Um Sítio...Joaquim Vairinhos

Um Sítio...Joaquim Vairinhos
Poesia, Prosa e Música.

sábado, 9 de junho de 2018

E assim em tortos caminhos vou indo
Levitando em tapete de calhaus
Sempre pisando agrestes espinhos
Levando nos braços velhos amores
A contra gosto
De tudo a vida tem um pouco
Lutas liberdades esperanças
Mitos dogmas poesia promessas
Enredos desafios e tranças
Visto alegrias tristes com calma
Esperando a luz de sabedorias
Através das vidraças de minha alma
Saboreando as sementes dos dias
Às vezes pisando dores
Quero apenas viver e acreditar
Sabendo que tudo na vida tem dissabores
Das fraquezas das arestas faço minhas forças.
Joaquim Vairinhos
"...oceano que transporto no olhar invade teu doce rosto,
míriades de pirilampos entrelaçam rede de afectos
iluminando a mente, numa maré cheia de memórias
com nossos melhores sorrisos e encontros..".
jv.
Vejo o caniço abanar
no mais leve sopro de vento
interrogo meus deuses
profanos
que diabo de amor me deste ?
Tremes de sofrimento
reduzes-te ao lamento
e não cresces,
não lutas contra ao vento
como o frágil,
delgado verde tronco.
Que mundo queres ?
Do choro ? Das águas
em lágrimas que brotam
dos olhos verdes afogando
esperanças ?
Cresce...voa...
Para voar é sempre preciso
tentar.
Joaquim Vairinhos.
e tu não vens
nesta viagem sem tempo
nos grãos de areia
presos, em mãos entrelaçadas
nesta sintonia com lágrimas
contidas, recolhidas em espera
nestes sentimentos
que buscam horizontes
nos ventos
nestes olhos que perscrutam
oceanos pacíficos,
em marés doces
luas de amor precisam-se,
neste sol ardente que se derrete
em profundos verdes de esperança
e tu não estás.
Joaquim Vairinhos.

Natureza
Fecho os olhos,
retenho as curvas do teu rosto
plasmadas em fotos sublimes.
oh, olimpo de deuses, vazio,
que pretendem com tanta perfeição
escravizar-me à vossa deusa ?
Instigar-me ao sequestro
de tanta formosura,
dizei :
não me sufoquem,
não me manipulem.
a beleza que a vossa deusa emana
não é, sei bem, para natureza humana.
que esperais vós, que ela seja vossa ?
Olhem,
beleza perfeita não é obra de deuses, não.
é obra de perfeição da mãe natureza.
Joaquim Vairinhos, in “Maria”
Repouso corpo na polpa dos dedos
felicidade me invade
faz fluir calor de sol raptado num interior
pleno de paixões amores seduções ódios indecisões
sentimentos furtados
são pardais saltitantes sem canto
rodopiando em consoantes e vogais
constroem nos labirintos amálgamas
de versos cobertos de palavras necessárias
redescobrem-se na impenetrável estrutura semântica
na densidade absoluta do meu ser
voam para murais na vontade incessante
de dizer presente na partilha das redes sociais
assim crescem meus versos feitos sem destino
percorrendo rostos e rostos fazendo seu caminho.
Joaquim Vairinhos, in " Rio de Janeiro" - 2012.


Deitei relógio fora
para quê saber a hora certa
se a hora nunca acerta
uma hora …duas horas…vinte e quatro horas
a vida cheia de horas
uma mão cheia de desejos
uma vida cheia de demoras
sorrisos em minutos
amores aos pouquitos
desamores sem horas
deitei horas fora
acertei relógio pela batida
do coração numa vida sentida
minutos…dias…horas não passam
relógios a invenção
viver passa dentro de ti com a hora fora !
Joaquim Vairinhos.