Um Sítio...Joaquim Vairinhos

Um Sítio...Joaquim Vairinhos
Poesia, Prosa e Música.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Avançando na chuva
nesta noite de frio inverno
caminho apressado
sem destino certo...
interrogo-me se vou sozinho,
na pressa, 
para não me molhar
balbucio palavras em surdina
chamando minha consciência 
para companhia...
um vento arrastado de folhas
e troncos faz também seu caminho
iluminado por raios faiscantes
que não sei se nascem da terra
se do céu...
dilúvio na cidade
agruras nas calçadas avenidas
e ruas...
tudo brilha e reluz na sinfonia
natural de deuses divertidos
habituados por ver humanos
sofrer,
na perversão mágica do poder
dos governantes
que frio a frio
chuva a chuva inverno a inverno
se aliviam com a certeza
do vai passar...
pensamento em pensamento
reflexão em reflexão
num solilóquio hamletiano
vou-me interrogando
no ser ou não ser...
será mais ridículo sofrer
o vexame
da diversão dos deuses
ou a incúria dos homens ofuscados
pela futilidade do prazer do poder.

emílio casanova, in "A Alma das Palavras"
Vou...
sou um livro 
meio aberto... 
meio fechado...nele me inscrevo...
nele soletro...nele tropeço...
nele voo...nele poiso...
nele guardo meus delírios...e,
sendo o meu melhor livro...
você não me quer...
que fazer...só partir
outra musa...outra musa
descobrir...

emílio casanova, in "No Jardim dos Deuses"
"Os livros não matam a fome, 
não suprimem a miséria, 
não acabam com as desigualdades 
e com as injustiças do mundo, 
mas consolam as almas, 
e fazem nos sonhar. "
Olavo Bilac


(Não só Olavo Bilac
Através dos livros...
de suas leituras...
fico mais forte...
mais preparado para matar a fome...
para suprimir a miséria...
para lutar contra as desigualdades...
e combater as injustiças...
e por isso...
ser cidadão inteiro...e,
denunciar aqueles que nos exploram !)

emílio casanova, in "A alma das palavras"
Quando minhas flores explodiram
voei com elas
no meio do turbilhão
imagens raras
vi
aromas únicos
cheirei
suas pétalas
comi
sabores deliciosos
me invadiram...

adorei
estar em ti.

emilio casanova, in "No Jardim dos Deuses"

domingo, 15 de julho de 2012

Vou navegar
partir para o mar na busca
da minha musa...

Vou sem destino
por qualquer caminho...

Preciso de descansar
da poesia...
que me escraviza
ao longo do dia...

Vou aproveitar
agora que minha musa
à costa foi dar,
talvez para me libertar.

emílio casanova, in "No Jardim dos Deuses"

Hoje deu à costa
enrolada na espuma do mar
minha musa bela
tinha-a bem guardada
no fundo da minha alma
onde ela me alimentava
com belos versos
que eu escrevia
agora, não sei que fazer
se alguém a encontrar
não fique com ela
venha-me dizer...
obrigado.


emílio casanova, in "No Jardim dos Deuses"
Na hora treze do ritmo dia
veias e artérias amassadas
sofrem por nadas
passos cruzados crescem
deambulam na diagonal zero
numa vital caminhada
em centro capital
lista pregão penetra na retina
em via direta aos aromas
dum programa festivo
de económico executivo
com reais reduzidos
em quantidade diet
sopra entediado garçon.
Sinto chamamento de células
precárias.
Entro no redondel de carnes feitas
em mesa única com forma de u
manjedoura universal moderna
de pretensão comunitária bacoca
que coloca frente a frente
olhos em bocas mascadas
desconhecidas
em permanentes miradas
furtivas
do nosso descontentamento.

emílio casanova, in "as pedras das palavras"