Um Sítio...Joaquim Vairinhos

Um Sítio...Joaquim Vairinhos
Poesia, Prosa e Música.

sexta-feira, 11 de julho de 2014


quero conhecer ainda que seja
um instante... teu sabor.
loucura minha este querer
baila com asas
no mais profundo sentimento.
se te imagino
num intenso silencioso olhar
apetece-me abraço terno
que nada fazia prever.
diz, dá um sinal,
quem sabe...
podes ser o meu bem querer.

Joaquim Vairinhos, in "Confissões"


Mastigo a vida nos dentes
Como quem come massa italiana
Nos tomates da existência.

Fico sem vontade de maldizer
Aqueles erros 
Que acumulo na consciência.

Porque ter em mim
Vida acelerando meu fim.
Será que amei demais?

Será que confrontei a paixão
Com querer… com desejo
Por viver nos limites?

Acelero meu princípio 
Que o importante é o presente
Que o passado já foi!

Espero futuro que nunca será.
No que acredito que te levarei
Comigo…maldito!!!

Joaquim Vairinhos

quarta-feira, 9 de julho de 2014


mulher

tuas mãos são pombas
brancas na paz

teus dedos são asas !

teus olhos lábios
voam no rosto

teus braços armas
prendem amores

doces berços !

tuas pernas são danças
abraçam desejos

sementes de esperanças !

na liberdade
voos de segredo

mãe mulher amante
água terra fogo ar

corpo alma
sempre presente.

Joaquim Vairinhos


Tarde de verão na falésia

O rasto de luz diluía-se na
espuma das pequenas ondas
de cor prata da maré vazia.

A toalha azul de riscas
aguardava pela chegada
da pele molhada.

Decorrida está metade da tarde,
vozearia jovem agita o mar
em sons quentes de verão.

No mergulho de olhos
fechados há aquele mundo
cheio de ruídos líquidos,

um intervalo entre quente e frio.
Silêncios e sons vazios
em mistura intemporal.

Contrabando de mundos
repassa na mente
em prazer fugaz contido.

Corpo desafiador
busca no sal do mar
momentos breves de bem estar.

Joaquim Vairinhos.

segunda-feira, 30 de junho de 2014



Acordei em Copa

Sol brincava com teus cabelos
senti seus longos dedos matinais
primaveris, acariciando meus olhos
sonolentamente preguiçosos, bocejei

na decisão, larguei lençóis,
teu calor e,
saí para a calçada bem pisada da
adorável Copacabana

misturei-me com todos aqueles cariocas
apressados em caminhar,
caminhar por caminhar
muitos deles sem olhar, a beleza do mar

eram carreiros humanos rotinados,
autómatos de formigueiro

e, tão belas ondas do mar ali,
tão perto do olhar

passei por Drummond
eternamente sentado,
por Dorival carregando seu violão,
o poeta e o músico deliciados
nas curvas belas das princesinhas do mar
que se lhes juntavam a fotografar

levantei o olhar para longe
fui até ao Pão de Açúcar
invocando deuses e Iemanjá,
lamentei a vã ilusão humana
quando não temos...queremos,
quando temos não vemos,

Copa bela Copa
beleza como a tua não há.

Joaquim Vairinhos, Maio 2013

domingo, 29 de junho de 2014


nunca soube seu nome
se era de planta pássaro ou lugar
sei que tinha silêncio de 
melancolia cintilante nas íris do olhar

talvez maria 
como o oiro do trigo
nos lábios da terra
alentejana

quem sabe isabel
nesse profundo olhar
da sombra do vento
que passa nas tardes
redondas do sol pôr

apertei suas mãos
como se fossem novelos de lã
levei-as aos lábios
como se acaricia água cristalina
da fonte ou a pele suave
de criança

soltei seus dedos
para a liberdade das palavras
que dançaram
na magia do momento

soletrei esses versos
como estrelas
na cadência das batidas
de sangue invadindo como chuva
a planície do ventre

nuvens de seda
brotavam dos lábios
em murmúrios cúmplices
de areia
invadida pela energia
das ondas brancas
da maré cheia

a deusa que julguei ausente
viajou na brisa suave
de espumas livres
nas esquinas da mente

Joaquim Vairinhos, in "Confissões"
Foto de Fernando Romão-Seara Alentejana.

correm aqueles pêndulos
em suas pontas de marfim

inscrevem nas águas
palavras ditas sem fim

são seios de verdes folhas
castrados em prazeres de lágrimas

são lábios em ramos de cetim
rios de florestas sem mágoas :

se corpos se liquefazem
nas tranças molhadas

se bocas bebem fogos
daqueles mares de oceanos

se chuvas cobrem sombras
dos princípios iluminados

são cenários de alma
naquela busca eterna de mim.

Joaquim Vairinhos