Um Sítio...Joaquim Vairinhos

Um Sítio...Joaquim Vairinhos
Poesia, Prosa e Música.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

e,
quando o café escorreu pela mesa
pingou na tua saia verde
deixando marcas circulares
castanhas
minha mente voou
na fantasia...
num rápido relance
tuas coxas alvas com calcinha
negra
bailaram no meu
contentamento
sorri...
desconfortavelmente
perante teu ar surpreso
inquietante
porque a despropósito
que fazer
se tua beleza
chama encantamento
inspiração que me leva
a desejar-te em qualquer lugar
em qualquer momento...

emilio casanova
Amanheceste entre cortinas
gotas escorrendo
no polyban do banheiro
abres chuveiro
na procura de jorro de água
para irrigar teus seios
teu ventre ardente...
cascata de vapor te alivia
sabonete te perfuma
no ensaboar pela fenda
de espuma...
te vem à mente retalhos
de imagens
guardadas nas células
teus dedos esguios acariciam
lábios de prazer...
sorris levemente...nos olhos
semicerrados imagens mudam
rapidamente para o instante
do escarlate jasmim que
desenhaste sobre mim
no jogo erótico que tempo
sobre tempo ansiamos...
agora...na tépida corrente
que escorre de filtros da mente
aos seios do ventre...
buscas no registo de teus sentidos
a marca do prazer que teu indicador
pode fazer
para suprir minha ausência e
abafar teu calor.

emilio casanova
África...África
não tens dias...
milénios...sim
história...sangue...
lágrimas...
cruzam teus tempos
de modernos a 
arcaicos...
vida e morte
circulam em ti
ricos e pobres
comem-te...
usam-te sem par
e tu sempre a dar
a dar...
até quando...até quando.

Joaquim Vairinhos


A noite trepava nas dunas.
No céu lunar de cal
batia um mar à porta
num sul azul de pétala,
abri os olhos para ouvir
minha memória em sono
amordaçado
arrastado em declínio 
esquecimento.
Calor escorria na pele
de lençol e,
este desejo latindo
magoando um corpo sem
lugar e
o mar cantava na soleira da porta
eu não dormia e, tu não vinhas.
O mármore da lua quebrava-se
no espelho do mar
que dançava nos degraus
da soleira da porta e,
eu não dormia...tu não vinhas.

emílio casanova
Cinzas de lumes brandos
reaparecem 
na terra verde antes florida,
cobrem mentes
levadas pelos ventos
que passam
nas memórias arquivadas,
presentes, 
em movimentos de voos rasantes
de abutres sempre atentos.
São cinzentos
pseudo ilustres
os falcões
que despem nossas esperanças
no reacender das chamas
da liberdade
que se anseia sempre presente.


emílio casanova
Angústia não tem porta
angústia invade
angústia não se importa
se faz doer
magoar
ela é angústia
arma dos fracos sem 
argumentos
que massacram em todos
os momentos
os que buscam a paz
a ternura
o entendimento
a harmonia...
combate-se a angústia
fortalecendo...sentimentos.

emílio casanova
Quarto de casa
apresenta-se branco
negro branco
num retângulo de cantos
alegres desavindos
mira espelho
paisagem
numa pintura deformada
de margem para margem
espreitam janelas
pardas
de verde fosco escorrente
esfriam memórias
em tempos circunstantes
fenece a lentidão dos dias
apascentando melros de negra alvura
nas tardes soalheiras
contradizendo calendas
d'épocas vividas.

emílio casanova