Parar o agito da erva
açoitada pelo vento da cidade,
acalmar vagas
arrastadas pelo vento do oceano,
mover pernas
desordenadas pelo desencanto,
esbracejar ramos de floresta
apontados para o horizonte,
morder ossos abandonados por
desinteressantes.
Comer a fome do amor
no fastio das jornadas,
beber a sede que refresca
nos oásis dos tempos
percorridos juntos
em abraços de oceano,
largo, de milhares de léguas,
encantamento de novos mundos,
nos sorrisos simples
de almas puras disponíveis.
Que longa caminhada
de caminhos sem estradas,
longe da luz das estrelas
frias no negro horizonte
desdizendo nossas esperanças,
hoje, sei de deusas desfazendo
amores impossíveis
que navegam na busca
de destroços de almas
cerzindo novos encontros.
Joaquim Vairinhos.
Foto de Tommy Ingberg, Race 2014.
Fim de tarde num deitar de sol
saído do mar nos pés areia
ainda tremula na despedida
palavras não fluem contidas no momento
brilha nos olhares o sonho exacto.
oh comunhão de som
every time we say goodbye,
alucinação de Chet Baker
em sorriso cúmplice de hi
até já
Joaquim Vairinhos, in " Nas Espumas do Verão ".
Na beleza
navegam os segredos do mundo
vislumbro tuas fotos
admiro teus vestidos
busco em teus adornos
o olhar
chego ao coração
sinto suas fontes
percorro suas rugas
inscritas de anseios
de esperanças e
de afetos
com poema cheguei
deixaste
percorri teu profundo
ser
haverá algo mais amoroso
do que o sonho
a esperança
o romance
os afetos
o amor
- todos os dias homens da ciência
falam da importância do amor nas nossas vidas -
sê uma pessoa que viva de amor
nos livros
nas melodias
nos filmes
nos raios brancos do luar
nos sons do vento na folhagem verde
na espuma branca do mar
no sorriso das crianças felizes
sabes,
ama-te a ti mesmo
para amares os outros, e
terás momentos de felicidade
alegria !
nos rios do teu olhar
viajo
busco
palavras para o poema…
Joaquim Vairinhos, in " Nas Espumas do Verão"
Onde está meu sono
quando me enfronho
nesse ser soberano
de espirituais deuses
onde a poesia
é carne e coração
que na mente divide :
prazer... sedução...
amor... separação...
em mágica unidade
de paraíso em inferno céu
onde está meu sono ?
quem me deu carne
esse jubiléu eterno
que de intemporal
alimenta os dias de amantes
nas mãos de deuses
nascidos de sementes
aladas nos espíritos
das gentes
quem me deu ?
onde está meu sono ? ... nas tuas mãos ?
Joaquim Vairinhos, in "Nas Espumas do Verão"
Cúmplices
quando se sente parte da alma
em conivência
sem conseguir compreender
e há tanto tempo !
estranha-se
quanto mais se entranha
se interroga
se recolhe
porquê… porquê...
esta busca permanente
tenta-se compreender
se conhecer
desde a adolescência
se percebe
a constante mudança
sem definição
excepto para algo
sem conseguir entender
desconstrução torna-se necessária
na busca da compreensão do inatingível
da não resposta
e eis que surge a cumplicidade irreal
a similitude de pensamentos...
sensações...desejos...fantasias…
quanto mais se penetra no Eu
mais profunda se torna a sombra :
quem somos...
donde viemos...
para onde vamos...
Joaquim Vairinhos, in "Nas Espumas do Verão".
Passeia-se ao sol como árvore sem copa,
evitando os corpos distendidos na areia escaldante.
Não perde tempo. Quer apanhar a maré viva
como uma gaivota na beira mar.
Vai nadar até poder. E quando parar já tarde
o sol e os corpos já se foram na quietude do luar.
Quando olha em frente não se sente,
transporta-se para outros momentos que já viu passar.
Joaquim Vairinhos, in "Nas Espumas do Verão".
Fim de tarde num deitar de sol
saído do mar nos pés areia
ainda tremula na despedida
palavras não fluem contidas no momento
brilha nos olhares o sonho exacto.
oh comunhão de som
every time we say goodbye,
alucinação de Chet Baker
em sorriso cúmplice de hi
até já
Joaquim Vairinhos, in " Nas Espumas do Verão ".