Um Sítio...Joaquim Vairinhos

Um Sítio...Joaquim Vairinhos
Poesia, Prosa e Música.

domingo, 15 de julho de 2018

Teus olhos restaram fixos
deixaram de ver,
queriam sorrir na fixidez
de meu olhar...
quando os moveste depois de sorrir
ficaram presos nos meus...
e assim,
de prisão à admiração
à interrogação foi um flash vivo
no tempo da memória, onde mora
o pensamento,
por isso lembras aquele olhar
do seu momento
que restará para sempre.

E quando pensas em
mim
baila no ar. Sorris
JV, in "Cânticos"
Na hora treze do ritmo dia
veias e artérias amassadas
sofrem por nadas
passos cruzados crescem
deambulam na diagonal zero
numa vital caminhada
em centro capital
lista pregão penetra na retina
em via direta aos aromas
dum programa festivo
de económico executivo
com reais reduzidos
em quantidade diet
sopra entediado garçon.
Sinto chamamento de células
precárias.
Entro no redondel de carnes feitas
em mesa única com forma de u
manjedoura universal moderna
de pretensão comunitária bacoca
que coloca frente a frente
olhos em bocas mascadas
desconhecidas
em permanentes miradas
furtivas
do nosso descontentamento.
jv
...não resisto a esta bela prosa poética de minha amiga...para lhe dar a força que tanto necessita...
Ode ao homem bom
Eu gostava de gostar dos homens que gostam de mim mas os filmes e as amigas que me põem triste disseram-me que os homens a sério são os que não gostam.
Li uma vez numa revista ou vi numa fotografia dessa revista que os homens maus eram charmosos. Eu nessa altura não sabia o que queria dizer charmoso mas pela fotografia acho que era um homem que usava um cigarro como uma arma e que tinha um carro grande muito difícil de estacionar.
Eu gostava de gostar de um homem bom que me amasse incondicionalmente. Um homem que me desse atenção que não soubesse jogar ao amor, nem jogar ao sexo, nem jogar às paixões, nem jogar ao “vamos ver quem ama mais e vamos ver quem ama menos e quem ama menos ganha e quem ama mais perde”.
Eu quero um homem, não precisa de ser bonito para as revistas, nem precisa de ser bonito nos outdoors, nem precisa de ser bonito para as minhas amigas tristes, só precisa de ser bonito para mim.
Eu antigamente achava que não conseguia controlar o amor. Achava que o amor não se escolhia e que se me calhasse um cabrão para amar teria que ser infeliz com ele porque era um bom partido. Tive o coração partido à conta do bom partido. Agora prefiro um homem por inteiro.
Não vai ser a vida a escolhê-lo para mim, nem a revista a escolhê-lo para mim, nem as amigas tristes a escolheram-no para mim. O meu homem vou ser eu a escolhê-lo, não vai ser amor à primeira vista, vai ser amor à primeira festa.
Vou escolher o que souber sorrir, vou escolher o que me fizer rir, vou escolher o que me fizer crescer, vou escolher o que me escolher ao mesmo tempo, vou escolher o que for perfeito, não por ser perfeito, mas por me dar aquilo de que preciso.
Pela primeira vez quero exactamente aquilo de que preciso. Preciso de um companheiro, não preciso de um amante. Preciso de um porto, não preciso da tempestade. Preciso de companhia, não preciso de ver filmes ruins sem ter quem goze com eles.
Pode conduzir um Fiat Punto, um Renault Clio, ou um Fiat Panda que comprou por 780 euros a uma tia solteira.
Eu quero um homem bom. Os homens bons têm charme. Ainda não sei o que o charme é mas o meu homem bom vai tê-lo.
Amo-te, meu amor. Não sei quem és mas vejo-te com nitidez.
Conheço-te como a mim e amo-te para sempre com a certeza de quem percebeu finalmente que o amor só pode ser uma coisa boa.
Texto de uma amiga, foto de nenhures e algures 
Emanuelle Appert.
..as gaivotas a esta hora voam para poente...talvez para o sunset da falésia...ou para o pinhal de vilamoura..
.
Há ruídos estranhos no planeta
há sombras no universo
há ondas magnéticas imprevistas
há equações imprevisíveis
há instabilidades nas arestas
busco no correio não sei o quê
ruas da cidade
florestas erguidas a um céu que não existe
ruas que não comunicam
permanecem mudas e hirtas tal gavetas de Dali
treme o chão na fervura dos instantes
num estio que tarda verão
rolam rodas negras chiando
com ondas brancas calmas ali tão perto
jogando com inocentes
jogando com gaivotas famintas num esconde esconde de falcão
que será o amanhã ?

Jaquim Vairinhos.
Joaquim Vairinhos
Poème pour Cécille Sauvage
Quebradas as pedras do vulcão
ficaram ruínas mirradas
negras...secas
como carvão...
Que restou ?
Trigo em pão
não...
Calor em raio de sol
não...
Romance na maré de lua cheia
não...
Ficou a cara e a coroa
do amor ódio
em ilusão...
Amanhã apesar do ódio
será um novo dia...
e noutro dia...
novo coração...
Malgrè vous Cécile.

7.
Passavam apressadas e cinzentas.
Carregavam silêncios.
Estranhos nadas brilhavam nos olhos.
Umas corriam.
Outras talvez cansadas, deslizavam.
Para onde iam naquele rio de pernas e braços?
Todas sabiam. Eram normais os seus desejos.
Estranhos hábitos aqueles quotidianos sem horizontes.
Asas para quê?
Tomar o caos da vida. Tomar a anarquia do sonho.
Mesmo sendo estranha a partida,
cria a liberdade daquele outro caminho.
Urgente. Sair do carreiro da formiga

e se mar fosse eu ? (JV)