Um Sítio...Joaquim Vairinhos

Um Sítio...Joaquim Vairinhos
Poesia, Prosa e Música.

sábado, 7 de julho de 2018

era uma vez Abril
memória dos cravos
no bâton borrado de teus lábios
como fomos felizes
nas utopias à solta
devoradas em liberdade
pelas luzes nas frestas da cidade
amores em euforias
nos braços de fardas transformadas
cantavam nas ruas melodias
como fomos felizes
construindo ilusões de vidas
que noites mal dormidas
fazendo amor e não guerras
olvidando o que foram as partidas
tempo vai
tempo nos envolve
como fomos felizes
na paragem daquele tempo
bons momentos passam sempre
como foi linda a festa com toda aquela gente !
Joaquim Vairinhos, in "Confissões"
Pintura " Borrão de Cravos" de JV.

Léo Ferré - La mémoire et la mer

estado de letargia consome
vontade
membros soltos
olhos semicerrados
preguiça
inunda o corpo
no quadrado dos lençóis
fazer o quê
se este navegar de modorra
prende corpo à cama
arrasta pensamento
doloroso
durmo ... não sei
pálpebras recusam-se
em movimentos moles
dar vida à manhã
que monotonia
sentir a vida na preguiça
de mais um dia
levantar para quê
se memória
ata braços e pernas
corpo estendido
medito na dupla face
do prazer
que se fez maldito
renegar não
acelera as cumplicidades
de uma saudade
que não se quer
no tempo perdida
onde estás
meu amor de um mês
porque tardas
quero-te outra vez .
Joaquim Vairinhos.

O Beijo,
o beijo que mandei
foi.
chegou. beijou
e ficou.
porque ficou esse gosto
quando saiu de mim ?
foi desejado que fosse assim.
e foi.
sentiste
não calaste esse prazer
do beijo que te mandei.
sim sei
guardaste em ti
esse bocado de mim.
joaquim vairinhos
Mestre Almada Negreiros

sexta-feira, 6 de julho de 2018

MULHER
Seremos filhos de quem não sabemos
esta interrogação percorre minha mente
não pela incógnita mas pelas rígidas certezas
das religiões comummente aceites com seus
dogmas milenários.
Pai perdoai-lhes sabe que eles são ignorantes
Alá é grande no seu infinito saber
com estas paternidades temos construído séculos
intolerantes hipócritas criminosos cobertos em mantos
de silêncios castrantes.
São igrejas templos espaços de oração a deuses
sem mobilidade com lucros na visão que adiam
julgamentos éticos morais para dogmática posteridade
em certezas incógnitas de uma aceite verdade.
Mãe iluminada pelo bom senso da natureza
constrói teu ninho alicerçado nos valores do amor
desmistifica com tuas lágrimas teus perdões
assume a verdadeira religiosidade do teu conventual
ventre para a harmonia da humanidade.

Joaquim Vairinhos, 
Ouvindo ler meus poemas no Rio de Janeiro...
I miss you Algarve...
preciso de ti...
Vilamoura...praia da Marina...
praia da Falésia....
todas tuas praias...
do mar ...até à serra...
adoro as praias do barrrocal....
com suas ondas verdes...
as conchas brancas das suas casas...
mariscos das suas árvores...
algas de suas flores silvestres...
e, aquele silêncio do pôr do sol...
entre montes...escondidos nas sombras...
onde equilibro minha alma...
elevo meu espírito...
cultivo minha paz...
na solidão... calma.
joaquim vairinhos, in "No jantar dos deuses", 2012.

