Um Sítio...Joaquim Vairinhos

Um Sítio...Joaquim Vairinhos
Poesia, Prosa e Música.

quinta-feira, 21 de junho de 2018


Aquela lua na aldeia da ilha
veste sombras nas esquinas das ruas
faz gigantes de palmeiras
pinta as águas de sereias
mergulha nas curvas bruscas
de tintas escuras
faz de inverno verão
hemisfério de outro mundo
rodeia-se de asas negras
perpétuas em línguas de fumo
saudosas de tempos que não virão.
© Joaquim Vairinhos, Rio,21/06/2013
se busco
definição para o amor
fico sempre
a meio caminho
entre o sentir
a memória
e o querer
que sentimento este
prende
baixa
ao nível de lençol
se eleva
no sublime
limbo da magia
espaço de vida
de sentimentos
dependentes do outro
atropelam prioridades
fundem prazeres
infinitos
quem és tu amor
que alimentas o ser
de dor e prazer
que fazes sempre
voltar a querer
joaquim vairinhos, in "...para que não digas que não falo de amor..." Março 2013.

quarta-feira, 20 de junho de 2018

A besaranha entra forte pela fresta da janela,
pela janela do mundo entram os candidatos a bestas
e não foram convidados
e não fazem falta nenhuma,
porque não os excomungas Francisco ?
eles que se apoderaram e usam as páginas da tua bíblia,
porque não envias teus santos, anjos e mártires
combater as feras que andam pelo mundo à solta e de garras afiadas.
Porque esperas irmão ?
Joaquim Vairinhos, 20/06/18.
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terça-feira, 19 de junho de 2018

Singapura
touro em louro
nunca visto em espumas
arrogantes certezas de fragilidades ignorantes
energúmenos derrubam portas
castelos
demolindo adquiridos bens
civilizações retrocedem
progressos de marcha a ré
precipícios de barbáries avistam-se
ao que chegámos !
no domínio dos deuses dos infernos : ardemos .
Joaquim Vairinhos.
Foto Carlosgrossini.blogspot.com

segunda-feira, 18 de junho de 2018


quando nasci não sabia ao que vinha(l)
terra sem doutores
com uma bisavô muito fina
pai na guerra nos Açores 
uma curiosa parteira Serafina
e mãe a gritar com dores
vai passar dizia a bisa
isso não faz mal
eu nada entendia...nada via
nada sabia mas que mãe gritava
sentia
a coisa ficou torta quando
me puxaram pela cabeça
escorreguei
agarraram-me pelos pés
nada mal...um bom rapaz
e vá de me dar palmadas
até que porra
comecei a berrar
tinha nascido nada mal
um mancebo em Portugal
com a benção de Deus
numa humilde casa
no centro de Loulé
só vim a saber que estava
em Portugal quando os adultos
se calavam à minha chegada
quando meu vizinho mais querido
foi preso de madrugada
quando minha mãe ficava em casa
enquanto meu pai votava
quando minha bisa
me avisava : evita esse teu amigo
mas era do Frank, húngaro,
que eu mais gostava...
Joaquim Vairinhos, in "Confissões"

novos corpos da via láctea
na via láctea
colocas
eternizas poros de pó
esculpes
rostos no espelho
de mármore de luas sem chama
amor virtual dilui-se no espaço
sem carne
sem lama
sem pedra
sem tempo
sem cama
quem és ?
joaquim vairinhos

sábado, 16 de junho de 2018

Silêncios quebrados na quietude da tarde
num ranger de águas escorridas entre pedras
hirtas, inamovíveis.
Quem os habita na similitude de sons vividos.
Braços ternos em aconchegos outonais
riqueza oferecida de tempos bafios,
minguas de carinhos amplificadores de fomes.
Onde moram solidões passadas que escorrem
nas rochas deslocadas de seus barrocais
em marés de sal inesperadas.
Que sentido dar às coisas plenas de segredos
nos intermináveis agitos dos tempos ?
Recolher em mergulhos profundos ao encontro de mim.
Joaquim Vairinhos, Quarteira,15/06/18.
Foto JV.