Um Sítio...Joaquim Vairinhos

Um Sítio...Joaquim Vairinhos
Poesia, Prosa e Música.

segunda-feira, 3 de junho de 2013


quis provar teus lábios naquela tarde dia
quando a lua se apresenta
e sol ausenta
no anúncio de estrelas chegando

como brilhavam teus lábios
quando se entregaram
tinham gotas de orvalho de manhãs de primavera
cor de romãs maduras
sabor do mel das florestas

como se fecharam teus olhos
quando minha boca chegou
abrindo caminho entre rios crescendo
naquele terno desejo sempre fugaz
de felicidade efémera que não satisfaz

de manhã sol nasceu brilhando no teu olhar

emilio casanova

domingo, 2 de junho de 2013




Hoje queria muito fazer uma viagem 
sem rumo, pensar por aí sem muros
passar por ali sem preconceitos,
conversar em silêncios de sabedoria,
ver perfeitos lugares na imaginação
de olhares e sorrisos infantis,
sentir a magia da ingenuidade de quem
está no nascer do dia, colher aquela flor
rara e simples, sem guarda jardineiro
que nasce na várzea o ano inteiro,
com cor de mistério por desventrar.
Hoje queria muito fazer uma viagem,
mas é domingo, ao domingo regresso a casa.

joaquim vairinhos

sábado, 1 de junho de 2013



que faria se estivesses na minha intimidade
só com tua pele e tua roupa
não sei por onde começaria talvez por beijar tua boca
apertar tua cintura deixar minha mãos correr
numa louca ansiosa procura pelo teu sexo
para sentir nascer a fonte desse prazer que anseio
talvez morder tua língua ou quem sabe teus lábios
ou teu pescoço lambendo tuas orelhas
ah! mas não esqueceria teus seios
seus bicos duros morderia como amendoim doce
numa saliva de mel com sabor de amor
não sei por onde começaria na hora tudo acontece
mas de certeza que te despiria para nosso conforto
e sentir tua pele no calor do meu corpo


emilio casanova



(...a todas as que habitam
na pobreza...)


Era uma casa também engraçada,
não tinha janelas
nem quartos nem cozinha,
casa de banho também não tinha.

Havia nela um paraíso
onde menino sonhava
e voava. Um sótão escurecido
escondido ao cima da escada.

Ali planava em papel de jornal
num arame enrolado,
coberto pelas velhas revistas
da Manchete brasileira
americanizada.

Caças, bombardeiros
histórias da guerra acabada
que recuperavam no sobrado.

Amigos vinham ver aquele
oásis plantado em casa pobre,
viajando no tempo
devorando distâncias
acompanhando flash gordon
na imaginação de crianças.

Joaquim Vairinhos, in "Largo da Graça, 34"

sexta-feira, 31 de maio de 2013



Pelos caminhos das palavras
constroem-se sonhos,
amores.

Nos acordes dos pesadelos,
ódios mastigam intrigas.

Lavras desejos,
adormecidos no tempo,
cobertos de medos.

Belos os anseios
que ligas a fantasias.

Vida cresce
entre os dedos da gente,
esperança em chama
que não alimenta segredos,
devora sim.

Quem adora.

emilio casanova

terça-feira, 28 de maio de 2013


Caminhando e pensando, dirigiu-se à redacção do Notícias da Terra.
- Então foi você que descobriu o homem ? – sussurrou uma voz interrogativa, mal abriu a porta do seu gabinete de trabalho. Surpreso procurou descortinar na sala escura o intruso que o questionou. – Deduzo que seja agente da judiciária – proferiu incomodado com a presença de um estranho no seu reservado gabinete, tentando perscrutar o rosto desconhecido. Tiago não se estava a sentir bem por aquela atitude impertinente do policial, mas era assunto para falar com Francisco, mais tarde.
- E você quem é – interrogou com um tom de voz nada amistoso.
O agente disse quem era pedindo desculpa pela forma pouco diplomática de aguardar sua chegada no seu gabinete.
- Sabe, não costumo encontrar estranhos no meu espaço privado - mas já que está, diga ao que veio, pois tenho muito que fazer - acrescentou com algum azedume na voz.
- Fui destacado para investigar o caso do milionário, cujo corpo você encontrou na praia – disse o policial com ar sereno procurando quebrar o gelo entre eles.
- Ah!, sim, e que quer saber concretamente ? – questionou  Tiago dirigindo-se à janela para abrir um pouco a cortina de forma a ver bem o rosto do seu interlocutor. - Simples questionário de rotina – afirmou o agente erguendo-se da cadeira, levando a mão esquerda à orelha, ajeitando os piercings.  Colocadas algumas questões de rotina que Tiago rapidamente respondeu, o agente dirigiu-se para a porta, - e, desculpe minha intromissão – quando precisar é só ligar - deixo-lhe aqui o meu cartão – exclamou, batendo no seu ombro com um ar familiar.
- Bom resultado na investigação – desejou à laia de despedida. Tiago estava a ficar nervoso e estressado, “até ao momento nada tinha escrito sobre o caso, pouco sabia sobre a investigação, contatos ainda não os tinha, sem ponta por onde lhe pegar “, gritou exaltado : - Francisco venha aqui ao meu gabinete já! – Como foi capaz de permitir a entrada do inspetor – acusou, olhando fixamente o jovem, que nada amedrontado se limitou a exclamar que não tinha autorizado, ele é que se tinha feito convidado e entrou diretamente sem pedir licença. “Que descaramento têm estes jovens , e a forma como se apresentava vestido e, seu corte de cabelo , pensava Tiago olhando par o seu colaborador com um olhar fixo tentando vislumbrar algumas semelhanças entre ele e o policial” – Por acaso conheces o tipo ?- disse com um ligeiro sorriso trocista.
- Não é dos meus relacionamentos, conheço sim uma estagiária com quem às vezes faço sexo – respondeu sem hesitações.
- Uma estagiária, na delegacia ? – questionou com alguma ansiedade.
- Uma estagiária, sim, na delegacia – respondeu Francisco.
- E só agora me dizes ?
- Porque dizer da minha vida sexual ao meu chefe ?- exclamou com um enorme sorriso. – Por acaso você me diz a sua ?- disse Francisco com ar trocista.


segunda-feira, 27 de maio de 2013



Como é vã caminhada,
que rejeito !

Transporto braços
sementes do tempo, 
coração dentes de fogo,
cabeça castelo de cinza
e, caminho: com pedras na garganta 
pintadas de sonhos,
mal geridos por mentes brilhantes.

Pensamentos amargam língua de homens e,
seios de mulheres 
que se ligam nas redes
douradas...criando tramas
na espiga do tempo,
que transporto
com retalhos de história.

Mergulho nas colinas de camas cobertas
de flores silvestres : como preparando sonhos.

Imagino a beleza de os criar : engravidando
espíritos em arcos de luz...prenhes de sensações.

Sim...
porque como diz o poeta - a vida cabe
nos sonhos. Por aí caminharei !

Emílio Casanova.