Um Sítio...Joaquim Vairinhos

Um Sítio...Joaquim Vairinhos
Poesia, Prosa e Música.

sábado, 26 de julho de 2014



Fim de tarde num deitar de sol
saído do mar nos pés areia
ainda tremula na despedida

palavras não fluem contidas no momento
brilha nos olhares o sonho exacto.
oh comunhão de som

every time we say goodbye,
alucinação de Chet Baker
em sorriso cúmplice de hi

até já

Joaquim Vairinhos, in " Nas Espumas do Verão ".

quinta-feira, 17 de julho de 2014



As pedras das palavras

Quando busco a palavra nas pedras
silêncio torna-se atroz 
mudas elas ficam
nas suas memórias seculares

resistem às intempéries
como ausentes
sofrem quedas e caladas
curtindo suas mágoas

gritam silêncios em longas
vagas
que só os poetas os sentem
muitas vezes envergonhadas

calam suas ilusões
sempre na esperança
de que seus caminhos
que protegem
e passos
que as percorrem
encontrem lucidez
na mente dos homens

que as pedras das palavras
sejam lidas
entendidas
por aqueles que as governam

Joaquim Vairinhos, "Tanta coisa para dizer"

sexta-feira, 11 de julho de 2014


quero conhecer ainda que seja
um instante... teu sabor.
loucura minha este querer
baila com asas
no mais profundo sentimento.
se te imagino
num intenso silencioso olhar
apetece-me abraço terno
que nada fazia prever.
diz, dá um sinal,
quem sabe...
podes ser o meu bem querer.

Joaquim Vairinhos, in "Confissões"


Mastigo a vida nos dentes
Como quem come massa italiana
Nos tomates da existência.

Fico sem vontade de maldizer
Aqueles erros 
Que acumulo na consciência.

Porque ter em mim
Vida acelerando meu fim.
Será que amei demais?

Será que confrontei a paixão
Com querer… com desejo
Por viver nos limites?

Acelero meu princípio 
Que o importante é o presente
Que o passado já foi!

Espero futuro que nunca será.
No que acredito que te levarei
Comigo…maldito!!!

Joaquim Vairinhos

quarta-feira, 9 de julho de 2014


mulher

tuas mãos são pombas
brancas na paz

teus dedos são asas !

teus olhos lábios
voam no rosto

teus braços armas
prendem amores

doces berços !

tuas pernas são danças
abraçam desejos

sementes de esperanças !

na liberdade
voos de segredo

mãe mulher amante
água terra fogo ar

corpo alma
sempre presente.

Joaquim Vairinhos


Tarde de verão na falésia

O rasto de luz diluía-se na
espuma das pequenas ondas
de cor prata da maré vazia.

A toalha azul de riscas
aguardava pela chegada
da pele molhada.

Decorrida está metade da tarde,
vozearia jovem agita o mar
em sons quentes de verão.

No mergulho de olhos
fechados há aquele mundo
cheio de ruídos líquidos,

um intervalo entre quente e frio.
Silêncios e sons vazios
em mistura intemporal.

Contrabando de mundos
repassa na mente
em prazer fugaz contido.

Corpo desafiador
busca no sal do mar
momentos breves de bem estar.

Joaquim Vairinhos.

segunda-feira, 30 de junho de 2014



Acordei em Copa

Sol brincava com teus cabelos
senti seus longos dedos matinais
primaveris, acariciando meus olhos
sonolentamente preguiçosos, bocejei

na decisão, larguei lençóis,
teu calor e,
saí para a calçada bem pisada da
adorável Copacabana

misturei-me com todos aqueles cariocas
apressados em caminhar,
caminhar por caminhar
muitos deles sem olhar, a beleza do mar

eram carreiros humanos rotinados,
autómatos de formigueiro

e, tão belas ondas do mar ali,
tão perto do olhar

passei por Drummond
eternamente sentado,
por Dorival carregando seu violão,
o poeta e o músico deliciados
nas curvas belas das princesinhas do mar
que se lhes juntavam a fotografar

levantei o olhar para longe
fui até ao Pão de Açúcar
invocando deuses e Iemanjá,
lamentei a vã ilusão humana
quando não temos...queremos,
quando temos não vemos,

Copa bela Copa
beleza como a tua não há.

Joaquim Vairinhos, Maio 2013