Um Sítio...Joaquim Vairinhos

Um Sítio...Joaquim Vairinhos
Poesia, Prosa e Música.

sábado, 9 de junho de 2018


Natureza
Fecho os olhos,
retenho as curvas do teu rosto
plasmadas em fotos sublimes.
oh, olimpo de deuses, vazio,
que pretendem com tanta perfeição
escravizar-me à vossa deusa ?
Instigar-me ao sequestro
de tanta formosura,
dizei :
não me sufoquem,
não me manipulem.
a beleza que a vossa deusa emana
não é, sei bem, para natureza humana.
que esperais vós, que ela seja vossa ?
Olhem,
beleza perfeita não é obra de deuses, não.
é obra de perfeição da mãe natureza.
Joaquim Vairinhos, in “Maria”
Repouso corpo na polpa dos dedos
felicidade me invade
faz fluir calor de sol raptado num interior
pleno de paixões amores seduções ódios indecisões
sentimentos furtados
são pardais saltitantes sem canto
rodopiando em consoantes e vogais
constroem nos labirintos amálgamas
de versos cobertos de palavras necessárias
redescobrem-se na impenetrável estrutura semântica
na densidade absoluta do meu ser
voam para murais na vontade incessante
de dizer presente na partilha das redes sociais
assim crescem meus versos feitos sem destino
percorrendo rostos e rostos fazendo seu caminho.
Joaquim Vairinhos, in " Rio de Janeiro" - 2012.


Deitei relógio fora
para quê saber a hora certa
se a hora nunca acerta
uma hora …duas horas…vinte e quatro horas
a vida cheia de horas
uma mão cheia de desejos
uma vida cheia de demoras
sorrisos em minutos
amores aos pouquitos
desamores sem horas
deitei horas fora
acertei relógio pela batida
do coração numa vida sentida
minutos…dias…horas não passam
relógios a invenção
viver passa dentro de ti com a hora fora !
Joaquim Vairinhos.
Que sangue é o teu
de que massa é tua carne
que elásticos formam teus ossos
qual o cristal de teus olhos
que sentimentos te fazem sorrir,
se sucumbes fácil em doce rio.
Que te faz assim algarvio ?
JV.
Passei pelo espelho,
artefacto que serve sempre
para ver se estamos bem,
que nos devolve a imagem
de quem não está ...
coloquei os óculos bem pretos
e sorri
recordando conversa do vendedor,
daqueles melosos paquistaneses,
que me disse num sorriso de orelha a orelha :
têm sex appeal
que piada ...
perguntei se tinha perfume patchouly
sei o significado desta palavra
na sua linguagem
sorriu...
vesti pólo de desenhos com
palmeiras e bamboos
ajeitei os cabelos brancos da cor da lua
manhã promissora de céu azul claro
horizonte bem definido
num contraste com o azul marinho carregado
pensamentos planavam sobre as esplanadas sonolentas em direcção a ti
teu sorriso gaiato, tua simpatia
era o que naquele momento eu mais queria.
Joaquim Vairinhos, in "Amor", Quarteira.
Carta ao meu Amigo João :
Meu caro João,
obrigado pelas palavras sobre minha poesia.
Volto a enfatizar que não faço poesia para outros.
Escrevo pelo prazer e não sigo regras, nem escolas, nem críticas, não entendas como arrogância, é uma forma pessoal de encarar o acto da escrita.
Não pretendo nada.
Ser feliz escrevendo sem...amarras...lógicas...etc.
Foi assim que estive na vida até agora...e já não tenho tempo para ser outro...ou agradar aos outros,
excepção a quem me ama.
Vens com essas conversas de novo de que não te interessas pela política,
deixa-te disso,
viver é um acto político que praticas no teu livre arbítrio de escolha, de opção.
Vamos falando até porque há eleições no próximo ano de 2019.
Abraço.
Joaquim Vairinhos.
Epístola a um Amigo Luis.
Não posso
não quero
não desejo
mentir-te meu irmão
na utopia cresci na ilusão
sei quão é difícil fazer equilíbrios nas margens estreitas
da responsabilidade de promessas feitas
palavras vão no vento
e, se escritas nas areias da maré baixa são um momento
como queria teus desejos em realidades
como te admiro e sei tuas lutas pelo impossível
como te critico na dualidade do ser
como te apoio na possibilidade do estar
na íngreme encosta dos encargos
não sejas Sísifo no seu mito
mantém a persistência do querer é poder.
Joaquim Vairinhos.