Um Sítio...Joaquim Vairinhos

Um Sítio...Joaquim Vairinhos
Poesia, Prosa e Música.

quarta-feira, 9 de julho de 2014


mulher

tuas mãos são pombas
brancas na paz

teus dedos são asas !

teus olhos lábios
voam no rosto

teus braços armas
prendem amores

doces berços !

tuas pernas são danças
abraçam desejos

sementes de esperanças !

na liberdade
voos de segredo

mãe mulher amante
água terra fogo ar

corpo alma
sempre presente.

Joaquim Vairinhos


Tarde de verão na falésia

O rasto de luz diluía-se na
espuma das pequenas ondas
de cor prata da maré vazia.

A toalha azul de riscas
aguardava pela chegada
da pele molhada.

Decorrida está metade da tarde,
vozearia jovem agita o mar
em sons quentes de verão.

No mergulho de olhos
fechados há aquele mundo
cheio de ruídos líquidos,

um intervalo entre quente e frio.
Silêncios e sons vazios
em mistura intemporal.

Contrabando de mundos
repassa na mente
em prazer fugaz contido.

Corpo desafiador
busca no sal do mar
momentos breves de bem estar.

Joaquim Vairinhos.

segunda-feira, 30 de junho de 2014



Acordei em Copa

Sol brincava com teus cabelos
senti seus longos dedos matinais
primaveris, acariciando meus olhos
sonolentamente preguiçosos, bocejei

na decisão, larguei lençóis,
teu calor e,
saí para a calçada bem pisada da
adorável Copacabana

misturei-me com todos aqueles cariocas
apressados em caminhar,
caminhar por caminhar
muitos deles sem olhar, a beleza do mar

eram carreiros humanos rotinados,
autómatos de formigueiro

e, tão belas ondas do mar ali,
tão perto do olhar

passei por Drummond
eternamente sentado,
por Dorival carregando seu violão,
o poeta e o músico deliciados
nas curvas belas das princesinhas do mar
que se lhes juntavam a fotografar

levantei o olhar para longe
fui até ao Pão de Açúcar
invocando deuses e Iemanjá,
lamentei a vã ilusão humana
quando não temos...queremos,
quando temos não vemos,

Copa bela Copa
beleza como a tua não há.

Joaquim Vairinhos, Maio 2013

domingo, 29 de junho de 2014


nunca soube seu nome
se era de planta pássaro ou lugar
sei que tinha silêncio de 
melancolia cintilante nas íris do olhar

talvez maria 
como o oiro do trigo
nos lábios da terra
alentejana

quem sabe isabel
nesse profundo olhar
da sombra do vento
que passa nas tardes
redondas do sol pôr

apertei suas mãos
como se fossem novelos de lã
levei-as aos lábios
como se acaricia água cristalina
da fonte ou a pele suave
de criança

soltei seus dedos
para a liberdade das palavras
que dançaram
na magia do momento

soletrei esses versos
como estrelas
na cadência das batidas
de sangue invadindo como chuva
a planície do ventre

nuvens de seda
brotavam dos lábios
em murmúrios cúmplices
de areia
invadida pela energia
das ondas brancas
da maré cheia

a deusa que julguei ausente
viajou na brisa suave
de espumas livres
nas esquinas da mente

Joaquim Vairinhos, in "Confissões"
Foto de Fernando Romão-Seara Alentejana.

correm aqueles pêndulos
em suas pontas de marfim

inscrevem nas águas
palavras ditas sem fim

são seios de verdes folhas
castrados em prazeres de lágrimas

são lábios em ramos de cetim
rios de florestas sem mágoas :

se corpos se liquefazem
nas tranças molhadas

se bocas bebem fogos
daqueles mares de oceanos

se chuvas cobrem sombras
dos princípios iluminados

são cenários de alma
naquela busca eterna de mim.

Joaquim Vairinhos

segunda-feira, 17 de março de 2014



e havia maria

e havia a taça de vinho tinto
entre a toalha de renda branca
e o brilho do teu olhar. lunar.

e havia tudo em emoção, naquele
doce palavrar. era de coração,
para coração ao som da música no ar.

e havia aquele arrastar envolvente. do jazz,
dando melodia ao ambiente. não parava de
te olhar.

e havia minha mente construindo
este ato, naquele lugar. por mais fantasia
que fosse. era lá contigo.

que queria estar.

emilio casanova, in "Só & Cia"


naquele lugar

e percebi que há mais primavera,
nos grãos de areia da praia. em suas dunas
de músculos de espuma. de manhã quando
me levanto. bem cedo.

e caminho por ela acariciando meus pés frios.
a solidão não me embarga a garganta,
a comoção não faz brilhar meus olhos.
a tua lembrança que me acompanha. sim.

sem querer viver outonos em primaveras
de sonhos. percebo que há mais vida nas palavras,
nas rosas vermelhas sem enganos. nos cravos
que alimentei na esperança durante anos. e anos.

chegam os dias de sol com sua doçura.
os perfumes e os cantos das aves que me guiam,
na luzidia claridade de novos dias,
são minha companhia. na permanência dos instantes.

março vai deixando abril chegar. nuvens vão
esfarelando o horizonte. trinados e risos
enchem o pátio. pergunto como chegar.
aquele lugar onde. sem defesas, sem rosas.

não sei voltar. ser pleno é mito. ser feliz é sonhar.

joaquim vairinhos, in "Só & Cia"