Um Sítio...Joaquim Vairinhos

Um Sítio...Joaquim Vairinhos
Poesia, Prosa e Música.

terça-feira, 16 de outubro de 2012



nos dias voamos
passageiros
mais ou menos clandestinos

certos dum rumo

errados
porque os rumos na vida
são incertos

caoticos
incorretos

como somos ingénuos
na esperança do certo

vivamos
na certeza
de que só o amor
vive
no caos
dos nossos dias

emilio casanova, in "Só &
Cia"
ilustração: Sedução &Art

sábado, 13 de outubro de 2012



(PARA TODAS AS CRIANÇAS/E OS QUE JÁ FORAM)

Avião de lata

Brinquedo de lata digno de pequeno príncipe
avião colorido de meninice

asas largas cinzentas de prata
riscas largas amarelas e verde
da cor da mata.

Sentado nele piloto garboso
capacete castanho óculos redondos
bigode fino sorriso vaidoso
piloto garboso.

Ele volta e rodopia
com seu trem de rodas grossas
na cauda esbelta a cruz vermelha pintada
na ponta das asas bolas encruzadas.

Trumtremtrumtrimtrum
roda a chave da manivela da corda
zumrzumzumrzumrrrzum
descola meu sonhado monomotor
rodando as hélices mágicas.

Ensaia saltos sobre voltas
que voltas...meu pai !
como desesperei para o ter
quantas saudades tenho para o ver...
e de ti meu pai.

emilio casanova, in "Coisas do Coração"
ilustração : foto de Joaquim


homenagem aos artistas

a cultura da cidadania
é fundamental
em democracia

ser cidadão pleno
praticando seu dever
exigindo seus direitos
é um ato cultural
que realiza o ser

no tempo de opressão
liberal
a praxis cultural
representa a força
de símbolos
da liberdade

que os artistas
assumam
sua condição
de ser livre
de discordar

para ser livre
é preciso dizer não
é preciso negar
em prol
da preservação
da sua própria 
humanidade

joaquim vairinhos, in "Tanta coisa para dizer"
ilustração:foto de joaquim.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012


separados por ventos contrários
remamos sem direção

dizem pescadores antigos:
quem vai ao mar avia-se na terra

separados em mundos imaginários
voamos de bússola na mão
convencidos que bastavam ponteiros
de orientação


separados por caminhos paralelos
tentamos dar a mão
esquecendo como são cruéis
muitas vezes

os labirintos do coração

separados por acasos
silêncios
desentendimentos
não superamos a incomunicação

guardamos em orgulhos
vã consolação

separados por comum
entendimento
acordo na desunião

vogamos vazios
sem apelo
sem perdão

e
muito menos
compaixão

emilio casanova, in "Só & Cia"