Um Sítio...Joaquim Vairinhos

Um Sítio...Joaquim Vairinhos
Poesia, Prosa e Música.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013



óleo branco...bem quente
na mesa sagrada
com toalha branca de lençol
num cálice morno 
aos aromas silvestres
banqueteias-te 
como deus profano
um baco
nas margens sem fronteiras
sem limites
o infinito
nas essências divinas
duma eternidade
amo
ventre maternal
onde se retorna
na taça cristalina
vertendo humanidade

e assim continua
esse segredo conhecido
da fertilidade

emilio casanova, in "15 Poemas para Ti"

terça-feira, 8 de janeiro de 2013


E do silêncio fez-se corpo
imaginação absorve
alvas dobras de lençol

minha boca era a tua
naquele beijo
ansiosamente desejado

eram verdes os diamantes
em olhos de estrelas
sorridentes
no escuro do universo

eram alvas as madrugadas
no rosa lençol voador
onde alcançavas
os sons da montanha
em picos de himalaias

mãos restaram cheias

emilio casanova, in " No jardim dos deuses"

nas curvas alvas de teus seios
navego minha paixão

na reta que os separa
atraco meus anseios
fervo na imaginação

provocam-me...

contudo é na linha entre seios
que transbordo
de desejos

alvos...morenos...
que interessa
são eles...são eles...
de permeio
que me levam
em rasgos de audácia...
a teus devaneios.

emilio casanova, in "15 Poemas para Ti"

o vestido que nunca me deste

quis contigo partilhar a ideia da partida
num entendimento de harmonia
convencido que aceitarias
se propus foi por tua postura
ao longo de anos meses e dias
contrariando sol nascente
fingindo quarto minguante
aflição esta circunstância de vida
retorquiste enfastiada : partir para quê
não serve de nada e assim me atiraste
na face ofertas da noite de natal :
esqueces o perfume boss
a camisa ralph o romance cinzento
tudo do que está na moda
de ti aguardo vestido que não chega
esperas os saldos partires para quê
podes partir para bem de meus pecados
agora eu em harmonia consentir
não está nos meus predicados

joaquim vairinhos, in "No jardim dos deuses"


e, anda-se 
entroikado neste buraco
em que nos metemos

será sina será fado
coisa boa não é certamente
que o diga o desempregado
palavra segunda gasta
na estatística do inquérito

se a análise for correta
temos em en troika (a)do
o pagamento do ordenado
da troika que nunca é falado

temos o ado do empregado
que cada vez mais desejado
e no en pode ser enviesado
pensa-se em emigrar
acredito que virá subsídio
para esse desiderato já que
o projeto entroikado na toca
é desempregado manual
na obra barata

penso às vezes arrendar
um terreno em Marte para me
livrar do gasparov do rabitt
ou refugiar-me no cavaquistão

onde não há troika que chegue

joaquim vairinhos, in "Tanta coisa para dizer"


solidão

viu as estrelas irem embora
noite afasta-se
aguardou na insónia
a presença
lembranças abraçou
como pedras na garganta
em lágrimas de cachoeira
banhou dúvidas
tormentas
nas mãos suadas
de gélidas surpresas
oh, como está sozinha
e triste aqui
nesta casa que já foi ninho
de seus sucessos
mas todos foram
os mais novos já não a olham
os mais velhos já a esqueceram
quem se lembrará então ?

joaquim vairinhos, in "Tanta coisa para dizer"


no coser das pontas
está a virtude
ela tece
navegando nele
pontando estrelas
une seu rosto
num beijo
ardente
como são estranhos
desígnios infinitos
que abraçam
desejos universais
em renascimento

emilio casanova