Tu em mim...
Se pai não fosse
Filho não tivesse sido
Pai não tivesse amado
Nunca saberia
Esse sentimento
Que encarna
Toda uma sabedoria
Foi por aí...Pai
Com marcos no caminho
No exemplo
Que me iniciaste
Na simples filosofia do
Ser e não ser
No alimento do teu dia
Construíste alicerces éticos
Que fortaleceram a honra
Inculcaram a tolerância
Balizaram a igualdade
Deram-me a liberdade
De ser quem sou
Nesta sempre criança
Tudo isto me deste
Na forma de H grande
Com sorrisos de simplicidade
Agora que avô já sou
Louvo-te todos os dias
Meu Pai
Joaquim Vairinhos, 19/03/2013
fomos
na tarde já tarde
fez-se dia
o rio desaguava
no terreiro
de cada rua
vinha gente
o caudal enchia
enchia
palavras e frases
dançavam
sorriam
gritavam
umas em sinfonia
outras desgarradas
em agonia
povo unido
jamais será vencido
gritava-se
terreiro ficou sem
espaço
passou a terreiro
do povo
com ar de revolução
de passos
exigiam a demissão
políticos
eram todos
partido nem um
a ordem era
o povo está em
luta
vem e trás
mais um
assim
nas mãos
nos braços
nas bocas
de um milhão
escorriam
todas as palavras
dignas de
indignação
joaquim vairinhos, 02/03/2013-terreiro do povo, Lisboa.
poemas para sobremesa
do porco maldito
à vaca sagrada
hoje transito
entre o coelho
e o cabra
frango me aborrece
nem esquenta
nem arrefece
bacalhau é de consoada
resta-me
o chinês
o hambúrguer
a salsicha
a sopa
a feijoada
com coca limonada
pois, o vinho
alimento dos portugueses
noutros tempos
agora tem preços
que não é para
todos os fregueses
aguenta aguenta
portugueses
façam desenhos de
azeitona
nas sebentas
nas paredes
e bebam
copos de três
melhor dizendo
copos de troika
como é
diga lá outra vez ?
joaquim vairinhos
suaves beijos
como o vento mais leve
ocorrem na sedução
quando dois seres
se querem
nos seus corpos
ter e ser
suprema ambição
que a casa do vento
guarda
leve e doce
para aquela ocasião
será o vento
cauteloso
que segure corpos
tão ansiosos ?
vento de amor
e sua sinfonia
tem todos os andamentos
que o amor cria
emilio casanova, 20/02/2013
falas de mim ...palavras da Ana Cristina Rua
porque nas coisas do sentir
somos muitas vezes traídos
pelo querer pelo desejar
pelo medo de dar
e sentir...
falas de mim
porque às vezes em amar ou não amar
fico no meu canto,
sentindo o tempo lentamente passar...
falas de mim
seguramente sem querer
sem me conhecer,
do desconhecido abriste
minha caixa onde guardo emoções,
sentimentos,
onde preservo o que me embriaga
e,
me deixa embebida pela emoção...
falas de mim
porque adoro acreditar :
a vida é uma constante paixão.
joaquim vairinhos, 16/02/2013
desabafo de amor e dor
doente de saudade do meu amor
rompemos, sabia
sinto muita
muita falta dele
queria que ele voltasse
acabei de receber sua mensagem
para regressarmos
não sei se ainda quero
seu amor tem muita dor
alimenta-se de ciúme
quero que este amor passe
engulo carência de seu afeto
sou viciada no seu carinho
gosto dele
sinto falta dele
quero voltar
impor-lhe respeito por mim
sei que não adianta
sente ciúmes das roupas que visto
das amizades,
do sair de casa
dos horários
vive dizendo que já é velho
que tem medo disto
daquilo...desisto
cansa provar todos os dias
que amo este homem com medo de viver
e que não quer que eu viva
assim não
briga
ofende
volta pedindo desculpas
gosto com medo
gosto muito dele
muito
sei
com medo não se ama
não se vive
assim não serei feliz
estou mesmo triste
procuro no tempo a cura
cheia de amargura
vou acomodar a dor na ausência
pena na pena de amar
mas nunca...nunca mesmo
escravizada.
emilio casanova, in "Só & Cia"
Já
uma conversa
um café
fui
vou
venho...
sei o que não quero...
sim...não...
não sei para onde vou..
não sei ao que venho...
que interessa...
vivo...
morro onde estou...
esse dá-me jeito...
com essa voz arrastada...
podia ser antecipada...
agora...logo...
mais tarde...vou...
estou...
que maçada...
tudo é nada.
joaquim vairinhos