Um Sítio...Joaquim Vairinhos

Um Sítio...Joaquim Vairinhos
Poesia, Prosa e Música.

quarta-feira, 6 de junho de 2012



A noite trepava nas dunas.
No céu lunar de cal
batia um mar à porta
num sul azul de pétala,
abri os olhos para ouvir
minha memória em sono
amordaçado
arrastado em declínio 
esquecimento.
Calor escorria na pele
de lençol e,
este desejo latindo
magoando um corpo sem
lugar e
o mar cantava na soleira da porta
eu não dormia e, tu não vinhas.
O mármore da lua quebrava-se
no espelho do mar
que dançava nos degraus
da soleira da porta e,
eu não dormia...tu não vinhas.

emílio casanova
Cinzas de lumes brandos
reaparecem 
na terra verde antes florida,
cobrem mentes
levadas pelos ventos
que passam
nas memórias arquivadas,
presentes, 
em movimentos de voos rasantes
de abutres sempre atentos.
São cinzentos
pseudo ilustres
os falcões
que despem nossas esperanças
no reacender das chamas
da liberdade
que se anseia sempre presente.


emílio casanova
Angústia não tem porta
angústia invade
angústia não se importa
se faz doer
magoar
ela é angústia
arma dos fracos sem 
argumentos
que massacram em todos
os momentos
os que buscam a paz
a ternura
o entendimento
a harmonia...
combate-se a angústia
fortalecendo...sentimentos.

emílio casanova
Quarto de casa
apresenta-se branco
negro branco
num retângulo de cantos
alegres desavindos
mira espelho
paisagem
numa pintura deformada
de margem para margem
espreitam janelas
pardas
de verde fosco escorrente
esfriam memórias
em tempos circunstantes
fenece a lentidão dos dias
apascentando melros de negra alvura
nas tardes soalheiras
contradizendo calendas
d'épocas vividas.

emílio casanova
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Remoinhando entre corpos 
num baile de gatos
as mariposas amarelas
fragmentando os escuros lentos
chupando bala em doces orvalhos
buscando raízes em cascas grossas
ondulavam sorrisos vagueando 
em lasers floridos de corpos assanhados
sugando géneros assimilados em flores
ajardinadas de delicadeza
Flutuavam como esculturas do desejo
em diagonal numa madeira brilhante
numa caverna viva onde estrelas
ritmadas por sons voluptuosos
de um sax ensolarado e de um piano
dentado de pequenas luas pretas
transformavam corpos em horizontal
metamorfose de sabores

emílio casanova
Nunca pensei escrever mostrar que tenho outro
em mim transparente num saco opaco escondido
em toca bem guardado
disfarçado nas entranhas da mente
é um saco com flores selvagens
multicolores de folhagens roxas como amoras
com louros verdes cor de abóbora.
Invasores de plaquetas nas correntes
de um sangue quente onde correm
os latinos conquistadores abertos a odores
desempoeirados para amores claros arrebatados
que fervem em paixões de madrugadas
nas rosáceas coxas de eternos
femininos.
Coberto de pedras rios e espinhos
com perfumes embriagados sigo
na escrita de palavras endiabradas de vazio
na vertigem de horizontes verdes de estio
com talismãs de sortilégios recuperados
de eternos passados e assim
aguardando sempre o florir da roseira vermelha
entre as pedras das palavras tristes magoadas
porque não livres.

emílio casanova

Foi longa a construção de pedra sobre pedra
grão a grão numa casa conquistada de silêncio
onde circulam melodias em completas
reflexões 
foi tortuoso o caminho
nas diagonais do mar na face da terra
com sementes de sintonia
pelos gérmens da geometria nas cadeiras
da sabedoria.
No sopro da lua atingi o sol para aquecer
minha morada
que enchi de ervas e ramagens amarelas
de acácia para alimentar
minha catedral de sabedoria que vigio
no silêncio de olhos guardados em liberdade.

joaquim vairinhos