Um Sítio...Joaquim Vairinhos

Um Sítio...Joaquim Vairinhos
Poesia, Prosa e Música.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012


O que ficou do tempo,
dos minutos, das horas
dos dias
é tão pouco,
que pouco importa

a não ser
alimento de sonhos,
lembranças,
recordações


que se esvaem ao nascer
do sol
lá longe, e
voltam ao fim da tarde
quando aquela saudade
invade

aperta solidões na liberdade
presa, frágil de
emoções
que assolam mente,
veias,
carne esquecida

oh, escravos que somos
desse tempo que vivemos

cavalgam tempos
sonhos de nossa fantasia.

emilio casanova, in "Poesia ninguém compra"

terça-feira, 13 de novembro de 2012



EUROPA

Frio estende-se pela montanha gelada
arrasando a vaga trémula do mar
verdes florestas de pinho
flutuam em marés hirtas
num inverno contraditório
com fragilidade dum sol acobertado
em valores crispados de crise
na rigidez de ventos inconstantes
que sopram de gargantas profundas
carregadas de realidades frias
raios de sol espreitam
na madrugada sem esperança
de manhãs endividadas
tolhidas em rede de exploração
gérmen de formas de revolta
na contradição.

Joaquim Vairinhos,
Ilustração: Foto de manifestação dos "Indignados"

"Máquinas de fantasia"

segunda-feira, 12 de novembro de 2012



Minha querida...linda...
perguntas-me o que sou :
se Emilio...se Joaquim

fui sempre Joaquim
sempre Emilio,
na minha profissão,
na minha vida política,
fora/dentro...

agora,

aposentado da política
soltei a poesia de minha alma,
de minhas emoções,

de dia
fiz-me Emilio,

na clandestinidade do meu "eu"
utilizava Emilio na política,
na profissão de professor
nos amores
nas paixões
nas desilusões
no meu interior,
com disfarce de Joaquim.

Na intimidade
fui sempre Emilio...

Joaquim é o corpo,
Emilio é a alma,
a essência espiritual
de mim,

que afaga Joaquim...

emilio casanova, in "Só & Cia"


"...na escuridão do seu quarto...
minha alma ilumina-se..."
...uma quentinha de amor

junta uma manhã de domingo
com tua amada
adiciona uma boa
quantidade de carinho


sal em suor quanto baste
muita audácia
na pimenta


deixa que ferva
em lume brando
com tempo suficiente

terás um amor
que satisfaz os dois
a contento

num início de um esplendoroso
domingo

emilio casanova, in "Só & Cia"
apetece-me agora
deitar minhas costas
nos grãos de areia
da praia
respirar o cheiro
das gotas do mar
viajantes no ar
fixar meus olhos
no firmamento azul
segurando a cabeça

nos dedos entrelaçados
com meus joelhos
dobrados
pés enterrados
sim porque não
vou fazer o que me apetece
indiferente a quem pise
junto de meu corpo
indefeso
quero esquecer mundos
de sofrimento
de um lado de outro
à frente atrás
quero parar assim
subitamente
e por momentos
dar-me este presente

emilio casanova, in "So & Cia"