fala
um carinho no joelho
onde dobras amor
um abraço na cintura
onde crias esperança
uma palavra meiga no ouvido
onde delícias começam
uma noite sem fim
ais na pele...
calor no peito...
olhos nos olhos...
mãos no corpo...
alma em espírito...
desejos na mão...
e, estrelas bebendo.
Joaquim Vairinhos.
Mestre Almada Negreiros
Tenho a idade dos oceanos
sou tão velho como a montanha
mais sábio que a romã
tão simples como a ribeira
tenho palavras como companheiras.
Conheci Pitágoras muito bem
na feira de ciganos vendi
na feira de ciganos comprei
sou livre a meio tempo
nas prisões da noite adormeci.
Falaram de mim ontem
nas praças da cidade florida
onde a amizade existe
nos circos de pedra
da fraternidade construída.
Será que existo
falaram de mim hoje
na esquina do sol de agosto
entre bagos de suor de areia
fiquei da liberdade cativo.
Joaquim Vairinhos.