Um Sítio...Joaquim Vairinhos

Um Sítio...Joaquim Vairinhos
Poesia, Prosa e Música.

sábado, 19 de outubro de 2013


um sábado de esperança

estou em vila moura
olhando as bagas da chuva

ouvindo sua melodia
em janelas de vidro

água sentida
derramada na terra

folhas em plantas de nuvens
escorregam para o mar

banham rios e lagoas
inunda consciências

neste meu acordar.
daqui não saio...

JV, 19.10.13

sábado, 12 de outubro de 2013



Beijo o sonho que pode esmorecer
escondido na sombra da noite

espera é única certeza
doce será o dia do encontro

talvez num Verão
a ver o sol se deitar com sua amada

na boca da praia costas na areia
olhos no recorte dos céus

sentir a sereia
beijar as ondas dos lábios

navegar ao ritmo da brisa
correr no sangue as lembranças

imagens de coxas e tranças
prendem…atam …desatam…enrolam

brisa de palavras em ponte
de lá para cá de lado nenhum

esperança nesse vai vem eterno
de colunas amarradas ao sublime prazer de ler

imaginar o que seria fazer acontecer
sem perder a fé num encontro

que dia vai ser o sonho
que noite teima em não acordar…

Joaquim Vairinhos, in "Na Espuma das Palavras".

domingo, 1 de setembro de 2013


slowly 
really slowly 
I breath air of your mouth 
your sky 
belongs to me
in cotton clouds
of sweet blue sky

who has brought
this calm sea
that agitates itself 
filling in the tidal wave
raises to my rivers 
searching its margins
in the delta
in the vertigo 
of your womb

when you feel me
in the tidal wave
it starts raining in the temple 
without a moment 
to retreat 
life thunderstorm
regrows

joaquim vairinhos
tradução : Helena D'Alpoim

Cumplicidades

Pois é...

é por isso
que me recolho
leio...escrevo...sonho...
cozinho...bebo...
mergulho...
amo as coisas simples...
vegeto entre pensamentos...
bailo com palavras
navego mares marcianos...
busco perceber
quem são meus cúmplices
neste espaço de encontros
nos tempos de hoje
que também são meus tempos

onde estão meus cúmplices

como preciso deles...

Joaquim Vairinhos

domingo, 18 de agosto de 2013


Que vozes são estas
não de demónios
de homens que se julgam anjos,
e se perdem todos os anos
nas pedras quentes
de um pontal adjetivado
como enorme prego
que atravessa consciências
nas dimensões que vivemos
resistimos e sofremos,
com aqueles coros de todos
que recusamos.
Que pontal é esse disfarçado,
mascarado que não tem uma voz de
perdão pelas palavras em promessas
que constroem a ilusão.
Que pontal é este que de descontentamento
faz a festa sobre ossos e restos
de cabelos pardos, peles secas,
olhos fundos.

Joaquim Vairinhos, 17/08/2013

sábado, 17 de agosto de 2013


Como são belas as palavras
quando queremos brindar alguém que nos toca,
dançam em chamas naquele planalto bem alto
onde nascem, vivem e morrem os prazeres
que se alcançam quando sobem os desejos
nas encostas de solitárias montanhas,
sorrisos acompanham as faces na subida,
certezas escorrem pelos vales da descida
amparadas em deleitosos amores,
construídos nos carinhos dos versos
arrumados em ramos das mais simples flores
caminhamos nas belas palavras...

Joaquim vairinhos


sexta-feira, 9 de agosto de 2013



mulata,
ao tempo teus olhos
de branco pinto
no ar da cor
que da paleta saltou
na pele que se fez
calor

quem te perdeu
amor buscou...

mulata,
ao tempo teus seios
de moreno pinto
no cheiro absorvente
de um corpo de frutos
feito alimento

quem te buscou
amor recebeu...

mulata,
ao tempo teus prazeres
de fogo pinto
no desejo ansioso
de um romance
quase infinito

quem te amou
amor encontrou...

Joaquim Vairinhos, in "Paleta de Amores", Rio 2013.