Um Sítio...Joaquim Vairinhos

Um Sítio...Joaquim Vairinhos
Poesia, Prosa e Música.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013


o vestido que nunca me deste

quis contigo partilhar a ideia da partida
num entendimento de harmonia
convencido que aceitarias
se propus foi por tua postura
ao longo de anos meses e dias
contrariando sol nascente
fingindo quarto minguante
aflição esta circunstância de vida
retorquiste enfastiada : partir para quê
não serve de nada e assim me atiraste
na face ofertas da noite de natal :
esqueces o perfume boss
a camisa ralph o romance cinzento
tudo do que está na moda
de ti aguardo vestido que não chega
esperas os saldos partires para quê
podes partir para bem de meus pecados
agora eu em harmonia consentir
não está nos meus predicados

joaquim vairinhos, in "No jardim dos deuses"


e, anda-se 
entroikado neste buraco
em que nos metemos

será sina será fado
coisa boa não é certamente
que o diga o desempregado
palavra segunda gasta
na estatística do inquérito

se a análise for correta
temos em en troika (a)do
o pagamento do ordenado
da troika que nunca é falado

temos o ado do empregado
que cada vez mais desejado
e no en pode ser enviesado
pensa-se em emigrar
acredito que virá subsídio
para esse desiderato já que
o projeto entroikado na toca
é desempregado manual
na obra barata

penso às vezes arrendar
um terreno em Marte para me
livrar do gasparov do rabitt
ou refugiar-me no cavaquistão

onde não há troika que chegue

joaquim vairinhos, in "Tanta coisa para dizer"


solidão

viu as estrelas irem embora
noite afasta-se
aguardou na insónia
a presença
lembranças abraçou
como pedras na garganta
em lágrimas de cachoeira
banhou dúvidas
tormentas
nas mãos suadas
de gélidas surpresas
oh, como está sozinha
e triste aqui
nesta casa que já foi ninho
de seus sucessos
mas todos foram
os mais novos já não a olham
os mais velhos já a esqueceram
quem se lembrará então ?

joaquim vairinhos, in "Tanta coisa para dizer"


no coser das pontas
está a virtude
ela tece
navegando nele
pontando estrelas
une seu rosto
num beijo
ardente
como são estranhos
desígnios infinitos
que abraçam
desejos universais
em renascimento

emilio casanova



"...entre palavras...no silêncio...construo sabedoria...
...talvez um dia...minhas palavras e silêncios...sejam sabedoria..."

emilio casanova

Sem perdão

Creme desliza doce leitoso
envolvente
pelas belas curvas de suas pernas
escorrendo entre dedos como carícias
sua mente fervilha
lampejos assomam desabridos
aos olhos com brilhos de raiva
hum, em minha casa
convido-te para nos encontrarmos
em tua casa
como era tamanha a desfaçatez
de quem no primeiro dia do ano
saiu
me abandonou
sei que aprendi muito com ele :
sou mais tolerante mais paciente
deixei de tanto errar
cresci
fez de mim outra mulher
hoje sei para onde vou
aprendi minha direção
ensinou-me a voar com precisão
por isso não
convidar-me para minha casa
agora não Mireille
essa não tem perdão

joaquim vairinhos, in "Tanta coisa para dizer"

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013



No vácuo da vida excluída
pelas sombras da morte
desfiladeiros emboscados na
corrente fluída 
combatem invencível força
que nos mata
dias permanentes da partida.

Marcha contínua inexorável
de ausentes.Sei
que se perfilam por instantes
em nossas mentes.

Dor em espinha
na galopante cavalgada
que nos levará ao nada ?

Dos arquitetos fica
a memória. A obra amassada
em bancos de sabedoria
restará como vitória
num abraço de sempre.

...a meus amigos Vasco Massapina
e Marques Júnior...

joaquim vairinhos