Passa tão depressa o tempo no outono da vida
escorrem os dias pelas rugas da face
num encontro programado com as páginas adormecidas
mãos cansadas recolhidas libertam saudades, amores
amizades.
dores e mágoas são no corpo as manchas da caminhada
frutos maduros não tapam juventude
eterna sabedoria do amadurecimento da mente
sempre confinada aos limites dos homens
com a eterna questão sempre presente
para onde vão ?
joaquim vairinhos
falta-me ousadia
para escrever sobre a morte.
sobre a minha !
ouso a vida
a alegria. os amores. as saudades.
as tristezas
as injustiças. as deslealdades.
mas ela
a morte, a minha,
está sempre em minha companhia.
que coisa !
de noite e de dia.
tentei fazer um pacto
daqueles. olhos nos olhos.
rosas brancas.
velas e champanhe.
ela não tem tacto
não sorri !
fria.
calculista.
vem de vestido sem cor
sem abraços de amor.
porra, sem pudor
sussurra-me :
chegará o dia que vens a mim
farto desse mundo cruel
de erros.
omissões.
falsidades e traições !
sei que assim será.
sei que ainda a vou desejar.
amar nunca !
mas que me leve. sim !
joaquim vairinhos
Passavam apressadas e cinzentas.
Carregavam silêncios.
Estranhos nadas brilhavam nos olhos.
Umas corriam.
Outras talvez cansadas deslizavam.
Para onde iam naquele rio de pernas e braços.
Todas sabiam.
Eram normais os seus desejos.
Estranhos hábitos
aqueles quotidianos sem horizontes.
Asas para quê?
Toma o caos da vida. Toma a anarquia do sonho.
Mesmo sendo estranha a partida
cria a liberdade daquele outro caminho.
Joaquim Vairinhos.
Para quê esta tristeza que embala
qual vento manso entre folhagens
cansadas de verdes esperas.
Sempre aquele espanto de partidas
por muito adiadas sem tempo
na amassadura de nossas vidas.
Ser frágil na virtude do gosto
em condição humana cativo,
faz-se do dia vindo um arrepio.
Porque te vás nesta quietude
soalheira de verão
transportando sentimentos,
deixando dor e desalento.
Como este gosto de Agosto
ficou amargo e frio.
Será amor que se sente,
como chamar a esta dor
filha de filho ausente ?
Joaquim Vairinhos, 15/08/14.
Rainha ONU vai nua e insegura
feia...caminha cercada de ignomínia
sabe que fazer. Faz o que diz não querer.
Sabe que Israel não desiste
até a Palestina morrer :
crianças, velhos, doentes, mulheres
civis.
Que importa, são muçulmanos
carne que pouco conta
na geografia do seu poder.
Holocaustos não houve só um
quando netanyahu bombardeia
são escudos humanos que mata:
hospitais escolas
que se importa. É preciso
crimes de guerra julgar.
Rainha ONU vista-se.
Tenha vergonha!
Joaquim Vairinhos.
Tua cidade
(...a cidade onde quero ir...)
Um dia vou conhecer tua cidade
andar pelos caminhos que pisas
nas suas ruas desde tenra idade
encher-me dos sabores
dos aromas das flores
ouvir os risos das crianças
abraçar suas belas árvores
quero beijar na tua boca
a cidade que existe em ti
dizer como é linda
espelhada nos teus belos olhos
ondulada nos teus suaves cabelos
beber-te nos cálices tintos
embriagando-me em ti,
amando tua cidade
para que me ames a mim.
Joaquim Vairinhos, in "Confissões"
Acordar ao som de música suave de jazz
com cheiro a café nas narinas
calor entrando pelas gretas das cortinas
dedos suaves meigos esguios
penetrando madeixas de meus cabelos
que paraíso
difícil de acreditar nessas mordomias
ainda ontem soluçando me dizias
não
não me querias
que mudou
que transformação
seria a menstruação ou a tpm
algo foi que levou à discussão
sem nexo sem pudor
sem as regras do amor
contrariando o que anos
fomos alcançando
dia a dia com suor e amor nos amando
serei eu serás tu
qual dos dois não compreendeu
que viver a dois sem confusão
passa pelo dia a dia
mão na mão
olhos nos olhos
coração no coração
confesso
da noite não gostei
ao acordar …amei.
emílio casanova