Um Sítio...Joaquim Vairinhos

Um Sítio...Joaquim Vairinhos
Poesia, Prosa e Música.

domingo, 15 de julho de 2018

Há ruídos estranhos no planeta
há sombras no universo
há ondas magnéticas imprevistas
há equações imprevisíveis
há instabilidades nas arestas
busco no correio não sei o quê
ruas da cidade
florestas erguidas a um céu que não existe
ruas que não comunicam
permanecem mudas e hirtas tal gavetas de Dali
treme o chão na fervura dos instantes
num estio que tarda verão
rolam rodas negras chiando
com ondas brancas calmas ali tão perto
jogando com inocentes
jogando com gaivotas famintas num esconde esconde de falcão
que será o amanhã ?

Jaquim Vairinhos.
Joaquim Vairinhos
Poème pour Cécille Sauvage
Quebradas as pedras do vulcão
ficaram ruínas mirradas
negras...secas
como carvão...
Que restou ?
Trigo em pão
não...
Calor em raio de sol
não...
Romance na maré de lua cheia
não...
Ficou a cara e a coroa
do amor ódio
em ilusão...
Amanhã apesar do ódio
será um novo dia...
e noutro dia...
novo coração...
Malgrè vous Cécile.

7.
Passavam apressadas e cinzentas.
Carregavam silêncios.
Estranhos nadas brilhavam nos olhos.
Umas corriam.
Outras talvez cansadas, deslizavam.
Para onde iam naquele rio de pernas e braços?
Todas sabiam. Eram normais os seus desejos.
Estranhos hábitos aqueles quotidianos sem horizontes.
Asas para quê?
Tomar o caos da vida. Tomar a anarquia do sonho.
Mesmo sendo estranha a partida,
cria a liberdade daquele outro caminho.
Urgente. Sair do carreiro da formiga

e se mar fosse eu ? (JV)
                                         

                                        Anthony Howe
amores que trocamos
sobem aos céus
na volúpia da paixão
entregamo-nos como eternos
pura ilusão
amores naturais são efémeros
duram enquanto duram
vivem das razões profundas
inconstantes do coração
Joaquim Vairinhos, in "Afrodites"-2012
para quê palavras bondosas
de pesar
para quê flores na avenida
para quê reuniões urgentes
de comissões de crise
para quê oratórias de circunstância
para quê teatralização de acções
de ocasião
para quê estados de emergência
para quê milicias de combates
terroristas
para quê reuniões de líderes
incompetentes
quem traz vida a esta civilização
que se deixou econofinanciar
amordaçar, escravizar
quem reconstrói a paz a confiança
a tolerância a fraternidade
quem...quem...quem...
todos eles do atlântico aos urais
já provaram que estão demais
é urgente a liberdade a igualdade a fraternidade !
joaquim vairinhos, 
Hoje deve ter dado à costa
enrolada na espuma do mar
minha musa bela
tinha-a bem guardada
no fundo da minha alma
onde ela me alimentava
com belos versos
que eu escrevia
agora, não sei que fazer
se alguém a encontrar
não fique com ela venha me dizer...
obrigado
(ah, ela está lixada comigo).
Joaquim Vairinhos.

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