Um Sítio...Joaquim Vairinhos

Um Sítio...Joaquim Vairinhos
Poesia, Prosa e Música.

sábado, 25 de maio de 2013



peso do amor

disseste outro dia
amor não tem peso
que amor não se media...

então, porque
perguntas todo o dia
se te amo
se te quero muito

quando digo: sim,
queres sempre saber
quanto...
e, sem questionares
queres saber até quando...

será que amor não tem peso ?
será que amor não tem medida ?
será que amor não tem tempo ?

porque dizes : já vais
tão cedo ?
porque queres saber quando
volto ?

acho que amor tem peso
tem medida

grande amor é pesado como
a terra...
grande amor é enorme como
o firmamento...
grande amor quando vivido
tem o eterno tempo...

emilio casanova, in " Jardim dos Deuses"

sexta-feira, 24 de maio de 2013



Como ser feliz ?
Dilema da humanidade.
Busca sem fim,
divino desejo
mantido por séculos
em folhas sagradas,
onde palavras
constroem metáforas
de poesia
que dança em saias
de estrelas,
se mira num espelho
de mármore,
se enlaça na magia
dum luar de abril,
se abre cada primavera
em cheiros e cores mil.
Como ser feliz
na humanidade
com sementes de infelicidade ?!
Natureza em cenário
para turista usar
não tem vida com certeza!
Todo ser tem
o querer bem viver
na paz da beleza, dum mundo
irreal. Como sobreviver
na selva em tons de cinzento,
se as páginas da poesia,
dos cânticos,
foi coberta de cimentos ?
Como construir o sonho em verde
se arco íris
navega ainda em barca,
sem fé nem crença ?
Olhar alto bem longe,
guardar-se no silêncio
da simplicidade,
viver com menos,
buscar sabedoria na serenidade ?
Será uma via...

Emilio Casanova


Curvas envolvem
instantes,
panos de linhas
escurecidas,
de bom traço,
não escondem
belezas brilhantes
são como disfarces,
de borboletas,
enaltecem o belo,
atraindo
sempre com prazer.
É assim corpo dela,
mulher inteligente
e bela,
quando se mostra
ao sol do verão,
ou, ao olhar singular
de seu amante.

emilio casanova, in "15 Poemas para Ti"

terça-feira, 21 de maio de 2013




Acordo sentindo no meu
colo
teu corpo de mansinho
estremecer
afago teu rosto
respiro teu cabelo
acaricio teu dorso com minhas
mãos e língua
ao desafio.

Foi assim que neste domingo
você até tão tarde
não dormiu
quis dizer-te bom dia
sentindo-te vibrar
fazer-te sorrir no meu
olhar
consegui apesar da hora
tardia para mim.

Pulei na água tépida
comi na tua mesa com toalha nova
sob teu olhar
tudo que preparaste :
pão e queijo
suco iogurte e café.

Mas
o que mais me apeteceu
e, queria
era no teu olhar ficar
para te admirar
para te adorar
para te beijar
para te amar até ao fim do dia
e,
assim no domingo passar...

emilio casanova

segunda-feira, 20 de maio de 2013

"Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos ! ser gauche na vida . (...do poema de C.Drummond - Sete Faces)."



Vai, Carlos ! pelos caminhos da literatura
quanto sofrimento, tanta paixão
da poesia à prosa, tamanha loucura.
Viagem da mente humana
sua representação e esperanças
sua verdade e memória.
Pela escrita Carlos, navega-se,
dobram-se cabos de tormentas,
transgride-se, conforta-se.
Na liberdade da poesia, de angústia
em alegria, não se busca a vã glória,
procura-se filão de felicidade.
Vai, Carlos.


Joaquim Vairinhos

"O bonde passa cheio de pernas
pernas brancas pretas amarelas.
Para quê tanta perna , meu Deus,
pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada. (...do poema de C.Drummond - Sete Faces )"




No matraquear de ruídos da cidade,
muros de multidões cobrem chão,
secam searas enterram sombras.
Correm pés movem joelhos ao milhão,
marcham pernas brancas pretas amarelas.
Atrasadas sem tempo, correm correm
na procura do regresso a casa.
Fingem sorrisos meu Deus
como tocando instrumentos de alegria.
Meus olhos cobertos de cidade
passando pelo dia, não perguntam nada
buscam serenidade.

Joaquim Vairinhos

sábado, 18 de maio de 2013



nessa vertigem do olhar 
em mundo espiral
desintegrei 
qual búzio encostado 
ouvindo o mar
sintonia de caleidoscópio
formas
luz e cor
em simetria
asas de mariposas
pétalas e corolas
dançando ao som
do murmúrio
das cristas onduladas
brancas
saltitando no mar
verde de azul
mescla primordial
nos ais suor
e sal
tudo mais
que a imaginação reconstroi
nos humanos impulsos
de renascer
no sabor de um olhar 


joaquim vairinhos