Um Sítio...Joaquim Vairinhos

Um Sítio...Joaquim Vairinhos
Poesia, Prosa e Música.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Chet Baker ~ Every Time We Say Goodbye





Fim de tarde num deitar de sol

saído do mar nos pés areia
ainda tremula na despedida

palavras não fluem contidas no momento
brilha nos olhares o sonho exacto.
oh comunhão de som

every time we say goodbye,
alucinação de Chet Baker
em sorriso cúmplice de hi

até já

Joaquim Vairinhos, in " Nas Espumas do Verão ".

sábado, 26 de julho de 2014



Na beleza
navegam os segredos do mundo

vislumbro tuas fotos 
admiro teus vestidos
busco em teus adornos
o olhar

chego ao coração
sinto suas fontes
percorro suas rugas
inscritas de anseios
de esperanças e
de afetos

com poema cheguei
deixaste
percorri teu profundo
ser

haverá algo mais amoroso
do que o sonho
a esperança
o romance
os afetos
o amor

- todos os dias homens da ciência
falam da importância do amor nas nossas vidas -

sê uma pessoa que viva de amor
nos livros
nas melodias
nos filmes
nos raios brancos do luar
nos sons do vento na folhagem verde
na espuma branca do mar
no sorriso das crianças felizes

sabes,
ama-te a ti mesmo
para amares os outros, e
terás momentos de felicidade

alegria !

nos rios do teu olhar
viajo
busco
palavras para o poema…

Joaquim Vairinhos, in " Nas Espumas do Verão"




Onde está meu sono 

quando me enfronho
nesse ser soberano 
de espirituais deuses
onde a poesia
é carne e coração
que na mente divide :
prazer... sedução...
amor... separação...
em mágica unidade
de paraíso em inferno céu

onde está meu sono ?

quem me deu carne
esse jubiléu eterno
que de intemporal
alimenta os dias de amantes
nas mãos de deuses
nascidos de sementes
aladas nos espíritos
das gentes

quem me deu ?

onde está meu sono ? ... nas tuas mãos ?

Joaquim Vairinhos, in "Nas Espumas do Verão"



Cúmplices

quando se sente parte da alma
em conivência
sem conseguir compreender

e há tanto tempo !

estranha-se 
quanto mais se entranha
se interroga
se recolhe

porquê… porquê...
esta busca permanente
tenta-se compreender
se conhecer

desde a adolescência
se percebe
a constante mudança
sem definição
excepto para algo
sem conseguir entender

desconstrução torna-se necessária
na busca da compreensão do inatingível
da não resposta

e eis que surge a cumplicidade irreal
a similitude de pensamentos...
sensações...desejos...fantasias…

quanto mais se penetra no Eu
mais profunda se torna a sombra :
quem somos...
donde viemos...
para onde vamos...

Joaquim Vairinhos, in "Nas Espumas do Verão".


Passeia-se ao sol como árvore sem copa,
evitando os corpos distendidos na areia escaldante.
Não perde tempo. Quer apanhar a maré viva
como uma gaivota na beira mar.

Vai nadar até poder. E quando parar já tarde
o sol e os corpos já se foram na quietude do luar.
Quando olha em frente não se sente,
transporta-se para outros momentos que já viu passar.

Joaquim Vairinhos, in "Nas Espumas do Verão".


Fim de tarde num deitar de sol
saído do mar nos pés areia
ainda tremula na despedida

palavras não fluem contidas no momento
brilha nos olhares o sonho exacto.
oh comunhão de som

every time we say goodbye,
alucinação de Chet Baker
em sorriso cúmplice de hi

até já

Joaquim Vairinhos, in " Nas Espumas do Verão ".

quinta-feira, 17 de julho de 2014



As pedras das palavras

Quando busco a palavra nas pedras
silêncio torna-se atroz 
mudas elas ficam
nas suas memórias seculares

resistem às intempéries
como ausentes
sofrem quedas e caladas
curtindo suas mágoas

gritam silêncios em longas
vagas
que só os poetas os sentem
muitas vezes envergonhadas

calam suas ilusões
sempre na esperança
de que seus caminhos
que protegem
e passos
que as percorrem
encontrem lucidez
na mente dos homens

que as pedras das palavras
sejam lidas
entendidas
por aqueles que as governam

Joaquim Vairinhos, "Tanta coisa para dizer"