Um Sítio...Joaquim Vairinhos

Um Sítio...Joaquim Vairinhos
Poesia, Prosa e Música.

domingo, 12 de outubro de 2014



Passavam apressadas e cinzentas.
Carregavam silêncios.
Estranhos nadas brilhavam nos olhos.
Umas corriam. 
Outras talvez cansadas deslizavam.
Para onde iam naquele rio de pernas e braços.

Todas sabiam.
Eram normais os seus desejos.
Estranhos hábitos
aqueles quotidianos sem horizontes.
Asas para quê?

Toma o caos da vida. Toma a anarquia do sonho.
Mesmo sendo estranha a partida
cria a liberdade daquele outro caminho.

Joaquim Vairinhos.

sexta-feira, 15 de agosto de 2014


Para quê esta tristeza que embala
qual vento manso entre folhagens
cansadas de verdes esperas.

Sempre aquele espanto de partidas
por muito adiadas sem tempo
na amassadura de nossas vidas.

Ser frágil na virtude do gosto
em condição humana cativo,
faz-se do dia vindo um arrepio.

Porque te vás nesta quietude
soalheira de verão
transportando sentimentos,

deixando dor e desalento.
Como este gosto de Agosto
ficou amargo e frio.

Será amor que se sente,
como chamar a esta dor
filha de filho ausente ?

Joaquim Vairinhos, 15/08/14.

sábado, 2 de agosto de 2014



Rainha ONU vai nua e insegura
feia...caminha cercada de ignomínia
sabe que fazer. Faz o que diz não querer.

Sabe que Israel não desiste
até a Palestina morrer :
crianças, velhos, doentes, mulheres
civis.

Que importa, são muçulmanos
carne que pouco conta
na geografia do seu poder.

Holocaustos não houve só um
quando netanyahu bombardeia
são escudos humanos que mata:

hospitais escolas
que se importa. É preciso
crimes de guerra julgar.

Rainha ONU vista-se.
Tenha vergonha!

Joaquim Vairinhos.

sexta-feira, 1 de agosto de 2014





Tua cidade
(...a cidade onde quero ir...)

Um dia vou conhecer tua cidade
andar pelos caminhos que pisas
nas suas ruas desde tenra idade

encher-me dos sabores
dos aromas das flores
ouvir os risos das crianças
abraçar suas belas árvores

quero beijar na tua boca
a cidade que existe em ti
dizer como é linda
espelhada nos teus belos olhos
ondulada nos teus suaves cabelos
beber-te nos cálices tintos
embriagando-me em ti,

amando tua cidade
para que me ames a mim.

Joaquim Vairinhos, in "Confissões"

quinta-feira, 31 de julho de 2014



Acordar ao som de música suave de jazz
com cheiro a café nas narinas
calor entrando pelas gretas das cortinas

dedos suaves meigos esguios
penetrando madeixas de meus cabelos
que paraíso
difícil de acreditar nessas mordomias

ainda ontem soluçando me dizias
não
não me querias

que mudou
que transformação
seria a menstruação ou a tpm

algo foi que levou à discussão
sem nexo sem pudor
sem as regras do amor

contrariando o que anos
fomos alcançando
dia a dia com suor e amor nos amando

serei eu serás tu
qual dos dois não compreendeu
que viver a dois sem confusão
passa pelo dia a dia
mão na mão
olhos nos olhos
coração no coração

confesso
da noite não gostei
ao acordar …amei.

emílio casanova


Parar o agito da erva
açoitada pelo vento da cidade,
acalmar vagas
arrastadas pelo vento do oceano,
mover pernas
desordenadas pelo desencanto,
esbracejar ramos de floresta
apontados para o horizonte,
morder ossos abandonados por
desinteressantes.

Comer a fome do amor
no fastio das jornadas,
beber a sede que refresca
nos oásis dos tempos
percorridos juntos
em abraços de oceano,
largo, de milhares de léguas,
encantamento de novos mundos,
nos sorrisos simples
de almas puras disponíveis.

Que longa caminhada
de caminhos sem estradas,
longe da luz das estrelas
frias no negro horizonte
desdizendo nossas esperanças,
hoje, sei de deusas desfazendo
amores impossíveis
que navegam na busca
de destroços de almas
cerzindo novos encontros.

Joaquim Vairinhos.
Foto de Tommy Ingberg, Race 2014.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Chet Baker ~ Every Time We Say Goodbye





Fim de tarde num deitar de sol

saído do mar nos pés areia
ainda tremula na despedida

palavras não fluem contidas no momento
brilha nos olhares o sonho exacto.
oh comunhão de som

every time we say goodbye,
alucinação de Chet Baker
em sorriso cúmplice de hi

até já

Joaquim Vairinhos, in " Nas Espumas do Verão ".