Um Sítio...Joaquim Vairinhos

Um Sítio...Joaquim Vairinhos
Poesia, Prosa e Música.

terça-feira, 26 de junho de 2018

nunca soube seu nome
se era de planta pássaro ou lugar
sei que tinha silêncio de
melancolia cintilante nas íris do olhar
talvez maria
como o oiro do trigo
nos lábios da terra
alentejana
quem sabe isabel
nesse profundo olhar
da sombra do vento
que passa nas tardes
redondas do sol pôr
apertei suas mãos
como se fossem novelos de lã
levei-as aos lábios
como se acaricia água cristalina
da fonte ou a pele suave
de criança
soltei seus dedos
para a liberdade das palavras
que dançaram
na magia do momento
soletrei esses versos
como estrelas
na cadência das batidas
de sangue invadindo como chuva
a planície do ventre
nuvens de seda
brotavam dos lábios
em murmúrios cúmplices
de areia
invadida pela energia
das ondas brancas
da maré cheia
a deusa que julguei ausente
viajou na brisa suave
de espumas livres
nas esquinas da mente

Joaquim Vairinhos, in "Confissões"
Foto de Fernando Romão-Seara Alentejana.
Disseste-me outro dia :
amor não tem peso
amor não se mede
mas então porque
me perguntas todo dia
se te amo...
se te quero muito...
digo sim
queres sempre saber
quanto...e até quando...
será que amor não tem peso
será que amor não tem medida
será que amor não tem tempo
porque me dizes : já te vais
tão cedo
porque queres saber quando
volto 
para mim amor tem peso
tem comprimento...
um grande amor é pesado como
a terra...
um grande amor é grande como
o firmamento...
um grande amor quando vivido
tem o eterno tempo.
Joaquim Vairinhos.
trago em minha mão
na palma gravadas
curvas lidas por sinas
de incompreensão
sulcos de solidão

trago no meu rosto
rugas de cansaço
inundam meus olhos
buscando no seu traço
leitos de rios navegados
cumplices de prazeres
na memória do tempo

trago na minha boca
o sabor amargo doce
dos teus lábios
feridos de solidão
marcados de ilusão
em ilusão.

Joaquim Vairinhos, in "Coisas do Coração", 2011

domingo, 24 de junho de 2018

Na encosta diminuta e suave que avisto de casa
segue a estreita estrada marcada pelas oliveiras
cobertas agora de brilhantes frutos negros que mais
tarde iluminam nossos corpos e nossas almas.
Vejo amigos elegantemente vestidos de negro
como sempre com sua gravata colorida
seus bicos laranja se destacam e debicam
na terra escura esverdeada coberta de frutos.
Revoam,
chilreando na passagem do velho carro
desafiando crianças compenetradas a caminho da escola,
que a hora silenciosa comanda.
Os melros pensam.
Janelas já se abriram. gatos espreguiçando-se
nos parapeitos espreitam a criançada. Sol sabe
que os anima. Dos vidros da janela observo
este bucolismo e silêncio a que pertenço. 

Café na cozinha traz cheiro distinto envolto
em fumos de curvas insinuantes que me associam
a momentos de tempos tropicais asfixiantes
reconfortantes sensuais.
Sabor na boca pensamentos na mente de café em café
me transporto para outros horizontes.
Outras gentes de sempre.
Joaquim Vairinhos, in "Confissões".



QUANTAS AVENIDAS TEM
TEU CORPO...MEU AMOR,
QUANTOS RIOS TÊM
TUAS VEIAS...MEU AMOR,
QUANTOS FOGOS TEM
TEU CORAÇÃO...MEU AMOR,
QUANTOS SORRISOS TEM
TUA BOCA...MEU AMOR,
QUANTOS OCEANOS TÊM
TEUS OLHOS...MEU AMOR,
TENS TUDO O QUE SABES
E,
MAIS O QUE DESCOBRI...
DESCONHECIDO EM TI.
JV

sábado, 23 de junho de 2018

...Olá amiga Belíndia !!!
Para que serve o sol...
se não vem
para que serve o mar
se não está
para que serve a lua
se não vê
para que serve desejo
se não tem
para que serve beijo
se não responde
para que serve amor
se não quer
para que serve dor
se não sente
para que serve a vida
se a tirou
deixando um vazio
no seu lugar...

© Joaquim Vairinhos