Um Sítio...Joaquim Vairinhos

Um Sítio...Joaquim Vairinhos
Poesia, Prosa e Música.

sábado, 18 de maio de 2013


quando pensas será aquele
será aquela
sobre a muralha de
castelos de nuvens esvoaçando
sentindo que finalmente tinhas
encontrado...

(será que pode
alguém dizer: por fim,
encontrei um grande
amor,
meu grande amor ?)

se disserem
és minha princesa
és meu
príncipe encantado

fiquem desconfiados que
ninguém mais acredita
em alguém

olhem bem para o lado
para cima para baixo
será possível neste modelo
social ainda alguém esperar
pelo seu grande bem

que valor tem hoje o amor
a ética
num mundo predominante
de relações económicas

lógica linguagem:
a troca
relacionamentos de laços
íntimos sem paixão
racionais
em tendência cada vez
mais utilitária

interessa ?

vem comigo
diz-me :
ganho contigo

joaquim vairinhos
Ladainha dos Póstumos Aniversários
(adaptação do poema Ladainha dos Póstumos Natais de David M. Ferreira)



Porque 17 de Maio é dia de Aniversário.

Há-de vir um Aniversário e será o primeiro
em que se veja à mesa o meu lugar vazio.
Há-de vir um Aniversário e será o primeiro
em que hão-de me lembrar de modo menos nítido.
Há-de vir um Aniversário e será o primeiro
em que só uma voz me evoque a sós consigo.
Há-de vir um Aniversário e será o primeiro
em que não viva ninguém meu conhecido.
Há-de vir um Aniversário e será o primeiro
em que nem vivo esteja um verso de meu livro.
Há-de vir um Aniversário e será o primeiro
em que terei de novo o Nada a sós comigo.
Há-de vir um Aniversário e será o primeiro
em que nem o Aniversário terá qualquer sentido.
Há-de vir um Aniversário e será o primeiro
em que o Nada retome a cor do Infinito.

Joaquim Vairinhos


tridimensão de espaço
corporal
composição em sinfonia
cálice e harpa
percorrem
lascivas entranhas
de cascatas vermelhas
suores de odores
levantam cálice
em delícia superior
livre tempo
penetra
nos regaços de ais
belos prazeres


joaquim vairinhos

Não troco o prazer do meu silêncio
por qualquer companhia :
não que o meu silêncio seja de ouro
não que o meu silêncio seja de prata
não que o meu silêncio seja diamante

Ser cresce nos silêncios :
sonha
fantasia
imagina
deseja
ama e cria

Não troco o ouro do meu silêncio
não troco a prata do meu silêncio
não troco o diamante do meu silêncio

por qualquer companhia

[By Emilio Casanova]


No cambio el placer de mi silencio
por la compañia de cualquiera:
No es que mi silencio sea oro
No es que mi silencio sea de plata
No es que mi silencio sea un diamante

el ser crece en silencios :
de sueños
de fantasías
de imaginación
de deseos
para amar y crear

No transo el oro de mi silencio
No transo la plata de mi silencio
No transo los diamantes de mi silencio

por la compañía de cualquiera

[Traducido por Alfonso A. Tobar/ TheX]

terça-feira, 19 de março de 2013



Tu em mim...

Se pai não fosse
Filho não tivesse sido
Pai não tivesse amado
Nunca saberia
Esse sentimento
Que encarna
Toda uma sabedoria

Foi por aí...Pai
Com marcos no caminho
No exemplo
Que me iniciaste
Na simples filosofia do
Ser e não ser

No alimento do teu dia
Construíste alicerces éticos
Que fortaleceram a honra
Inculcaram a tolerância
Balizaram a igualdade
Deram-me a liberdade
De ser quem sou
Nesta sempre criança

Tudo isto me deste
Na forma de H grande
Com sorrisos de simplicidade

Agora que avô já sou
Louvo-te todos os dias

Meu Pai

Joaquim Vairinhos, 19/03/2013

domingo, 3 de março de 2013



fomos 

na tarde já tarde 
fez-se dia
o rio desaguava
no terreiro
de cada rua
vinha gente
o caudal enchia
enchia

palavras e frases
dançavam
sorriam
gritavam
umas em sinfonia
outras desgarradas
em agonia

povo unido
jamais será vencido
gritava-se

terreiro ficou sem
espaço
passou a terreiro
do povo
com ar de revolução
de passos
exigiam a demissão

políticos
eram todos
partido nem um
a ordem era
o povo está em
luta
vem e trás
mais um

assim
nas mãos
nos braços
nas bocas
de um milhão
escorriam
todas as palavras
dignas de
indignação

joaquim vairinhos, 02/03/2013-terreiro do povo, Lisboa.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

poemas para sobremesa

do porco maldito
à vaca sagrada
hoje transito
entre o coelho
e o cabra
frango me aborrece
nem esquenta 
nem arrefece
bacalhau é de consoada
resta-me
o chinês
o hambúrguer
a salsicha
a sopa
a feijoada
com coca limonada
pois, o vinho
alimento dos portugueses
noutros tempos
agora tem preços
que não é para
todos os fregueses
aguenta aguenta
portugueses
façam desenhos de
azeitona
nas sebentas
nas paredes
e bebam
copos de três
melhor dizendo
copos de troika

como é
diga lá outra vez ?

joaquim vairinhos