Um Sítio...Joaquim Vairinhos

Um Sítio...Joaquim Vairinhos
Poesia, Prosa e Música.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012


a poesia embriaga : os sentidos
bela musa mulher

transporta em viagem no pensamento
leva-nos em espuma para o mar

carrega-nos nas nuvens a escrever na casa
do vento

umas vezes transborda em alegre sinfonia

que só seus amantes a acompanham

umas vezes troca palavras numa magia
em jornadas de noite que se vestem de dia

outras vezes entristece: veste-se de inverno
que só seus amantes a entendem

outras vezes mergulha na filosofia
na morte à procura de Dante no inferno

outras vezes é a Beatriz
outras és tu bela mulher :

quando se veste de feliz Afrodite
quando seduz Danae pelo ouro de Júpiter
quando tudo reduz em amor de Pedro pela bela Inês
quando esconde a bela musa de Camões.

emilio casanova, in "Poesia ninguém compra"


Tamr al-Hindi

se te olho de dia
perto do meio dia
estás forte
pujante

és a fonte
da sombra
que preciso
se te vejo
pela manhãzinha
surges fresco
meio enrodilhado
como companheiro
de um dia
bem madrugado
se te vejo à noite
com teus braços
bem abertos
abraçando a noite
das garças brancas
despertas
meus medos
sombrios
que sempre guardo
dos tempos
de minha infância

bom dia tamarino
amigo

emilio casanova, in "Só & Cia"

O que ficou do tempo,
dos minutos, das horas
dos dias
é tão pouco,
que pouco importa

a não ser
alimento de sonhos,
lembranças,
recordações


que se esvaem ao nascer
do sol
lá longe, e
voltam ao fim da tarde
quando aquela saudade
invade

aperta solidões na liberdade
presa, frágil de
emoções
que assolam mente,
veias,
carne esquecida

oh, escravos que somos
desse tempo que vivemos

cavalgam tempos
sonhos de nossa fantasia.

emilio casanova, in "Poesia ninguém compra"

terça-feira, 13 de novembro de 2012



EUROPA

Frio estende-se pela montanha gelada
arrasando a vaga trémula do mar
verdes florestas de pinho
flutuam em marés hirtas
num inverno contraditório
com fragilidade dum sol acobertado
em valores crispados de crise
na rigidez de ventos inconstantes
que sopram de gargantas profundas
carregadas de realidades frias
raios de sol espreitam
na madrugada sem esperança
de manhãs endividadas
tolhidas em rede de exploração
gérmen de formas de revolta
na contradição.

Joaquim Vairinhos,
Ilustração: Foto de manifestação dos "Indignados"

"Máquinas de fantasia"

segunda-feira, 12 de novembro de 2012



Minha querida...linda...
perguntas-me o que sou :
se Emilio...se Joaquim

fui sempre Joaquim
sempre Emilio,
na minha profissão,
na minha vida política,
fora/dentro...

agora,

aposentado da política
soltei a poesia de minha alma,
de minhas emoções,

de dia
fiz-me Emilio,

na clandestinidade do meu "eu"
utilizava Emilio na política,
na profissão de professor
nos amores
nas paixões
nas desilusões
no meu interior,
com disfarce de Joaquim.

Na intimidade
fui sempre Emilio...

Joaquim é o corpo,
Emilio é a alma,
a essência espiritual
de mim,

que afaga Joaquim...

emilio casanova, in "Só & Cia"


"...na escuridão do seu quarto...
minha alma ilumina-se..."