Um Sítio...Joaquim Vairinhos

Um Sítio...Joaquim Vairinhos
Poesia, Prosa e Música.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013



Joaquim

Passa das seis você deve estar na cama
A noite visita você cedo na canseira do seu dia
Sua mãe tem pressa para seu acordar
São muitas as tarefas a ter em conta

Com palavras de confiança você se prepara
Colégio na mente cheia de lembranças
Ao longe o tempo que não passa
Aqui ele corre em água fria na espuma

Dos olhos cerrados soam vozes que apressam
Toalha roupa cobre seu corpo
Num café e bolo maltratado assobia :

Ah! Meu pai, como você demora
Nessa terra portuguesa de meus avós
E eu aqui neste Rio que me preenche
Ainda mais um dia…

Joaquim Vairinhos, 06/11/13

terça-feira, 5 de novembro de 2013



Ser português

O mar de sono que submerge
me enterra neste fado
é parte do meu quotidiano
de carne e ossos num corpo amassado.

Quem o acode, quem o sacode 
em veleiro naufragado
deste sono que se aproxima, profundo
em fins de vida intensa
com teorias, dogmas e poesias,
e outras coisas deste mundo.

Quem me salva deste único caminho
servidão marcada no destino
que enraíza nesta terra sem pão,
sem chão, sem grão,
onde germinam braços de solidão.

Joaquim Vairinhos

sábado, 2 de novembro de 2013


Até quando me enfronho
nesse ser soberano 
de espirituais deuses, 
onde a poesia
é carne e coração
que na mente divide :

prazer... sedução
amor... separação
em mágica unidade
de paraíso em inferno céu.

Quem te deu carne
esse júbileu eterno
que de intemporal
alimenta os dias de amantes
nas mãos de deuses
nascidos de sementes
aladas nos espíritos
das gentes.

Quem te deu ?

Joaquim Vairinhos

Não me deixes só

em madrugadas de sombras
a liberdade do abandono
triste é como as cadeias da obrigação

se me fazes falta
na dança dos ponteiros
agarro a esperança

se percebes que sou uma ilha
neste deserto de oceanos
navega nas quilhas das gaivotas

alimenta minha sede
com essas lágrimas de pérolas
na água dos teus olhos

fazes-me falta
não navegues para longe
outra vez…

Joaquim Vairinhos, in "No jardim dos Deuses"


Corpos nus
almas cheias
entramos no deserto
onde calor afoga
mata desejos
tolhe movimentos
evita esforços
obriga reflexão.

Descida aos infernos
das mentes
caminhada dolorosa
na busca de oásis
verdes com frutos
silvestres
no horizonte.

De miragem em miragem
faz-se um caminho
na procura das delícias
de corpos frescos
concebidos para o amor.

Desérticos marchamos
sempre na conveniência
das delícias de encontros
construídos nos corações
sensíveis aos encantos
de corpos quentes
na ânsia de sobrevivermos
nos sentimentos.

Só o amor é redentor
refresca o dia
aquece a noite
adormece ao meia dia
no torpor longínquo
duma esperança
que se faz na tarde.

Joaquim vairinhos, in "No Jardim dos Deuses"

segunda-feira, 21 de outubro de 2013


Como apetece balançar
meus pés
dentro de teu bojo 
gasto por longas
fadigas

sentir na pele
as doces maresias
salgadas
nos suores noturnos
de músculos
tendões e sonos
de pescadores

viajar na maré
azul do teu casco
desbotado
pelas garças brancas
inquilinas
de tuas tardes de
sol

descansar
meu pensamento
ferido
pela crueldade
desse burburinho
aterrador
de fim de tarde
da nossa cidade

bela chata azul
da ilha

minha vizinha.

Joaquim Vairinhos, in "Diário da Ilha de Paquetá, Rio de Janeiro"

sábado, 19 de outubro de 2013

Beijos
quentes para o teu dia
vejo-me
com minha face entre teus seios
mornos
sedosos...acariciadores...
sinto-me subindo suas encostas
docemente
demoro a subida
saboreando odores
regresso ao vale dos encantos
com o prazer na mente
não me canso de subir
e descer
em tão formoso romance
ansioso momento de chegar
ao cume dos sentidos
envolvido no sopro dos teus ais
que me cerram cílios
para poder saborear
nos olhos
na pele
todo o gosto que passa
pelos lábios... pela boca...
pela língua
pelos dentes
leve sono atravessa sombras
na paragem anunciadora
de novos caminhos
por nós desejados
queridos
desaguam em oceanos de paraísos
envolvidos num delta
verdejante de esperança
em simbiose de encantamento
como será bom este despertar
este começar o dia
nesta sempre doce e maravilhosa
magia
que é o amor...

assim Picasso desenhou beijos mornos.

Joaquim Vairinhos