levanto-me e volto a sentar-me
defronte desse mundo inteiro
olho para a janela branca
respiro e penso como se escrever
fosse caminho da vida alimento do corpo.
cada passo que tropeço espanto-me
com tantas faces que elas têm
muitas já vistas já gastas já velhas
sempre novas sempre bonitas
noutras formas de harmonia.
prendem-me na cadeira
na mesa onde os homens comem
convivem e bebem
devoram-me nos seus labirintos
quando cansadas deitam-me fora.
principiei a escrever no outono
de meu mundo desenhei com elas
coisas afrodites e para que não digas
que não falo de amor procurei
essa coisa rara da sabedoria :
a simplicidade das palavras.
emilio casanova
© Joaquim Vairinhos
(Ao abrigo direitos de Autor)
pela metade se vive,
quantas vezes basta um quarto
pequeno, espaço de amor vibrante
de cor sem todos os sonhos.
são intensos os gestos que traçam
curvas abertas nos passos lentos
das chegadas.
apagam vontades em construção :
caprichos
desejos
celebrando mundo insubmisso
de projetos calculados.
as tintas que pintam a vida
não têm as cores escolhidas,
nem subtileza
nem leveza
nem fantasias
muitas vezes as mais incompatíveis.
despe-se a pele de :
receios
mágoas
medos,
agarra-se na mão migalhas
de bons momentos seguros.
não vá o diabo tece-las...
emilio casanova
© Joaquim Vairinhos
(Ao abrigo direitos de Autor)
como esses olhos têm mar
ondas de tristeza sofrida
saudade de saudades
em areias finas.
como esses olhos têm mar
no verde salgado de lágrimas
repetidas em dias felizes
nas horas da chegada.
como esses olhos têm mar
marés de abraços de algas
alimento de paz nas horas calmas.
como esses olhos têm mar
nas tardes ansiosas de espera.
emilio casanova
© Joaquim Vairinhos
(Ao abrigo direitos de Autor)
olhos
soltar a liberdade que existe em ti,
quem sabe, descobrir um paraíso
onde teus olhos são estrelas.
prender os cabelos da aurora,
quem sabe, amanhecer na luz
onde teus olhos são sol.
sonhar nos mármores de um luar,
quem sabe, encontrar tua alma
onde teus olhos são espelhos.
cantar nos braços de uma criança,
quem sabe, recordar saudade
onde teus olhos são esperança.
emilio casanova
© Joaquim Vairinhos
(Ao abrigo direitos de Autor)
terra sagrada
de crinas florindo
trigo em pão
uvas em vinho
pastando na pradaria
bela é a natureza
suas filhas
de lábios maduros
farinha no ventre
éguas de longas
tranças crescem
como se aninham
guardando
no brilho das espigas
de fêmeas
as esperanças
mães amantes
como seduzem
natureza
nas filhas
lindas
emilio casanova
© Joaquim Vairinhos
(Ao abrigo direitos de Autor)
as gaivotas brancas e pretas
são livres
prendem-se nestas fotos
penas, patas, bicos,
olhos, ouvidos, cabeças,
asas e gritos
filhas da areia
passeiam nas rendas do mar
adoram o pôr do sol
lá estão elas
nas praias da Quarteira
joaquim vairinhos, in " As minhas fotos"
Poeta
ser poema, e não poeta
belo desafio esse
viveres como poesia
desde o dia que nasceste
ser luar, e raio de sol
batida de asas de beija-flor
ser flecha de cupido
muito melhor
que escrever de improviso
ser seiva de caule florido
olhar de criança
calor de casal amante
sangue de touro enraivecido
muito melhor
que palavras sem sentido
onde vais tu poeta?
és caminho passageiro, viajante
és nuvem deslizando
emilio casanova
© Joaquim Vairinhos
(Ao abrigo direitos de Autor)