Um Sítio...Joaquim Vairinhos

Um Sítio...Joaquim Vairinhos
Poesia, Prosa e Música.

domingo, 25 de novembro de 2012



Foi longa a construção de pedra sobre pedra
grão a grão 
numa casa conquistada de silêncios
onde circulam melodias em completas
reflexões 

foi tortuoso o caminho
nas diagonais do mar na face da terra
com sementes de sintonia
pelos símbolos da geometria
em cadeiras de aprendiz

foi no sopro da lua
que atingi o sol
para aquecer minha morada
que enchi de ervas e
ramagens amarelas de acácia
para alimentar
minha catedral de sabedoria

que vigio
no silêncio de olhos
guardados em liberdade.

joaquim vairinhos


Solidão

Quando os sons caiem no vazio
silêncio fica atroz.

Manhãs/tardes sem voz

criam na pele arrepio.

Comigo faço a troca.

Palavra gira volta cai
na resposta do labirinto
dos sentidos.

Saída sem solução é caminho
errado.
Melhor será prender
silêncio no coração.

joaquim vairinhos, in "Só & Cia"
ilustração : foto de emilio







2000 e,
não sabemos quantos :

dois mil e sete
um pinho mata a crise

dois mil e nove
um santos arruma
a crise morta de
dois mil e sete

dois mil e onze
um gaspar aniquila
o arrumo da crise
de dois mil e sete
mata a crise morta
de dois mil e nove

assim : se inicia
o princípio do fim
no fim do princípio

cada vez mais
o povo sofre
nas bordas
do precipício

até quando
dois mil e tanto.

joaquim vairiinhos, in "Tanta coisa para dizer"


ilustração:foto google

Cada vez mais
te vejo Portugal,
com o mar ao fundo,
como da Europa
um quintal.
Uns meninos a
brincar na praia,
uns velhos a olhar o mar,
e tu Portugal a naufragar.

joaquim vairinhos

ilustração:foto de maria da paz

terça-feira, 20 de novembro de 2012



“ Dos Cânticos ”

1:

Minha pomba nos vãos do rochedo...
que te protege
da ignomínia e das invejas
porque te escondes
se tua beleza é um dom da natureza
não uma vergonha

mostra a tua face
deixa ouvir a tua voz doce
melodiosa de sabiá
bela face a tua de Afrodite
que mostra gratidão
numa terra sem estrelas
sem sementes de perdão.

2:

Vem minha amada...corramos ao campo...
entre pinhais pelas veredas pisadas
dos namorados
deitei-mo-nos nos verdes prados
entre flores silvestres
que desabrocham perfumadas
recebamos a natureza pura
dos nossos corpos
cheiremos os aromas dos amantes
bebamos o mel dos encantos
dormiremos abraçados
na terra mãe que nos abençoa.

3:

Ah como estás bela minha amiga
com esse teu vestido branco de pomba
Ah como brilham teus olhos buscando os meus
Oh amado belo que me fazes sonhar
como é doce teu amar
Oh como a nossa cama é suave
entre a ramagem
dos pinheiros da nossa casa
Ah minha amada como perfumas meu coração.

emilio casanova, in " Dos Cânticos/em elaboração"

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Pelos caminhos da literatura
quanto sofrimento 
quanta perplexidade
quanta loucura
da poesia à prosa 
de Tolstoi a Proust 

de Joyce a Dostoiévski.

Tentativas continuadas
de superação em superação
através do espírito
sua representação
sua esperança
sua memória
em viagens da mente humana.

Pela literatura dobra-se o cabo
das tormentas.
Viaja-se em atividade iniciática
na abordagem da escrita:
vai-se pela angústia
na busca de caminhos novos
para expressar sentidos e
superar fora dos limites
a bendita normalidade
num trabalho de confronto
com sua própria psique.

Procura-se esse filão
da felicidade
na normalidade da
antifelicidade. Encontra-se
em pequenos flashes :
a serenidade.
joaquim vairinhos