Um Sítio...Joaquim Vairinhos

Um Sítio...Joaquim Vairinhos
Poesia, Prosa e Música.

terça-feira, 9 de julho de 2013


porque marilyn não amou pessoa

ela não sabia
nem podia imaginar
o que fazia despertar nele
se soubesse deveria tentar
amar, aquele homem discreto
às vezes ausente
não porque ele o quisesse
parecer
era assim sua índole
afastado reservado
mas dentro dele
era um vulcão
em ebulição por aquela
mulher que nada fazia
para corresponder :
nem sorriso nem olhar
de desprezo sequer
nem cumprimento
pensar não resolvia
era preciso atuar
assim um dia
abordou a senhora
com bons modos,
e delicadas maneiras
ao qual ela correspondeu
sem descortesia
referindo-lhe simplesmente
com verdade
que o amor não escolhe
quem amar,
ela não tinha por ele
sentimento e nada
servia tentar porque
o amor quando se tem
por alguém é dádiva
que se deve guardar
cuidar, e enriquece
quando se é
correspondido...

e, assim fernando em pessoa
não amou mais ninguém...



emilio casanova
© Joaquim Vairinhos
(Ao abrigo direitos de Autor)

Dos Cânticos (XI)

se teus olhos, amor, restam húmidos
por ti ficarei num suave abandono,
quero-te segura, e certa sem pudor

como tu queiras viver esta devoção
seguirei meu destino abraçando tuas lágrimas,
afugentando medos de olhares e raiva

na nobreza de tua pele, entreaberta,
me entregarei ao calor de tua ternura,
sossegando na minha boca teus lábios tépidos

será na dureza da vida que nos iremos salvar...

emilio casanova
© Joaquim Vairinhos
(Ao abrigo direitos de Autor)

segunda-feira, 8 de julho de 2013

teu nome




se lembro teu nome
esqueço meu endereço,
memórias que me deste
nas folhas escritas dum poema
que não terminaste
vagueiam entre céu e mar
naquela linha sem colina.
parti porque não mereço
esquecer tua saudade,
mastigo os versos que não acabaste
num sem tempo de harmonia.
como doem as palavras não ditas,
como ferem verdades caladas,
como são malditas as ideias
quando mergulham em vãs esperanças,
nas cores das pétalas já murchas.


emilio casanova
© Joaquim Vairinhos
(Ao abrigo direitos de Autor)


não se pode falar :
os tectos estão baixos

quantas vezes
sussurávamos

não se pode falar :
as paredes têm ouvidos

quantas vezes
nos vigiávamos

hoje, democratas
os ouvidos estão tapados

para que serve gritar



emilio casanova
© Joaquim Vairinhos
(Ao abrigo direitos de Autor)

sábado, 6 de julho de 2013

...


Somos seres animados :
há os que se movem
há os permanentes sem mudar de lugar
todos em função
ligados na rede necessária
mulher homem árvores flores
cão gato mosca macaco
com sapato chapéu vestido calças
sem sapato.
Somos ilustrações do texto
no contexto do próprio texto
construído com palavras
sinais movimentos
afectos pensamentos.
Somos vida na essência do não existir
existindo.
Viajantes infinitos correndo pelo vento
pelo sol pelo dia pela noite
na busca da aurora que acorrente
anéis da liberdade imanente.
Somos seres geminados buscando
a divindade da vida construída
na simplicidade de coexistir.

Joaquim Vairinhos

um dia no Rio



um dia no Rio...

gentileza atrai : não é assim ?

navio quando entra de manhã
no porto da cidade
velas das janelas têm outra cor
sol bate nelas chamando

gentileza atrai : não é assim ?

livros e capas coloridas
chamam a atenção
de leitores desprevenidos
em busca de palavras

gentileza atrai : não é assim ?

burburinhos formigueiros
enchem calçadas e passeios
restaurantes bares e tabernas
convidam ao prazer dos cheiros

gentileza atrai : não é assim ?

saídas ao cair da tarde
têm outra animação
se iluminam velhas ruas da cidade
dançando e bebendo melodias

emilio casanova

sexta-feira, 5 de julho de 2013

chuvas


correm aqueles pêndulos
em pontas de marfim
inscrevem na água
palavras não ditas

seios nas folhas
prazeres nas lágrimas
lábios em ramos
rios sem mágoas

corpo se liquefaz
na trança molhada
bocas bebem fogos
daquele mar de oceanos

que chuvas cobrem


emilio casanova
© Joaquim Vairinhos
(Ao abrigo direitos de Autor)