ulisses
...e quem sabe penélope :
uma rosa no cabelo ou um bem me quer
nos lábios me ajude a conhecer !!!
...talvez aquele perfume que o amor exala
me ajude a encontrá-la !!!
...ou aquele olhar de ternura...
me indique o caminho a seguir !!!
emilio casanova, 27/01/2013
ilustração:Magritte
porque marilyn não amou pessoa
ela não sabia
nem podia imaginar
o que fazia despertar nele
se soubesse deveria tentar
amar aquele homem discreto
às vezes ausente
não porque ele o quisesseparecer
era assim sua índole
afastado reservado
mas dentro dele
era um vulcão
em ebulição por aquela
mulher que nada fazia
para corresponder :
nem sorriso nem olhar
de desprezo sequer
nem cumprimento
pensar não resolvia
era preciso atuar
assim um dia
abordou a senhora
com bons modos
e delicadas maneiras
ao qual ela correspondeu
sem descortesia
referindo-lhe simplesmente
com verdade
que o amor não escolhe
quem amar
ela não tinha por ele
sentimento e nada
servia tentar porque
o amor quando se tem
por alguém é dádiva
que se deve guardar
cuidar e enriquece
quando se é
correspondido
e, assim fernando em pessoa
não amou mais ninguém...
teria sido assim ?
joaquim vairinhos
Quanta saudade
como é grande a vontade
de encontrar braços teus
vem meu bem
caminha para mim
estou sozinha
guardando pensamentos
nos lábios meus
tenho os olhos cansados
de procurar esperando
teu olhar chegar
você faz-me acreditar
no amor sem dor
como nunca fez alguém
por isso cada vez mais
sem você
não sou ninguém
vem amor vem
emilio casanova, Só & Cia"
ilustração : lichtenstein
quando olho tua foto
meus dedos ajeitam teus cabelos
docemente
meus olhos admiram as curvas suaves do teu rosto
com meus dedos suaves
passo pelos teus lábios
com meiguice
aperto carinhoso
tua face
beijo teus lábios
lentamente
aspirando tua alma
para eternizar o momento.
emilio casanova
Tu...tu...sim
Na minha ilha de Ítaca
sem Penélope
só...
com muito amor reservado
como tesouro
escondido...segredado...
guardado...
aguardo
tuas colunas alvas
no espelho das águas
calmas da baía
esperando o milagre
de te encontrar
naquelas noites de agosto
onde o luar vem ter
connosco
para nos abraçar
nos seduzir
bem na bordinha do mar
na suave almofada
de areia
que afaga corpos
ansiosos...
ofegantes...
refrescados pela suave
brisa da alma do vento
que seduz os amantes...
aguardo
sabendo que numa noite
chegarás
que importa o tempo
simples suspiro
de momentos
na eterna infinitude
da existência...
virás
sinto tua permanência
porque estás
vives
alimentas
este corpo
casa tua em união
com os espíritos
dos raios do sol
das nervuras das folhas
nas copas verdes
cinzentas
das irmãs vigias
das águas
em frondosas companhias
chegarás
para o festim
de nossos corpos
eu em ti
tu...tu...sim !
emílio casanova, in "No jardim dos deuses"
como são esbeltas as folhas secas
em seus tons de terra amarela de sol
no gris dos dias da mãe d'água
recolho bênção das saudades queridas
tintas que pintaram passado não desbotam
nem arco-íris se lava nas gotas
alma alheia é minha irmã
é minha amiga minha amante
ela também sou eu na primavera
onde tudo começa
joaquim vairinhos, 25/01/2013
Cura de Schopenhauer
Não ter projetos...
não ter aspirações...
não ter esperanças...
estar satisfeito :
com seu quinhão
aceitar o que o mundo
lhe concede no intervalo
entre um nascer de sol
e outro...
viver assim
querendo nada
como schopenhauer
sem desejos
sem amores
para ser livre
penso mínimo
não fumo
não bebo
restaurantes não vou
sem televisão
sem rádio
sem computador
terei depressão
vontade de deitar no lixo
telemóvel
sentei-me
procurando um caminho
para continuar :
na busca de salvação ?
numa sólida relação ?
no amor ?
na compreensão das diferenças ?
no querer conhecer
meus limites...
entrei pelo livro dentro
ficando cercado
por palavras e frases
que me isolaram
de tudo nada
que me rodeava
joaquim vairinhos, in "Só & Cia"