sábado, 18 de maio de 2013
quando pensas será aquele
será aquela
sobre a muralha de
castelos de nuvens esvoaçando
sentindo que finalmente tinhas
encontrado...
(será que pode
alguém dizer: por fim,
encontrei um grande
amor,
meu grande amor ?)
se disserem
és minha princesa
és meu
príncipe encantado
fiquem desconfiados que
ninguém mais acredita
em alguém
olhem bem para o lado
para cima para baixo
será possível neste modelo
social ainda alguém esperar
pelo seu grande bem
que valor tem hoje o amor
a ética
num mundo predominante
de relações económicas
lógica linguagem:
a troca
relacionamentos de laços
íntimos sem paixão
racionais
em tendência cada vez
mais utilitária
interessa ?
vem comigo
diz-me :
ganho contigo
joaquim vairinhos
Ladainha dos Póstumos Aniversários
(adaptação do poema Ladainha dos Póstumos Natais de David M. Ferreira)
Porque 17 de Maio é dia de Aniversário.
Há-de vir um Aniversário e será o primeiro
em que se veja à mesa o meu lugar vazio.
Há-de vir um Aniversário e será o primeiro
em que hão-de me lembrar de modo menos nítido.
Há-de vir um Aniversário e será o primeiro
em que só uma voz me evoque a sós consigo.
Há-de vir um Aniversário e será o primeiro
em que não viva ninguém meu conhecido.
Há-de vir um Aniversário e será o primeiro
em que nem vivo esteja um verso de meu livro.
Há-de vir um Aniversário e será o primeiro
em que terei de novo o Nada a sós comigo.
Há-de vir um Aniversário e será o primeiro
em que nem o Aniversário terá qualquer sentido.
Há-de vir um Aniversário e será o primeiro
em que o Nada retome a cor do Infinito.
Joaquim Vairinhos
(adaptação do poema Ladainha dos Póstumos Natais de David M. Ferreira)
Porque 17 de Maio é dia de Aniversário.
Há-de vir um Aniversário e será o primeiro
em que se veja à mesa o meu lugar vazio.
Há-de vir um Aniversário e será o primeiro
em que hão-de me lembrar de modo menos nítido.
Há-de vir um Aniversário e será o primeiro
em que só uma voz me evoque a sós consigo.
Há-de vir um Aniversário e será o primeiro
em que não viva ninguém meu conhecido.
Há-de vir um Aniversário e será o primeiro
em que nem vivo esteja um verso de meu livro.
Há-de vir um Aniversário e será o primeiro
em que terei de novo o Nada a sós comigo.
Há-de vir um Aniversário e será o primeiro
em que nem o Aniversário terá qualquer sentido.
Há-de vir um Aniversário e será o primeiro
em que o Nada retome a cor do Infinito.
Joaquim Vairinhos
Não troco o prazer do meu silêncio
por qualquer companhia :
não que o meu silêncio seja de ouro
não que o meu silêncio seja de prata
não que o meu silêncio seja diamante
Ser cresce nos silêncios :
sonha
fantasia
imagina
deseja
ama e cria
Não troco o ouro do meu silêncio
não troco a prata do meu silêncio
não troco o diamante do meu silêncio
por qualquer companhia
[By Emilio Casanova]
No cambio el placer de mi silencio
por la compañia de cualquiera:
No es que mi silencio sea oro
No es que mi silencio sea de plata
No es que mi silencio sea un diamante
el ser crece en silencios :
de sueños
de fantasías
de imaginación
de deseos
para amar y crear
No transo el oro de mi silencio
No transo la plata de mi silencio
No transo los diamantes de mi silencio
por la compañía de cualquiera
[Traducido por Alfonso A. Tobar/ TheX]
terça-feira, 19 de março de 2013
Se pai não fosse
Filho não tivesse sido
Pai não tivesse amado
Nunca saberia
Esse sentimento
Que encarna
Toda uma sabedoria
Foi por aí...Pai
Com marcos no caminho
No exemplo
Que me iniciaste
Na simples filosofia do
Ser e não ser
No alimento do teu dia
Construíste alicerces éticos
Que fortaleceram a honra
Inculcaram a tolerância
Balizaram a igualdade
Deram-me a liberdade
De ser quem sou
Nesta sempre criança
Tudo isto me deste
Na forma de H grande
Com sorrisos de simplicidade
Agora que avô já sou
Louvo-te todos os dias
Meu Pai
Joaquim Vairinhos, 19/03/2013
domingo, 3 de março de 2013
na tarde já tarde
fez-se dia
o rio desaguava
no terreiro
de cada rua
vinha gente
o caudal enchia
enchia
palavras e frases
dançavam
sorriam
gritavam
umas em sinfonia
outras desgarradas
em agonia
povo unido
jamais será vencido
gritava-se
terreiro ficou sem
espaço
passou a terreiro
do povo
com ar de revolução
de passos
exigiam a demissão
políticos
eram todos
partido nem um
a ordem era
o povo está em
luta
vem e trás
mais um
assim
nas mãos
nos braços
nas bocas
de um milhão
escorriam
todas as palavras
dignas de
indignação
joaquim vairinhos, 02/03/2013-terreiro do povo, Lisboa.
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
poemas para sobremesa
do porco maldito
à vaca sagrada
hoje transito
entre o coelho
e o cabra
frango me aborrece
nem esquenta
nem arrefece
bacalhau é de consoada
resta-me
o chinês
o hambúrguer
a salsicha
a sopa
a feijoada
com coca limonada
pois, o vinho
alimento dos portugueses
noutros tempos
agora tem preços
que não é para
todos os fregueses
aguenta aguenta
portugueses
façam desenhos de
azeitona
nas sebentas
nas paredes
e bebam
copos de três
melhor dizendo
copos de troika
como é
diga lá outra vez ?
joaquim vairinhos
do porco maldito
à vaca sagrada
hoje transito
entre o coelho
e o cabra
frango me aborrece
nem esquenta
nem arrefece
bacalhau é de consoada
resta-me
o chinês
o hambúrguer
a salsicha
a sopa
a feijoada
com coca limonada
pois, o vinho
alimento dos portugueses
noutros tempos
agora tem preços
que não é para
todos os fregueses
aguenta aguenta
portugueses
façam desenhos de
azeitona
nas sebentas
nas paredes
e bebam
copos de três
melhor dizendo
copos de troika
como é
diga lá outra vez ?
joaquim vairinhos
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