Sagrada: The Mystery of Creation Official Trailer (2014) - Spanish Cathedral Documentary HD

fecha-se a noite
perscruto pelas janelas
das estrelas do sul
busco imagem
desassossegado
saudades invadem
julgo ver na ramagem
dum jardim
esvoaçando descalça
pelas pétalas
amarelas
vestes translúcidas
ondulando
acariciadas pela brisa
cabelos longos
em fios sedosos
dor atravessa
ossos de pedra
num galope
em surdina queimando
gostar de amar
torna-se canseira
num questionar
porque se gosta
sem idade
com afinco de certezas
numa louca
necessidade de carinho
sem caminho a percorrer
triste dor
sem fim
sem tempo
que resta
dos momentos que virão
lamentos...
joaquim vairinhos
Na casa dos ventos onde moram aves
encontrei nas nuvens mensagens em espiral
nunca disseram o que contavam

cá para mim era viral
talvez numa sala onde guardavam os suspiros de amor
ou quem sabe lágrimas da dor de amor
ainda hoje me interrogo
para onde vão todos os amores
os conseguidos
os perdidos
para onde vão as lágrimas
de amor
há quem diga : vão para o mar
outros dizem : regam lindas orquídeas
acho que quando escorrem pela face
deixam sinais que marcam rugas na alma
procuram levar ao coração momentos diversos
de calma
de paz
para descanso dos meus versos.


Joaquim Vairinhos.

Expensive Soul - "Que Saudade" (Ao vivo nos Coliseus)

"Valsinha" - "Vinicius de Moraes" - António Zambujo

" na grelha do meu terraço vejo mar ao fundo :
tem pimento
tem
tem tomate
tem
tem sardinha
tem
tem tinto
tem
tem velas
tem
tem sentimento
tem
tem amizade
tem
tem alegria
tem
tem risos
tem
tem tempo
tem
...
essa é minha terra !"
joaquim vairinhos.

quinta-feira, 5 de julho de 2018

Se amor transcende células do teu real corpo
livre, leve e tranquilo
é teu espírito cósmico,
sem físico, que encontro.
No etéreo dos dias sem fim,
ondas curvas das nuvens azuis
me chamam sempre ao encontro de ti.
Infinito não tem tempo,
nem dia, é eterno.
Nesse encontro do eterno com o infinito
acontecem magias.
A vida é feita de encontros
imaginação, coragem e sonhos.
Joaquim Vairinhos, in "Só & Cia".

Hélène Ségara, Joe Dassin - Et si tu n'existais pas (Clip officiel)

quarta-feira, 4 de julho de 2018

Amália Rodrigues...Trova do Vento que Passa ( Poema de Manuel Alegre)

terça-feira, 3 de julho de 2018

Vertigem do olhar
em mundo espiral
desintegrei
qual búzio encostado
ouvindo o mar
sintonia de caleidoscópio
formas luz e cor em simetria
asas de mariposas pétalas e corolas
dançando ao som do murmúrio
das cristas onduladas brancas
oceanos de mar verde azul
mescla primordial nos ais suor
e sal
tudo mais a imaginação reconstrói
humano impulso de amar
renasce
no sabor de um olhar.
Joaquim Vairinhos.

Joaquim Vairinhos
48.
No embalo da rede dos versos
não escreverei para os outros
embora adore que os leiam
versejarei para mim
para meu mundo interior
alimentarei minha alma
por prazer e felicidade
e como é delicioso
o que sinto quando escrevo
me envolvo
com paixão
num amor de virtude
acaricio as palavras
mordo as sílabas
engulo os ditongos
saboreio os versos
e busco poesia neles
na humildade da entrega
como num corpo de mulher.
Joaquim Vairinhos, in " Só & Cia ".

É festa
como arde corpo em festa
respirando seu ar ansioso
o ritmo :
é samba, tango, salsa ou valsa
pouco importa
é carne na efervescência
de sangues circulantes
é pele na maré
cheia de rios, atracada nos cais
das madrugadas
é margem perfumada
das eternidades que se buscam
é fogo
sem luz e chama que queima
nos lábios uivantes
é pio da lua diurna
salivando o cósmico cio
como explicar o enigma da escolha.
o perfeito encaixe das curvas
e retas dos corpos
que importa
deixá-lo para poetas gigantes
séculos e séculos navegantes
das palavras e versos sem fim
convencidos e sapientes.
Joaquim Vairinhos.
Se um divórcio custa
dois custam mais
dois divórcios
e
uma separação custam muito mais
se ouvires dizer mal de mim
acredita
porque não sou santo
nem diabo!
ama-me…
odeia-me…
mas nunca a indiferença
porque sou diferente.
Joaquim Vairinhos