Um Sítio...Joaquim Vairinhos

Um Sítio...Joaquim Vairinhos
Poesia, Prosa e Música.

sábado, 29 de setembro de 2012



não esperava nesta noite
tão sem graça
que me convidasses 
para tua casa
que mistérios 
insondáveis tem alma 
de mulher
que se esquiva
fecha

quando não se espera
desabrocha no instante
como flor na primavera

calcinha rendada
deslizante
por esse teu corpo
esbelto...elegante
num doce gesto
insinuante
nada nem ninguém
o fazia prever

prendeste toda a atenção
sufocaste
minha respiração
atrapalhaste minha mente
como era possível
esse momento
se te tinhas esquivado
toda a tarde
argumentando que
não tinha chegado
ainda o tempo

que belo momento
me proporcionaste
nesse desafio

e assim de partilha
em partilha
tornamos a noite fria
e distante
na nossa madrinha
de fervorosos amantes

emílio casanova, in "Só & Cia"

terça-feira, 25 de setembro de 2012


estou naqueles dias que me sinto
blackout 
colado na janela do quarto
escurecido
opaco
sonolento das coisas vivas

de sombra ocasional
quero fugir
libertar a luz aos gritos

que me quer iluminar
na vontade de me permitir
erguer

avanço em olhos infinitos
buscando as armas da diferença
que guardam as presenças
bem queridas
bailando nas cristas das cortinas
endurecidas

caminho
sem me mexer
as ondas andam por mim
minha mente navega
nas dobras traiçoeiras da ilusão
que me querem perder

do tempo sem tempo
nada tenho a esperar
ele conspira em movimento
mecânico
me engole me tritura
me despoja
do sentimento que ouso guardar...

simples
só quero amar

emílio casanova, in "Só & Cia"

...às vezes penso : para quê tanto 
sentimento...
para quê tanta sensualidade...
porque divago neste pensamento...
se esta é minha realidade

será que gostaria de ser frio
ausente ... distante
vivendo fora de mim
como se dois três quatro

me comandassem
direcionassem minha vontade

porque me atormento
se meus entes
os que me são queridos
não me acompanham
nesta minha única e só
individualidade : sentimental
sensível solitário

será que vivo aquela vida
vivida
e me divido na outra a pensada
qual será certa
qual será a verdadeira ou a errada

ou serei metade certo
metade errado
metade vivido metade idealizado

às vezes penso : para quê tanto
pensamento...
se tantos outros pensam por mim
sentem por mim...


emílio casanova, in "Só & Cia"





ilustração de exp.da "Maison de France"

segunda-feira, 24 de setembro de 2012


Morena de castanhos olhos,
corpo belo, esguio
cabelos sedosos em cascata,
pele de veludo orvalhado
pela aurora da madrugada.
Sonho-te descalça em verde

floresta, deslizando pela mata
como silvestre gazela
buscando no olhar sedutor,
seu desejado eterno amor.
Tens no corpo teu arco
elástico, macio em teus
seios, nobre em teu ventre
flexível em tuas coxas,
ardente em teu sexo,
como ninfa, sereia e afrodite.
Guerreira entre abraços
seduzirás belo Apolo
que te levará para o jardim
dos amores...no seu divinal,
colo.

...assim falava o profeta :

caminha teu desejo
devagar
saboreando a vida
suas curvas
depressa
em suas retas
olhando 

belezas da ética
na humanidade necessária

rega amizades
floresce nos amores
despreza
invejas vãs
caminhando na certeza
de teus valores
no teu mundo
novo
de amanhã

emilio casanova
ilustração ...site narrowcast


acordar o dia no suspiro
sem sol nascente
com aromas envolventes
de suores usados na noite
acordada

enrolados na corda do lençol
que nos une
inalando teu corpo natural
de perfume

delícia
sem horas
programas
ir e vir

maravilhosa manhã da noite
em fragrância gostosa de
corpos enraizados  nos membros
trémulos

união apetecida 
carne de nossas carnes
fluída
em líquidos de nossos espíritos

sem preguiça
no profano sentimento
celebramos pelo amor
nossa santa missa

emilio casanova, in "Só & Cia"




utopia ?

sentar na conversa
dum almoço
num sábado com chuva
sem alvoroço
naquelas mesas sem bicos

mãos de dedos apertados
no olhar aquele brilho

faminto doce
suave quanto baste
de momentos relaxantes

encontros intensos simples
de amantes seguros
confiantes
que conjugam verbo amar
em humanos prazeres
do travesseiro aos talheres
no vinho público
ao lençol íntimo de afagos

sem segredos
estes amores confortam
tempos inseguros
de paradigmas opacos

para eles um e um
são dois sempre
mesmo no depois

no menu capital
encontram tolerância
respeito carinho entrega
paixão
em doses de amor
na ampla comunhão

emilio casanova, in "Só & Cia"