soltas-me a poesia...linda cotovia
sai pelos poros
pelos nós
de corpo seco
no vácuo da existência
com inteligência
ausente
para o compreender
havia mar
amassado
na solidão
daquele ovo
solar
que circula
dias meses
na barriga da lua
onde se acolhe
instinto
ancestral
e se proclama
tu és minha
e tua
emilio casanova, in "15 Poemas para Ti"
óleo branco...bem quente
na mesa sagrada
com toalha branca de lençol
num cálice morno
aos aromas silvestres
banqueteias-te
como deus profano
um baco
nas margens sem fronteiras
sem limites
o infinito
nas essências divinas
duma eternidade
amo
ventre maternal
onde se retorna
na taça cristalina
vertendo humanidade
e assim continua
esse segredo conhecido
da fertilidade
emilio casanova, in "15 Poemas para Ti"
E do silêncio fez-se corpo
imaginação absorve
alvas dobras de lençol
minha boca era a tua
naquele beijo
ansiosamente desejado
eram verdes os diamantes
em olhos de estrelas
sorridentes
no escuro do universo
eram alvas as madrugadas
no rosa lençol voador
onde alcançavas
os sons da montanha
em picos de himalaias
mãos restaram cheias
emilio casanova, in " No jardim dos deuses"
nas curvas alvas de teus seios
navego minha paixão
na reta que os separa
atraco meus anseios
fervo na imaginação
provocam-me...
contudo é na linha entre seios
que transbordo
de desejos
alvos...morenos...
que interessa
são eles...são eles...
de permeio
que me levam
em rasgos de audácia...
a teus devaneios.
emilio casanova, in "15 Poemas para Ti"
o vestido que nunca me deste
quis contigo partilhar a ideia da partida
num entendimento de harmonia
convencido que aceitarias
se propus foi por tua postura
ao longo de anos meses e dias
contrariando sol nascente
fingindo quarto minguante
aflição esta circunstância de vida
retorquiste enfastiada : partir para quê
não serve de nada e assim me atiraste
na face ofertas da noite de natal :
esqueces o perfume boss
a camisa ralph o romance cinzento
tudo do que está na moda
de ti aguardo vestido que não chega
esperas os saldos partires para quê
podes partir para bem de meus pecados
agora eu em harmonia consentir
não está nos meus predicados
joaquim vairinhos, in "No jardim dos deuses"
e, anda-se
entroikado neste buraco
em que nos metemos
será sina será fado
coisa boa não é certamente
que o diga o desempregado
palavra segunda gasta
na estatística do inquérito
se a análise for correta
temos em en troika (a)do
o pagamento do ordenado
da troika que nunca é falado
temos o ado do empregado
que cada vez mais desejado
e no en pode ser enviesado
pensa-se em emigrar
acredito que virá subsídio
para esse desiderato já que
o projeto entroikado na toca
é desempregado manual
na obra barata
penso às vezes arrendar
um terreno em Marte para me
livrar do gasparov do rabitt
ou refugiar-me no cavaquistão
onde não há troika que chegue
joaquim vairinhos, in "Tanta coisa para dizer"
solidão
viu as estrelas irem embora
noite afasta-se
aguardou na insónia
a presença
lembranças abraçou
como pedras na garganta
em lágrimas de cachoeira
banhou dúvidas
tormentas
nas mãos suadas
de gélidas surpresas
oh, como está sozinha
e triste aqui
nesta casa que já foi ninho
de seus sucessos
mas todos foram
os mais novos já não a olham
os mais velhos já a esqueceram
quem se lembrará então ?
joaquim vairinhos, in "Tanta coisa para dizer"