Um Sítio...Joaquim Vairinhos

Um Sítio...Joaquim Vairinhos
Poesia, Prosa e Música.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012



(os natais do nosso descontentamento)

e, quando mergulhei
nas águas azuis do firmamento
senti que algo diferente estava a acontecer

as nuvens brancas em forma de novelos de lã
entravam pelas narinas
deixando um aroma de bagos de romã
inebriando meus sentidos
afugentando oxigénio do meu cérebro

sentia-me levitar acima do corpo
estrelas passavam rápidas errantes cadentes
desconhecendo minha presença
que cada mais leve se ausentava de um corpo
num natalício acontecimento

cantares não se ouviam orações também não
braços e mãos apertados em embrulhos
multicolores avançavam como ponteiros
de relógios eternos aguardando por sorrisos
efémeros de crianças que relevariam ou não
a obrigatória lembrança

e foi entre as nuvens brancas
que a mancha desumana apodreceu
deixando rasto de vergonha de ignomínia
transformando o mais sagrado da vida humana
na vil atividade profana de negociar o sagrado
olvidando milhões de olhares condenados
transportados num mergulho incontornável
de miséria de pobreza num horizonte
que se eterniza num tempo sem volta.

joaquim vairinhos, in "Tanta coisa para dizer"


agora terminado o encontro
das essências
iluminadas por pirilampos feéricos
embrulhadas em pacotinhos
numa curtíssima viagem interior

regressas bem nutrido
calórico silencioso
numa paz que te fez bem
disposto a esquecer
nesta semana que vem
até o ano acabar
as chatices que hão-de voltar

queres encarar o 13 com coragem
por isso te guardas te remetes
a reflexões que só esquecerás
quando as badaladas te
empurrarem para o tradicional
abraço : feliz ano novo...

assim será na paz do palácio
onde se fabricam as mensagens
a azáfama é grande
comem-se as últimas rabanadas
bebem-se taças de rubro tinto
as calças bem vincadas
circulam entre corredores
na busca das palavras
que serão ditas aos tele espectadores :
é preciso dizer que o 13
será o principio do fim
que o pão será multiplicado
o azeite não será importado
que o vinho não azedará
que enfim conseguimos

alegrem-se os que têm fome
sorriam os que têm dívidas
abracem-se todos como irmãos
banqueiros operários polícias
ladrões pobres e ricos
porque do palácio veio a voz :
conseguimos.

joaquim vairinhos, in "Tanta coisa para dizer"

Na mesa escura sente-se
madeira. Brilha.
Em toalha rendada da avó
copos cálices taças 
nas mãos brancas e doces
da filha
dançam. Umas em borbulhas 
outras tintas
poucas brancas em alvuras
de linho e côdeas louras.
Banquete sem fim em almas
douradas. Avó mãe filha neta
perpetuam a festa.
Guardam sabores mágoas
tristezas desejos amores.
Esperam a chegada um dia
dos seus redentores
que partiram. Haverá sempre
festa naquela porta aberta.

joaquim vairinhos, in "Só & Cia"


(as pedras das palavras)

quando busco a palavra nas pedras
silêncio torna-se atroz 
mudas elas ficam
nas suas memórias seculares

resistem às intempéries
como ausentes
sofrem quedas e caladas
curtindo suas mágoas

gritam silêncios em longas
vagas
que só os poetas os sentem
muitas vezes envergonhadas

calam suas ilusões
sempre na esperança
de que seus caminhos
que protegem
e passos
que as percorrem
encontrem lucidez
na mente dos homens

que as pedras das palavras
sejam lidas
entendidas
por aqueles que governam

joaquim vairinhos, "Tanta coisa para dizer"

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012



Também as pedras que piso 
brilham à luz da lua
quando visitadas
pelas águas da chuva

na mais triste escuridão
nossa alma ilumina-se
quando acordada 
pelas palavras sensíveis
pela melodia de sons

em envolvente harmonia

pela natureza...
em sua profusão de cor
num nascer do sol
num sol pôr...

deixa correr o tempo
florir os campos
semear o trigo no outono
colher os frutos de verão

enfim...



festejar a primavera
colher os sonhos
na plenitude dos desejos


guardados.




JV



emilio casanova, in " jardim dos deuses"

domingo, 16 de dezembro de 2012


navego nas palavras
oceanos 
rios
lagos lagoas
secam em virtuais
caminhos...
passo
volto a passar
de nada me serve

estás sempre no mesmo
lugar
sempre com mesmo
olhar
sempre com mesmo
sorriso...
e eu com desejos
de te abraçar
de te agarrar
de te lamber
para sentir
na tua pele
o sal do teu amor.

emilio casanova in " 15 Poemas para Ti..."

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012


bom dia
que o dia seja favorável
a teus anseios

na asa das palavras
procurarei os versos

que te merecem
quero ver teus olhos sorrirem

na busca de doces versos
estarei a teu lado
sentindo a nobreza do teu carácter
tua firmeza de bambu

na convicção de teus
ideais lerei na essência
de tua alma
que guardas com lealdade

na discreta timidez
que ostentas
abraçarei tua paz
inscrita nas orações
que anuncias

no teu olhar doce
meigo
descobrirei tua riqueza
que emerge
na simplicidade
da tua franqueza

no suave sorriso
com que me acolhes
mergulho no teu ser
invadindo teu mundo
pleno de sensibilidade

tudo isto farei
respeitando a mulher:
distinta discreta
inteligente e linda

bom dia

emilio casanova